Irã diz que não terá ‘nenhuma indulgência’ com desordeiros em protestos

No nono dia de manifestações que começaram com pedidos relacionados ao custo de vida e passaram a incluir reivindicações políticas, o líder do Poder Judiciário do Irã declarou nesta segunda-feira que a Justiça não terá “nenhuma indulgência” com “os desordeiros” envolvidos nos protestos que se alastram pelo país. Embora tenha adotado um tom severo, a autoridade afirmou respeitar o direito da população de se manifestar por motivos econômicos.   Veja: Sob pressão de protestos, Irã anuncia subsídio mensal à população em meio à crise econômica Com moeda em queda livre, Irã vê nova onda de protestos contra a crise econômica, e regime fica em alerta — Ordeno ao procurador-geral e aos promotores de todo o país que atuem conforme a lei e com determinação contra os desordeiros e aqueles que os apoiam (...) e que não mostrem nenhuma indulgência nem complacência. A República Islâmica ouve os manifestantes e os críticos e faz uma distinção em relação aos desordeiros — declarou Gholamhossein Mohseni Ejei à agência de notícias do Judiciário “Mizan”.  O movimento de protesto, inicialmente ligado ao custo de vida, começou em 28 de dezembro, em Teerã, e desde então se espalhou para o restante do país, com reivindicações políticas. Os protestos atingem ou já atingiram, em diferentes graus, ao menos 45 cidades, principalmente pequenas e médias, localizadas sobretudo no oeste do país, de acordo com a AFP, levando em consideração comunicados oficiais e informações vindas da imprensa.  Ao todo, 25 das 31 províncias do Irã já foram palco de manifestações. A agência de notícias Fars escreveu nesta segunda-feira que “a tendência observada na noite de domingo é uma diminuição significativa do número de concentrações e de sua extensão geográfica em relação às noites anteriores”.  A imprensa iraniana informou, nos últimos dias, sobre atos de violência e danos materiais, registrados principalmente no oeste do país, a várias centenas de quilômetros de Teerã. Ao menos 12 pessoas morreram desde 30 de dezembro em confrontos, incluindo integrantes das forças de segurança, segundo um balanço baseado em comunicados oficiais.  Os incidentes não são noticiados de forma detalhada, o que dificulta a avaliação dos fatos. Vídeos das mobilizações circulam nas redes sociais, mas nem todos conseguem ser verificados. E a moeda nacional, o rial, perdeu mais de um terço de seu valor em relação ao dólar em um ano, e uma inflação de dois dígitos vem enfraquecendo há anos o poder de compra da população iraniana.