Chefe do Exército iraniano promete resposta às 'ameaças' de Trump e Netanyahu sobre protestos no país: 'Retórica inimiga'

O Irã classificou como uma “ameaça” as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a respeito das manifestações na República Islâmica e advertiu que não permitirá que elas fiquem sem resposta. A afirmação foi feita nesta quarta-feira pelo chefe do Exército iraniano. Entenda as manifestações: Com moeda em queda livre, Irã vê nova onda de protestos contra a crise econômica, e regime fica em alerta Regime em alerta: Irã promete 'resposta decisiva' a tentativas de desestabilização em meio a protestos após incentivo do Mossad “O Irã considera a escalada da retórica inimiga contra a nação iraniana como uma ameaça e não tolerará que continue sem resposta”, declarou o general Amir Hatami, segundo a agência Fars. Nos últimos dias, Trump ameaçou intervir militarmente no Irã caso o regime reprima de forma violenta manifestantes contrários ao governo. Já Netanyahu manifestou apoio público aos protestos que ocorrem no país. A República Islâmica do Irã já havia classificado como "linha vermelha" e desestabilização regional uma possível intervenção americana no país após o presidente dos EUA afirmar que sairia "em resgate" dos manifestantes que participam de protestos hostis ao governo, depois que as primeiras mortes foram confirmadas, incluindo de um membro das forças de segurança. As declarações do presidente republicano provocaram uma reação imediata de dois assessores do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. "Qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto será alvo de uma resposta", escreveu Ali Shamkhani, conselheiro de Khamenei, em uma publicação no X. "A segurança do Irã é uma linha vermelha." Já o também conselheiro Ali Larijani escreveu que "Trump deveria saber que qualquer interferência dos Estados Unidos neste assunto interno seria o equivalente a desestabilizar toda a região e prejudicar os interesses americanos": "Que tenha cuidado com seus soldados", acrescentou. Initial plugin text Os comentários aconteceram após Trump sugerir que estaria disposto a agir na nação persa, caso a repressão do governo a manifestações pelo alto custo de vida que tomaram o país desde o fim de dezembro se tornasse letal. Os protestos começaram com o fechamento de estabelecimentos comerciais em Teerã, a capital, mas se espalharam para outros grupos e regiões do país. "Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, o que é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu socorro. Estamos com as armas preparadas e carregadas, prontos para agir. Obrigado por sua atenção a esse assunto!", escreveu Trump na Truth Social. Nos últimos dias, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou os protestos como "legítimos" e instruiu seus funcionários a atenderem às reivindicações dos manifestantes. Alguns funcionários, no entanto, alertaram que responderiam com firmeza a qualquer instabilidade. "De uma perspectiva islâmica (...), se não resolvermos o problema da subsistência das pessoas, acabaremos no inferno", declarou Pezeshkian em um pronunciamento na televisão. Manifestantes em protesto contra a deterioração das condições econômicas no Irã, em Teerã FARS NEWS AGENCY / AFP As autoridades iranianas estão em alerta com a possibilidade de que a inquietação interna — que começou no domingo, motivada pelo aumento do custo de vida no país — sirva de motivação para ações de potências estrangeiras contra o governo. Antes de Trump, a agência de inteligência de Israel, Mossad, publicou uma mensagem aos manifestantes na quarta-feira, sugerindo que os apoiaram "em campo".