Viraliza artigo escrito pelo novo técnico do Chelsea criticando Trump: 'Falta de consideração para com a população negra'

O novo técnico do Chelsea-ING, Liam Rosenior, já atraiu a atenção nas redes sociais antes mesmo de comandar o elenco dos Blues em sua primeira partida. Internautas resgataram um artigo escrito pelo britânico para o jornal The Guardian, em que ele teceu diversas críticas ao presidente dos Estados Unidos Donald Trump, a quem Rosenior considerou ter uma "atitude maligna e falta de consideração para com a população negra sobre a qual você governa". A carta foi publicada no dia 5 de junho de 2020, durante a primeiro mandato do líder americano e 11 dias após a morte de George Floyd, homem negro asfixiado em uma ação policial, que motivou diversos protestos contra o racismo e violência policial em todo o mundo. Recheado de sarcasmo, o texto escrito por Rosenior, na época auxiliar técnico do Derby County-ING, "parabeniza" o mandatário americano pelo "ódio declarado, indiferença e desrespeito a um povo subjugado por abusos físicos, econômicos, mentais e emocionais por mais de 400 anos". E ressalta que as ações serviriam como "catalisador para que as futuras gerações causem mudanças duradouras não apenas em seu país (Estados Unidos) em crise, mas em países de todo o mundo, inclusive aqui no Reino Unido". "Você é o motivo pelo qual minhas filhas – que são cidadãs americanas – me perguntam: 'Por que o presidente odeia os negros?'", escreveu o técnico, na época. Rosenior é filho do ex-jogador Leroy Rosenior, britânico que foi nomeado Membro da Ordem do Império Britânico (MBE) por seus serviços no combate à discriminação no esporte. Ele foi integrante da organização "Show Racism The Red Card" ("Mostre o cartão vermelho ao racismo", em tradução livre) e atacante do Fulham, West Ham, QPR e Bristol City. Ao se aposentar, também treinou o Torquay, o Brentford e a seleção nacional de Serra Leoa. Confira o conteúdo na íntegra: Prezado Presidente Trump, Sei que este é um período extremamente atarefado para você, entre partidas de golfe e tweets, mas espero que você se sinta encorajado por uma rara e bem-vinda carta de agradecimento de um homem negro em um momento tão inconveniente na história dos Estados Unidos da América. Enquanto todos esses "animais" estão se revoltando e saqueando as ruas por algo tão insignificante e sem importância quanto justiça e igualdade de direitos humanos para pessoas negras, e que, por alguma razão ridícula, parecem estar chateados com a polícia "fazendo seu trabalho" ao aplicar um pouco de força física excessiva na prisão de mais um cidadão negro que posteriormente morreu sob sua custódia, percebi que ninguém lhe agradeceu pelo trabalho maravilhoso que você está fazendo. Continue! Tenho certeza de que um homem de seu vasto intelecto pode achar que meu sentimento tem um toque de sarcasmo, mas posso garantir que minha gratidão é genuína, pois o senhor se tornou, sem querer, o presidente mais influente da história dos Estados Unidos, por todos os motivos errados. Obrigado por ser tão aberto e franco em sua atitude maligna e falta de consideração para com a população negra sobre a qual você governa. Obrigado por não se curvar ao "politicamente correto" e sequer fingir ter alguma empatia por quem não se parece com você ou não compartilha de suas visões ultrapassadas, vergonhosas e perturbadoras sobre a sociedade. Obrigado por nos mostrar que qualquer um pode se tornar presidente (até você!) e por nos indicar o caminho a seguir, inspirando-nos (mesmo que sem querer) a promover mudanças duradouras, e não apenas um protesto pacífico apoiado por cliques vazios nas redes sociais. Isso é só o começo. Eu prometo. Obrigado por dar visibilidade a pessoas ao redor do mundo que, infelizmente, desconheciam a situação do seu país e o estado em que ele se encontra há centenas de anos, e por expor as pessoas racistas, odiosas, intolerantes e violentas que não apenas votaram em você, mas que detêm a chave cultural para uma sociedade e um sistema injustos, corruptos e fundamentalmente preconceituosos desde a concepção dos EUA, construídos sobre o genocídio dos nativos americanos e a escravidão e o encarceramento de milhões de negros. Obrigado por nos dar um inimigo tangível e simbólico (você e seus asseclas do "Make America Great Again") contra o qual as pessoas agora têm combustível para se organizar, traçar estratégias e mobilizar um movimento e um processo duradouros para mudar nosso planeta para melhor. Esses problemas existem desde a minha infância e ao longo das gerações anteriores, e como homem negro, minha maior dor, angústia e desânimo não vêm apenas de testemunhar essas atrocidades cometidas repetidamente contra o meu povo, mas também da falta de choque e da vívida dessensibilização acumulada ao longo dos anos, enquanto ouvia (e infelizmente acreditava) que "as coisas não vão mudar". Antes de você, tivemos presidentes que fecharam os olhos para isso, que não fizeram o suficiente e estavam ocupados demais atendendo aos desejos de corporações corruptas que os haviam pressionado para chegar ao poder. A diferença é que eles eram espertos o suficiente para lidar com a mídia e dizer a coisa certa em público, demonstrando apenas a dose certa de falsa compaixão em resposta a essas violações dos direitos humanos, a fim de apaziguar o número crescente de pessoas que, instintivamente, sabiam que era preciso haver mudança. Você realmente reflete as opiniões e a ideologia de um grupo de pessoas que devemos e iremos superar. Por isso, Senhor Presidente, agradeço-lhe sinceramente. Liam Rosenior".