O governo da Itália deve apoiar o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul . A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 5, pela Bloomberg. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni | Foto: Governo Italiano Segundo fontes consultadas pelo site americano, Itália deve mudar de posição e votar a favor do acordo quando os embaixadores da UE se reunirem em 9 de janeiro. Saiba mais: Mercosul e agricultura à la française Caso isso ocorra, o bloco europeu poderá assinar o tratado com os países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — já no dia 12 de janeiro, concluindo dessa forma um acordo que vem sendo negociado há 25 anos. “Houve discussões, trabalho e avanços significativos nas últimas duas semanas”, afirmou nesta segunda-feira, em Bruxelas, a porta-voz da Comissão Europeia, Paula Pinho. “Estamos no caminho certo para considerar a assinatura do acordo, esperamos que em breve”. Saiba mais: Mercado da França anuncia boicote a produtos do acordo UE–Mercosul Um porta-voz do governo italiano preferiu não comentar, destacando que ainda não há decisão definitiva e que os planos podem sofrer alterações. Falta de consenso entre União Europeia e Mercosul A União Europeia não conseguiu encontrar um consenso para concluir o acordo no mês passado depois que Itália e França lideraram um movimento para adiar a votação, alegando a ausência de garantias suficientes para proteger os agricultores europeus. Saiba mais: Mercosul se reúne em Foz do Iguaçu sob impasse com a União Europeia A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni , vinha pressionando por salvaguardas adicionais ao setor agrícola e por recursos extras no orçamento do bloco, segundo fontes que falaram sob anonimato. Na França , o presidente Emmanuel Macron enfrentou forte pressão interna de agricultores e declarou no mês passado que o tratado não oferecia proteções adequadas. No fim de semana, o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, afirmou que o país pretende proibir a importação de alimentos da América do Sul ou de outras regiões que utilizem pesticidas banidos na União Europeia. O acordo UE-Mercosul é o maior já negociado pelo bloco europeu. Ao longo de mais de duas décadas, as tratativas foram interrompidas e retomadas diversas vezes, em meio a preocupações relacionadas à proteção ambiental e aos padrões agroalimentares dos países do Mercosul. Se aprovado, o tratado criará um mercado integrado de cerca de 780 milhões de consumidores, prevendo a eliminação gradual de tarifas sobre produtos como automóveis e ampliando o acesso europeu à robusta indústria agrícola sul-americana. O acordo também permitiria que ambas as regiões diversificassem suas economias e reduzissem a dependência dos Estados Unidos, especialmente após a imposição de tarifas globais durante o governo de Donald Trump. De acordo com estimativas da Bloomberg Economics, o acordo pode impulsionar o Produto Interno Bruto do Mercosul em até 0,7% e o da União Europeia em cerca de 0,1%. Do ponto de vista geopolítico, o tratado também reforçaria a presença da UE em uma região onde a China se consolidou como importante fornecedora de produtos industriais e grande compradora de commodities. O post Itália vai apoiar o acordo de livre comércio entre UE e Mercosul, diz site apareceu primeiro em Revista Oeste .