Prefeitura diz que acompanha cortes de mais de 70 árvores no Flamengo, e MP abre inquérito para investigação

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) instaurou um inquérito civil para investigar possíveis irregularidades ambientais e patrimoniais no terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo, após a derrubada de mais de 70 árvores para a construção de um condomínio residencial de alto padrão, empreendimento da construtora TGB Imóveis em parceria com o banco BTG Pactual. A apuração está em curso na 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural da Capital. Segundo os moradores, um bambuzal que seria a última árvore do terreno começou a ser cortado na tarde desta quarta-feira (7). Para férias de janeiro: Parque Lage aposta em cursos de verão e atividades infantis para movimentar as férias de janeiro Na rua de delegacia: Moradores denunciam ponto para uso de crack e degradação em rua de Copacabana Segundo o MPRJ, o inquérito tem como foco a possível descaracterização do Pavilhão São Clemente, onde residiu o Barão de São Clemente, bem tombado em nível municipal por decreto de 2014. O imóvel fica na Rua Marquês de Abrantes, nº 55, no Flamengo, no mesmo terreno onde funcionava o colégio. Derrubada de mais de 70 árvores no antigo Bennett leva MP a abrir inquérito no Flamengo A investigação ocorre em meio à mobilização crescente de moradores da região. Um protesto organizado por um coletivo de moradores e pela Associação de Moradores e Amigos do Flamengo (Amafla) está marcado para o próximo sábado (10), às 9h, em frente ao terreno, com pedido de interrupção de novos cortes e preservação das árvores remanescentes. Um abaixo-assinado criado após o início da intervenção já reúne mais de 1.600 assinaturas em três dias, segundo os organizadores. O terreno, que antes concentrava vegetação densa e sombra, hoje aparece como um descampado de terra e concreto. Entre as árvores suprimidas estavam exemplares adultos de grande porte, responsáveis, segundo os moradores, pela regulação do microclima local e pela presença constante de fauna urbana. — Todas as árvores retiradas eram adultas e faziam muita sombra, não só na Rua Senador Vergueiro, mas também nas paralelas. Esse conjunto regulava a temperatura do bairro e era conhecido como o “mini bosque do Flamengo”. Depois do corte, ficou mais quente, o ar pesado e os pássaros sumiram. Antes a gente acordava com o som das maritacas; agora foi o barulho da motosserra — afirma a moradora Lorena Almeida, uma das organizadoras do protesto. 'Lady tempestade': Com Andréa Beltrão, encerra turnê com temporada no Teatro Casa Grande Segundo ela, além das aves, animais como micos e gambás, que circulavam pela área, desapareceram após a retirada da vegetação. — Havia uma jaqueira de que muita gente mais velha se lembra desde a infância. Hoje ficou o vazio, a tristeza e a saudade — diz. A retirada da vegetação ocorreu na véspera do Ano Novo. Moradores que estiveram no local relatam que a empresa responsável pela remoção informou ter sido contratada pela construtora para executar o serviço nesse período. — Questionamos a escolha da data, quando a cidade está esvaziada e o Judiciário em recesso, mas disseram que isso não era problema deles — relata Lorena. Moradores afirmam ainda que, mesmo após alertas sobre a existência do decreto que tornaria as árvores imunes ao corte, os trabalhos não foram interrompidos. Também houve denúncias de destruição do gradil do terreno, igualmente tombado, e pedidos de representantes de organizações de proteção animal devido à presença de gatos no local. Diante do episódio, o deputado estadual e ambientalista Carlos Minc encaminhou uma representação ao procurador-geral de Justiça e passou a cobrar explicações públicas sobre o licenciamento da obra. — Identificamos irregularidades no desmatamento, incluindo intervenções em área tombada. O Iphan não foi consultado antes da concessão da licença, o que é irregular. Também faltou a análise do impacto de vizinhança exigida por lei. Árvores adultas não podem ser substituídas por mudas, que levam anos para cumprir a mesma função ecológica — afirmou Minc. Do sol à cena cultural: Flamengo tem verão cheio de opções além da praia Em nota, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento informou que o projeto do empreendimento está em análise desde 2024 e cumpre a legislação ambiental. Segundo a pasta, o levantamento identificou dois exemplares de pau-brasil, que serão transplantados no próprio terreno, além da preservação de outras sete árvores nativas. As demais espécies seriam majoritariamente exóticas. A prefeitura afirma ainda que o projeto prevê medidas compensatórias, incluindo investimento financeiro e o plantio de 632 mudas nativas. A Fundação Parques e Jardins realiza levantamento para assegurar o plantio de 71 árvores em número equivalente no próprio bairro. O imóvel é tombado e o projeto foi analisado e aprovado pelos órgãos municipais competentes. O empreendimento prevê a construção de um condomínio de alto padrão com cerca de 350 apartamentos, distribuídos em duas torres, no terreno onde funcionava o Colégio Bennett. Procurado, o BTG Pactual afirmou que não irá se posicionar sobre o caso. Initial plugin text