Caso Igor Peretto: viúva de comerciante morto após descobrir traição deixa a cadeia Rafaela Costa da Silva, a viúva do comerciante que foi assassinado a facadas dentro do apartamento da irmã em Praia Grande (SP), teve a liberdade mantida nesta quarta-feira (7). O caso foi julgado pela 5ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em segunda instância. Igor Peretto foi morto em 31 de agosto de 2024. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou Rafaela, Marcelly Peretto (irmã por parte de pai) e Mario Vitorino (cunhado) por premeditarem o crime, alegando que a vítima era vista como um "empecilho no triângulo amoroso" formado entre os três. ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 Santos no WhatsApp. A viúva deixou a prisão no dia 17 de outubro de 2025, após o juiz Felipe Esmanhoto Mateo desclassificá-la da denúncia, afirmando que ela não estava no apartamento no momento do crime, e que as provas colhidas não foram suficientes para comprovar sua participação (veja mais abaixo). O MP-SP entrou com um recurso para que ela seja submetida ao júri popular por crime não doloso contra a vida -- possível favorecimento pessoal. O pedido ainda não foi julgado, então o órgão estadual ingressou com uma medida cautelar para que ela aguardasse esse resultado presa preventivamente. Esta segunda solicitação que foi negada pela 5ª Câmara de Direito Criminal do TJ-SP nesta quarta-feira. "O simples fato de existirem elementos suficientes para o recebimento da denúncia não implica, de forma automática, na pronúncia da acusada", destacou o relator e desembargador Geraldo Wohlers. Polícia Civil descobriu que Rafaela Costa ficou cinco minutos em ligação com Igor Peretto já morto ou agonizando Polícia Civil e Redes Sociais Defesa da viúva O advogado criminalista Yuri Cruz afirmou ao g1 que a defesa recebeu com tranquilidade a decisão que manteve a liberdade de Rafaela. "O TJ-SP foi categórico ao reconhecer a inexistência de qualquer pressuposto legal que autorizasse a decretação ou o restabelecimento da prisão preventiva", disse ele. O profissional acrescentou que o acórdão destacou o acerto da decisão que expediu o alvará de soltura. "Rafaela permanece à disposição da Justiça e a defesa confia que a análise técnica, serena e sóbria das provas conduzirá à manutenção da sentença de primeiro grau", finalizou ele. Primeira instância Rafaela Costa da Silva, viúva de comerciante morto após descobrir traição, deixa a penitenciária nesta sexta-feira (17) Redes Sociais e Arquivo Pessoal De acordo com o juiz Felipe Esmanhoto Mateo, não há elementos que sustentem a tese de premeditação, segundo a qual Rafaela teria ligado para Mario enquanto ele estava com Igor para provocar ciúmes e atraí-lo ao apartamento. A decisão também aponta que a polícia não encontrou indícios de que Rafaela, Marcelly e Mario formassem um trisal, mas sim um triângulo amoroso, com relações cruzadas. A hipótese de motivação econômica, embora investigada, também não foi comprovada. Apesar disso, o magistrado considerou que a conduta de Rafaela após o assassinato pode indicar outro tipo de crime, não doloso contra a vida, mas de possível favorecimento pessoal. Isso porque ela teria se encontrado com Marcelly e Mario em outra cidade e ajudado na fuga e esconderijo do homem. Pronúncia de cunhado e irmã Mario Vitorino, Marcelly Peretto e Rafaela Costa foram presos por envolvimento na morte de Igor Peretto Polícia Civil Na mesma decisão, o juiz determinou a pronúncia de Mario e Marcelly para que eles fossem submetidos a júri popular pelo crime de homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe (relacionamento entre os acusados), meio cruel (diversos golpes de faca) e recurso que dificultou a defesa (vítima desarmada e atacada por pessoa de seu relacionamento próximo). Até o julgamento, a dupla deve permanecer em prisão preventiva. "Ambos estariam no apartamento no momento dos fatos. Consta, ainda, que Marcelly e Mario teriam, juntos, deixado o local. Tais indícios de autoria atingem o standard probatório mínimo exigido para a decisão de pronúncia", explicou Mateo. O juiz disse que manteve as qualificadoras citadas pelo MP-SP, mesmo que ainda seja escassa a tese de motivo torpe por um suposto relacionamento entre Mario, Rafaela e Marcelly. O crime Cronologia da morte do comerciante Igor Peretto: tudo que se sabe da descoberta da traição à morte Reprodução O crime aconteceu em 31 de agosto, no apartamento de Marcelly Peretto. Dentro do imóvel estavam a vítima, Marcelly e Mário Vitorino. Rafaela chegou com Marcelly ao apartamento, mas o deixou 13 segundos antes do marido chegar com o suspeito pelo assassinato. Segundo os depoimentos do trio e dos advogados, a viúva Rafaela tinha um caso com Mário. O advogado de Marcelly ainda disse que a cliente e Rafaela tiveram um envolvimento amoroso no local antes da chegada de Igor e Mario no apartamento. Igor Peretto foi morto a facadas e teria ficado tetraplégico [sem movimento do pescoço para baixo] se tivesse sobrevivido. A informação consta em laudo necroscópico obtido pelo g1. As mulheres se entregaram e foram presas em 6 de setembro, enquanto Mário foi detido após ser encontrado escondido na casa de um tio de Rafaela, em Torrinha (SP), no dia 15 do mesmo mês. VÍDEOS: g1 em 1 minuto Santos