Biomédica piauiense é selecionada para programa de inovação na China; está entre 15 profissionais da América Latina

Biomédica piauiense é selecionada para programa de inovação na China; está entre 15 profis A pesquisadora piauiense Ester Miranda Pereira foi selecionada para participar do China–Latin America Youth Entrepreneurship and Innovation Program and Innovation Tour in China, um programa internacional de ciência, tecnologia e inovação que reunirá, em janeiro de 2026, apenas 15 jovens pesquisadores de toda a América Latina. A iniciativa prevê uma imersão em universidades, centros de pesquisa e polos tecnológicos da China, com foco em cooperação internacional e transferência de tecnologia. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Biomédica, doutora em Biotecnologia e pesquisadora nas áreas de doenças raras, genética, saúde pública e plataformas digitais em saúde, Ester desenvolve suas pesquisas no Laboratório de Imunogenética e Biologia Molecular da Universidade Federal do Piauí (LIB-UFPI). No espaço, atua na interface entre pesquisa científica, diagnóstico e inovação aplicada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo a pesquisadora, o programa tem como objetivo aproximar jovens cientistas latino-americanos de instituições estratégicas chinesas. “É um programa de transferência de tecnologia entre jovens cientistas da América Latina e a China. A ideia é pensar projetos conjuntos e trazer tecnologias que possam inovar nossos trabalhos na América Latina”, explicou. Biomédica piauiense é uma das 15 selecionados para programa de inovação na China Arquivo Pessoal Seleção entre pesquisadores de toda a América Latina De acordo com Ester, o processo seletivo envolveu análise curricular e critérios como doutorado concluído, idade inferior a 40 anos, inglês fluente e atuação nas áreas de saúde ou educação. Após uma primeira triagem, os candidatos ainda precisaram enviar um vídeo apresentando suas pesquisas e propostas futuras. “Foram apenas 15 selecionados em toda a América Latina. No Brasil, eu soube que fui selecionada junto com outra professora de Recife”, contou. Treinamentos, inteligência artificial e visitas técnicas A programação do intercâmbio inclui duas semanas de atividades na China. Na primeira, os pesquisadores participam de um treinamento intensivo em empreendedorismo, com foco na aplicação da inteligência artificial nas áreas da saúde e da educação. “Vamos passar cinco dias com professores em Zuhai aprendendo sobre a aplicabilidade de ferramentas de inteligência artificial para resolver problemas e inovar nessas áreas”, disse. Na segunda etapa, o grupo fará um tour por cidades chinesas com ecossistemas tecnológicos consolidados, como Pequim, além de outros polos de inovação. Nesse período, os pesquisadores também apresentarão pitches de projetos a representantes de universidades e investidores. ‍ Pitches são apresentações curtas e objetivas usadas para explicar uma ideia, projeto ou negócio. Nelas, a pessoa apresenta o problema, a solução proposta, os diferenciais e os impactos esperados, geralmente para investidores, parceiros ou instituições, com o objetivo de despertar interesse e viabilizar apoio, parcerias ou financiamento. Biomédica piauiense é uma das 15 selecionados para programa de inovação na China Arquivo Pessoal Projetos voltados a doenças raras e saúde digital Durante o programa, Ester pretende buscar parcerias principalmente na área de biotecnologia, com foco no desenvolvimento de métodos diagnósticos mais acessíveis para doenças genéticas. Atualmente, ela coordena projetos voltados à saúde digital, entre eles a plataforma Integra Raras, voltada a pacientes com suspeita ou diagnóstico de doenças raras. A ferramenta busca conectar pacientes a especialistas, orientar sobre exames diagnósticos e organizar informações de forma integrada. Biomédica piauiense é uma das 15 selecionados para programa de inovação na China Arquivo Pessoal Outro projeto, desenvolvido em parceria com instituições públicas, tem foco na atenção primária à saúde e no apoio a médicos generalistas por meio de triagem inteligente, facilitando o encaminhamento de pacientes para centros especializados. “O objetivo é diminuir o atraso no diagnóstico, reduzir o itinerário terapêutico e garantir que o paciente não fique perdido na rede de saúde”, disse a pesquisadora. Trajetória ligada à ciência no Piauí A atuação de Ester está diretamente ligada ao fortalecimento da ciência no estado. Ela é egressa do Programa de Fixação de Jovens Doutores, iniciativa do CNPq em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), e integra há mais de 15 anos pesquisas na área de doenças genéticas. Segundo a pesquisadora, muitas das iniciativas surgiram a partir da convivência com pacientes e da identificação de lacunas no diagnóstico e no acompanhamento em saúde. “Eu acredito que ciência é isso: transformar conhecimento em solução para que as pessoas tenham acesso a uma melhor qualidade de vida”, afirmou. Representatividade e reconhecimento Para Ester, a participação no programa internacional também tem um significado simbólico. “Historicamente, os grandes centros de pesquisa em biotecnologia e genética estão concentrados no Sul e Sudeste. Ter uma piauiense participando de um programa dessa magnitude na China consolida o trabalho que vem sendo desenvolvido no estado”, destacou. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube