Startups desenvolvem fármacos e cosméticos a partir de plantas medicinais da Amazônia

Cientistas do Amapá desenvolvem tecnologias de saúde com alto valor agregado Um grupo de pesquisadores do Amapá criou duas startups para transformar a biodiversidade da Amazônia em produtos naturais e cosméticos. A primeira atua no desenvolvimento de medicamentos com tecnologia de saúde. A segunda foca na fabricação e comercialização dos produtos. A ideia surgiu para buscar soluções para doenças que afetam a população brasileira. Pesquisadores do Laboratório de Pesquisas em Fármacos da Universidade Federal do Amapá (Unifap) decidiram aprofundar estudos a partir de plantas medicinais da Amazônia, prática já utilizada por povos originários. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 AP no WhatsApp Os testes realizados verificaram o potencial farmacêutico e a capacidade de produção em escala industrial. O doutorando em Inovação Farmacêutica, Abrahão Tavares, explicou como funciona essa etapa: “Nós avaliamos se o produto natural, seja planta ou extrato, possui propriedade biológica comprovada, se tem atividade, ausência de toxicidade e se pode trazer benefícios. Uma vez confirmado o potencial farmacêutico ou cosmético, iniciamos a segunda etapa, que é o estudo de aplicação tecnológica sobre essa matéria-prima”, disse. Os estudos são realizados a partir de plantas medicinais da Amazônia, prática já utilizada por povos originários Reprodução Leia também Mulheres na ciência: conheça pesquisadoras que atuam em projetos para a saúde, no Amapá Pesquisador do Amapá vai tomar posse como membro da Real Academia de Farmácia da Espanha O processo inclui seleção e rastreabilidade do insumo, parcerias com produtores, extração vegetal avançada, formulações farmacêuticas e cosméticas, testes laboratoriais, validação científica e preparação de registros sanitários no Brasil e em mercados internacionais. O farmacêutico Heitor Silva destacou a importância da aproximação com comunidades tradicionais: “Esse contato é fundamental para valorizar o conhecimento popular. A partir disso, transformamos a matéria-prima em extrato vegetal e, posteriormente, em formulações inéditas no mercado”, afirmou. Atualmente, a empresa está em fase de expansão e estruturação regulatória internacional, com foco na exportação para América Latina, Estados Unidos e Europa. A produção deve começar em abril de 2026, com apoio de investimento externo. O CEO da startup, Frank Portela, afirmou que o objetivo é alcançar impacto mundial: “Estamos olhando para o mercado internacional com viés de biotecnologia da Amazônia, gerando pesquisa e desenvolvimento. Já estudamos produtos para combate ao câncer, reumatismo e saúde sexual”, disse. Empresa busca exportação para América Latina, Estados Unidos e Europa Reprodução Entre os ativos pesquisados estão: Jambu: aplicações em anestesia local, neuroestimulação e saúde sexual; Açaí: ação antioxidante e neuroprotetora, com potencial para prevenir AVC; Copaíba: efeito anti-inflamatório e cicatrizante; Andiroba: ação anti-inflamatória e regenerativa. Apesar dos avanços, há desafios. A doutoranda em Inovação Farmacêutica, Aline Lopes, explicou que muitas plantas não estão disponíveis em grandes quantidades: “Existem espécies que não podem ser usadas em larga escala. Além disso, muitos bioativos são sensíveis, o que dificulta o processo”, disse. Aline Lopes, estudante de doutorado em inovação farmacêutica da Unifap, no Amapá Aline Lopes/Arquivo Pessoal Os fármacos já despertam interesse do mercado estrangeiro. A intenção é exportar tecnologia e produtos de saúde natural com alto valor agregado, e não apenas matéria-prima. A startup tem parceria com o Laboratório de Pesquisas em Fármacos da Unifap, liderado pelo professor José Carlos Tavares. O LPFar desenvolve novos medicamentos baseados na biodiversidade amazônica e no conhecimento popular, com foco em doenças que afetam a população brasileira. Com infraestrutura moderna, atua em química de produtos naturais, farmacologia, nanobiotecnologia e fitoterápicos, e já criou formulações como o nano-urucum, indicado para dores e síndromes metabólicas. Veja o plantão de últimas notícias do g1 Amapá VÍDEOS com as notícias do Amapá: