EUA mantiveram negociações secretas com irmãos Rodríguez, da Venezuela

Conversas sigilosas entre Delcy Rodríguez, atual líder interina da Venezuela, e seu irmão Jorge Rodriguez, presidente da Assembleia Nacional do país, ocorreram com representantes do governo dos EUA meses antes da captura do ditador Nicolás Maduro. Fontes diplomáticas em Washington e Caracas confirmaram a existência desses contatos, segundo o portal UOL . + Leia mais notícias de Mundo em Oeste O embaixador norte-americano Richard Grenell, escolhido pelo presidente Donald Trump para missões especiais na Venezuela, liderou as negociações com Delcy e Jorge. Os diálogos abordaram interesses como acordos para exploração de petróleo e minério, além da repatriação de venezuelanos que entraram ilegalmente nos EUA nos últimos anos. Mediação de Grenell e negociações O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro com o presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático - Asean, em Kuala Lampur, Malásia - 25/10/2025) | Foto: Ricardo Stuckert/PR No Brasil, Grenell ficou conhecido por intermediar o primeiro encontro entre Trump e Lula, mesmo sem o aval do Departamento de Estado. Ainda durante o segundo mandato de Trump, foi o embaixador quem negociou com os irmãos Rodríguez a libertação de seis cidadãos norte-americanos presos por acusações de terrorismo na Venezuela, sem exigências adicionais dos EUA, além de um registro fotográfico do aperto de mãos entre Grenell e Maduro. Também conforme o UOL, Delcy inicialmente demonstrou disposição para liberar apenas dois detentos norte-americanos e desconforto com a possibilidade de Grenell encontrar a opositora María Corina Machado em Caracas. O embaixador propôs conversar com María Corina apenas por telefone, em troca da libertação de oito prisioneiros, mas Delcy negociou a soltura de seis. Tal acordo foi cumprido em 31 de janeiro de 2025, quando os seis norte-americanos embarcaram em um avião presidencial dos EUA acompanhados de Grenell. https://www.youtube.com/watch?v=gvEtgL5I9oY O perfil pragmático de Delcy agradou aos negociadores dos Estados Unidos. Por isso, ela passou a ser vista como uma interlocutora confiável, enquanto as tentativas de Grenell de convencer María Corina e seu grupo a liderar o país não avançaram. A Casa Branca não se convenceu de que a oposição garantiria seus interesses caso assumisse o governo. Disputas internas na estratégia dos EUA Nos bastidores, Grenell e o secretário de Estado, Marco Rubio, divergiram sobre a estratégia para a Venezuela. Rubio, apoiador de María Corina Machado, defendia ações militares contra Maduro e se opunha a negociações diplomáticas. Durante meses, ambos disputaram a atenção de Trump, cada um com seu argumento e abordagem. Em outubro, Trump encerrou o diálogo com o governo Maduro e iniciou operações militares no Caribe — sinais de que Rubio prevalecia sobre Grenell. No entanto, fontes afirmaram ao UOL que Grenell manteve discretamente seus contatos em Caracas, mesmo durante as ações militares. Leia também: "No fim e no começo de tudo, é a economia" , artigo de Adalberto Piotto publicado na Edição 303 da Revista Oeste Depois da saída de Maduro, articulada por Rubio, Delcy e Jorge Rodríguez passaram a ser os principais interlocutores de Trump para os próximos passos no país. Isso pode indicar uma retomada das negociações com o chavismo, desta vez sem Maduro. Essa possibilidade se alinha à estratégia defendida por Grenell, priorizando acordos energéticos. O post EUA mantiveram negociações secretas com irmãos Rodríguez, da Venezuela apareceu primeiro em Revista Oeste .