O desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário Ramos Judice Neto, será submetido a uma junta médica por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A defesa do magistrado apresentou pedido para que ele possa dar continuidade ao tratamento de uma doença grave, iniciado antes de sua prisão pela Polícia Federal. Macário é acusado de obstrução de investigação. Moraes diz que encontrou indícios de autoria do desembargador Judice Neto em cinco crimes; veja quais são PF apreende mochila de Bacellar com R$ 91 mil em carro oficial da Alerj, que o levou a sede da superintendência, e três celulares De acordo com documentos anexados aos autos, o desembargador sofre de eritrocitose por excesso de testosterona — condição caracterizada pelo aumento da massa de glóbulos vermelhos (eritrócitos) no sangue, provocado por níveis elevados do hormônio. Segundo a literatura médica, esse excesso torna o sangue mais espesso, dificultando o fluxo e elevando o risco de formação de coágulos, o que pode resultar em trombose. TH Jóias tira bens de sua casa, após falar com Bacellar Entre os tratamentos indicados está a flebotomia terapêutica, também conhecida como sangria, procedimento médico padrão que consiste na retirada controlada de sangue por profissionais especializados e é considerado eficaz no tratamento da eritrocitose. Desembargador Judice Neto ficará em presídio de Niterói numa sala com cama, TV e refrigerador Questionado sobre o tratamento, o advogado Fernando Fernandes afirmou que solicitou a adoção imediata das medidas médicas, diante dos riscos envolvidos: — Pedimos que ele tenha condições de seguir o tratamento que já estava previamente agendado, levando ao ministro o conhecimento de um laudo elaborado antes da prisão, para que ele possa ser tratado adequadamente. Cabe ao Estado verificar se há condições de tratamento no local onde ele se encontra. Caso o ministro entenda que não há, decidirá quais providências adotar — disse Fernandes. Bacellar foi procurado por Brazão, réu no Caso Marielle, na mesma semana da prisão de conselheiro do TCE; PF antecipou operação Segundo o advogado, não houve encontro entre Macário Judice e o deputado Rodrigo Bacellar em uma churrascaria no Flamengo, como apontado pelos investigadores da Polícia Federal na véspera da prisão do então deputado Tiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Jóias (MDB), acusado de envolvimento com o Comando Vermelho, em 2 de setembro do ano passado. — Desde o primeiro momento, nosso pedido é pela revogação da prisão. O fundamento é único: a alegação de que ele esteve em um jantar no dia 2 de setembro, às 22h, ocasião em que Bacellar teria recebido mensagem de TH Jóias. Eles não estavam juntos. Já requisitamos a geolocalização dos telefones, mas até agora isso não foi juntado aos autos — afirmou o advogado. — Se o delegado teve acesso à geolocalização dos celulares, se há fotos ou mensagens que comprovem a marcação desse jantar, esses são elementos essenciais. Até agora, a defesa não teve acesso a nada disso, embora o Estado tenha plena condição de obtê-los — completou. Desembargador Macário Júdice e o deputado estadual Rodrigo Bacellar Reprodução e Lucas Tavares O ponto de partida para a prisão do desembargador e do presidente licenciado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o deputado Rodrigo Bacellar (União) — que atualmente responde em liberdade, monitorado por tornozeleira eletrônica —, foram as investigações sobre as ligações de TH Jóias, apontado como integrante do Comando Vermelho. TH Jóias de mãos dadas com Rodrigo Bacellar Redes Social de TH Jóias Na decisão do STF, Alexandre de Moraes destaca o relato de um delegado que afirmou ter informado ao gabinete de Macário, na manhã de 2 de setembro, que o mandado de prisão contra TH — assinado pelo próprio desembargador — seria cumprido no dia seguinte. Segundo os investigadores, naquela mesma noite, Bacellar teria estado com o magistrado em uma churrascaria no Aterro do Flamengo. A Polícia Federal sustenta que Bacellar recebeu vídeos enviados por TH “na presença do desembargador federal”. As imagens mostrariam o então deputado esvaziando sua casa em razão da operação que resultaria em sua prisão. Na representação encaminhada ao Supremo, a PF também afirma que Bacellar declarou ter conversado com TH sobre “a suposta operação policial por volta das 11h ou meio-dia de 2 de setembro”, dentro da Alerj. Chefe do CV ligado a TH Jóias volta ao Rio após deixar presídio federal, na semana em que Bacellar é preso Com o avanço das investigações, Bacellar foi preso no dia 3 de dezembro, na sede da Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá. Segundo a apuração, ele foi chamado pelo superintendente da corporação, delegado Fábio Galvão, sob o pretexto de uma reunião. No cumprimento do mandado de prisão, foram apreendidos três celulares em sua posse. Também foram encontrados R$ 91 em uma mochila localizada no carro oficial da Alerj. PF adota 'fator surpresa' para evitar vazamentos e impedir sumiço de celulares, como na prisão de Bacellar A partir da extração de dados dos aparelhos, os investigadores identificaram indícios de ligação entre Bacellar e Macário Judice. O desembargador acabou preso em 12 de dezembro do ano passado, no âmbito da Operação Unha e Carne 2, da Polícia Federal — desdobramento da primeira fase da operação, que resultou na prisão do presidente licenciado da Alerj. Ambos são suspeitos de obstrução das investigações. Atualmente, o desembargador federal está custodiado no presídio Constantino Cokotós, em Niterói.