Setor financeiro amplia apoio ao Banco Central e divulga carta defendendo decisões técnicas do órgão

Em nova manifestação de apoio à independência do Banco Central, entidades que representam 757 instituições financeiras, entre elas bancos, meios de pagamento, cooperativas de crédito e empresas do mercado de capitais, estão divulgando nesta segunda uma carta reafirmando plena confiança nas decisões técnicas do órgão, tanto no âmbito de regulação quanto de fiscalização. A decisão de divulgar um documento conjunto, com diversos representantes do setor financeiro, acontece após o Tribunal de Contas da União (TCU) determinar a inspeção em documentos do Banco Master em poder do BC, num movimento considerado inédito pelo mercado finacneiro. A autoridade monetária decretou a liquidação do Master em novembro do ano passado alegando riscos excessivos, como dificuldades recorrentes de caixa, captação de recursos a custos elevados, exposição a ativos de baixa liquidez e indícios de irregularidades contábeis e operacionais. O Banco Central encaminhou relatórios e a órgãos como TCU e Ministério Público Federal (MPF), detalhando suspeitas de irregularidades, possíveis crimes contra o sistema financeiro, incluindo um suposto esquema de fraude envolvendo a venda de carteiras de crédito falsas do Banco Master para o Banco Regional de Brasília (BRB), que pode chegar a R$ 12 bilhões. O BRB queria comprar o Master, mas o negócio não foi aprovado pelo BC. "As entidades setoriais da indústria financeira e bancária, de meios de pagamento, bem como do mercado capitais, que representam, em seu conjunto, um universo de 757 instituições financeiras, além de 689 cooperativas de crédito e 15 associações vinculadas à Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin) reiteram sua posição pública de que depositam plena confiança nas decisões técnicas do Banco Central, nos seus âmbitos de atuação regulatória e de fiscalização", diz o texto. Para essas entidades, é imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, de forma a manter um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro, afirma a carta. No texto, as entidades afirmam que o Banco Central brasileiro exerce esse papel, que inclui uma "supervisão bancária atenta e independente, voltada para a solvência e integridade, de forma exclusivamente técnica, prudente e vigilante". Diversas entidades do sistema financeiro já tinham manifestado insatisfação com a decisão do TCU e saíram em defesa do banco Central. No último dia 27 de dezembro, a Associação Nacional das Instituições de Crédito(Acrefi), Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Zetta, que representa fintechs e empresas de meios de pagamentos, além da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), publicaram documento se manifestando em defesa do Banco Central. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) também defendeu, no final do ano passado, a autonomia e a independência do Banco Central em nota. Já no início deste ano, a Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin) manifestou apoio ao BC. Na carta divulgada nesta segunda estão representadas fintechs, bancos tradicionais, bancos digitais, financeiras, maquininhas e cooperativas de crédito. Além de Fin, ABBC, Acrefi, Febraban e Zetta e Anbima, assinam também a nota a Associaão Brasileira de bancos Internacionais (ABBI), Associação Brasileira de Instituições Financeiras de Desenvolvimento (ABDE), Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).