Polícia cumpre mandados judiciais em nova fase de operação que investiga desvio de remédio Um servidor público foi levado à delegacia para prestar depoimento durante cumprimento de mandados de busca e apreensão da Polícia Civil nesta quarta-feira (7). A ação é mais uma fase da operação que investiga o desvio de medicamentos da rede pública de saúde do Acre. Na segunda (5), um idoso de 74 anos foi preso em uma casa onde eram guardadas diversas caixas de remédios retirados ilegalmente das unidades de saúde. Ele foi solto na terça (6) e aguarda o andamento das investigações usando tornozeleira eletrônica. Participe do canal do g1 AC no WhatsApp O g1 apurou que a polícia esteve na casa do idoso no Residencial Bom Sucesso, na capital, e apreendeu mais de R$ 20 mil em espécie, dólares e outras moedas estrangeiras, e morfina. A mulher do suspeito foi levada para a delegacia para prestar esclarecimento. Polícia apreendeu mais de R$ 20 mil em dinheiro na casa de idoso preso com remédios desviados de hospitais Arquivo/Polícia Civil Imagens divulgadas pela Polícia Civil mostram os agentes na casa do idoso. Os policiais reviram caixas de papelão empilhadas na residência e acham parte do dinheiro escondido em uma caixa de madeira. A polícia não divulgou detalhes sobre a revista na casa do servidor público, apenas afirmou que ele foi levado à delegacia para um depoimento. Contudo, confirmou que foram encontradas provas no telefone sobre o desvio de remédios. A Sesacre disse em nota que acompanha e colabora integralmente com as ações conduzidas pela Polícia Civil. Destacou também que 'todas as informações solicitadas estão sendo prestadas aos órgãos de investigação'. LEIA TAMBÉM: Idoso é preso com remédio desviado da rede pública de saúde do AC; casa funcionava como farmácia clandestina Polícia investiga envolvimento de servidores em desvio de remédios da rede pública no Acre Foram encontrados ainda remédios na casa de suspeito de 74 anos Arquivo/Polícia Civil Farmácia clandestina Na última segunda-feira (5), equipes do Departamento de Polícia Civil da Capital e do Interior (DPCI) cumpriram um mandado de busca e apreensão em uma casa no Beco da Glória, região da Baixada da Sobral, e encontraram diversas caixas de remédios para tratamento contra câncer, para hemodiálise, controlados, dentre outros, além de gazes, luvas, fraldas descartáveis e outros materiais hospitalares. O idoso de 74 anos que estava na residência foi preso e levado para delegacia. Após a prisão, a Polícia Civil informou que investiga o envolvimento de funcionários públicos no esquema e que o descaminho dos materiais começou em 2023, mas a investigação só começou há dois meses, no final de 2025. Segundo a investigação, na casa funcionava uma farmácia clandestina e a pessoa presa seria o receptador da medicação. "Acredita-se que o valor dos medicamentos ultrapasse até um milhão de reais. A Polícia Civil vai continuar a realizar o trabalho investigativo, as diligências para continuar a aprofundar a investigação", explicou em entrevista coletiva o delegado Igor Brito. A Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) afirmou que há indícios de que foram desviados medicamentos do Pronto-Socorro, Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). "Isso vai ter os desfechos, nada é descartado. A gente vai avançar, porque pela quantidade de medicamentos que foram apreendidos, não foi um, foram dois caminhões médios que nós apreendemos hoje [segunda, 5], medicamentos com menor valor, como também de valores elevados", acrescentou José Henrique Maciel, delegado geral. Idoso é preso com remédio desviado da rede pública de saúde do AC Início da apuração Ao g1, a Sesacre informou que a operação ocorreu a pedido da pasta após 'identificação de indícios de furto de medicações e insumos em unidades de saúde'. Durante entrevista coletiva, o secretário Pedro Pascoal disse que os desvios tiveram impactos no atendimento ao público. "O Estado se planejava para fazer aquela aquisição, aquela quantidade específica de medicamento e nunca era suficiente para as patologias, doenças, diagnósticos e, enfim, no consumo dos nossos pacientes, das nossas unidades de saúde. E isso deu um start [na investigação]", afirmou. Polícia estima que havia R$ 1 milhão em medicamentos em armazém clandestino Arquivo pessoal Extensão do esquema Enquanto apura o envolvimento de servidores, a polícia também tenta levantar informações de unidades de saúde do interior do estado para saber se os desvios chegaram aos municípios. "Nós vamos agora fazer o levantamento da apreensão de todos os medicamentos. Quando fizermos toda essa discriminação de todos esses medicamentos, nós vamos levar para o secretário, levar, provavelmente, também às prefeituras -- porque ali [casa onde ocorreu a apreensão] funcionava como um armazém -- pode ser que tenha medicamentos de outras prefeituras, ou da prefeitura da capital. Fizemos a apreensão, e existia ali medicamentos que não foram comprovados a origem", acrescentou o delegado geral. Os investigadores também irão apurar qual era o fluxo dos medicamentos desviados, se eram comercializados e quem seriam os possíveis clientes. "É uma investigação que é um pouco complexa, por todas essas variáveis que existem nesse tipo de investigação. Tem várias pessoas aí que estão já na linha da investigação", complementou Maciel. Reveja os telejornais do Acre