Defesa de Maduro nos EUA ganha reforço de ex-subprocurador do governo Reagan que defendeu pai de Snowden

Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela capturado em uma operação militar dos Estados Unidos no último fim de semana, contratou o advogado constitucionalista americano Bruce Fein, que ocupou cargos no governo do republicano Ronald Reagan, nos anos 1980, para representá-lo no processo criminal que enfrenta junto ao Tribunal Distrital do Sul de Nova York. Maduro é acusado de ligações com o narcotráfico e de uso de armas para apoiar o tráfico. Bruce Fein passou a fazer parte da equipe legal que defenderá Maduro nos EUA na terça-feira. Ele se junta ao criminalista Barry Pollack, de 61 anos, que também atua como defensor do fundador do Wikileaks, Julian Assange, em casos nos Estados Unidos. Inicialmente, o advogado David Wikstrom havia sido nomeado pelo tribunal de Nova York para atender Maduro e a esposa, Cilia Flores, na fase inicial do processo, etapa em que ocorrem a leitura formal de acusações, a verificação de direitos legais e as primeiras decisões processuais. A tendência é que Wikstrom deixe o caso. Bruce Fein tem 78 anos e uma longa carreira como advogado constitucionalista, atuando também em casos de Direito Internacional. Mais recentemente, ele atuou como advogado de defesa de Lon Snowden, pai de Edward Snowden, ex-administrador de sistemas da agência de inteligência americana, a CIA, que revelou detalhes de programas de vigilância global dos Estados Unidos. O jornal americano Washington Post o descreve como um nerd que é obcecado pela defesa dos direitos individuais e do devido processo legal. Formado pela Universidade da Califórnia em Berkeley e advogado pela Universidade Harvard, Fein ocupou, nos anos 1980, postos de confiança no governo do republicano Ronald Reagan, considerado um expoente do liberalismo econômico e do conservadorismo nos costumes. Na gestão de Reagan, Fein foi Associate Deputy Attorney General (subprocurador-geral adjunto, em tradução livre) no Departamento de Justiça, entre 1981 e 1982. Ainda no governo do republicano, Fein foi nomeado conselheiro jurídico-geral da Federal Communications Commission (FCC), agência reguladora americana para os setores de telecominicações. Na época, a FCC promoveu uma desregulamentação do setor. Nas décadas seguintes, Fein tornou-se um assíduo colaborador de jornais e revistas nos Estados Unidos. Em seus textos, foi crítico das gestões dos democratas Bill Clinton e Barack Obama e do republicano George W. Bush. O advogado defendeu publicamente o impeachment de Bush devido ao que chamou de violações à Constituição americana perpetradas pelo sistema de vigilância contra o terrorismo implementado pelo republicano. Em 2012, Fein foi assessor do parlamentar republicano Ron Paul em sua campanha eleitoral à presidência. Na ocasião, Paul disputou e perdeu a nomeação republicana para Mitt Romney.