Centrão avalia que Flávio se precipitou ao cogitar Eduardo para o Itamaraty : 'Primeiro precisa ganhar eleição'

Integrantes do Centrão ouvidos pelo GLOBO avaliam como "precipitada" a possibilidade levantada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, de nomear um de seus irmãos, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), no Ministério das Relações Exteriores, caso vença o pleito deste ano.  Fora do Brasil desde o ano passado, Eduardo perdeu o mandato na Câmara e teme ser preso, caso volte ao país. Caciques de partidos de centro opinam que ele não teria condições de assumir o cargo e que, ao acenar com a possibilidade, Flávio afasta eleitores que fogem da polarização simbolizada pelo antagonismo entre bolsonarismo e petismo.  Mais do que isso, o nome de Eduardo dificultaria o apoio de partidos de Centro à empreitada. Em uma transmissão, Flávio definiu o irmão como "um craque nas relações internacionais" e disse ser uma honra poder contar com ele para a função. Eduardo compareceu à posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado, e passou a articular meios de pressão para que a pena ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), fosse relaxada, ainda antes do julgamento por participação na trama golpista.  Depois de ver o Brasil sofrer sanções comerciais do governo norte-americano, sob o argumento de que isso ocorria pelo fato de Trump considerar "injustas" as acusações feitas a Bolsonaro, Eduardo viu uma aproximação dele com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que culminou acordos para redução das tarifas e a retirada a sanções contra Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). — Temos um craque em casa, nessa parte de relações internacionais. É um privilégio poder contar com o próprio irmão, ou seja, a lealdade é 100%, é sangue do meu sangue — declarou Flávio.  Na mesma ocasião, o senador disse que pretende anunciar o seu possível ministro da Economia antes das eleições. Ele disse que o escolhido seguirá o perfil de Paulo Guedes, que ocupou o cargo durante o mandato do patriarca do clã Bolsonaro. Para o presidente do PP, o senador Ciro Nogueira, Flávio "se precipitou". Outras lideranças afirmam que a escolha pode afastar eleitores "moderados" e acena apenas para a "bolha bolsonarista".  Integrantes desses partidos, que ainda se mostram resistentes à escolha por Flávio para concorrer ao cargo, dizem que o nome de Eduardo pode ainda dificultar o apoio do Centrão à candidatura endossada por Bolsonaro.  Como O GLOBO mostrou, caciques de partidos como PP, União Brasil e Republicanos mostraram descontentamento com o fato de Bolsonaro ter escolhido por Flávio sem consulta ao grupo político. — Eu vejo esta possibilidade (de nomear o Eduardo no Itamaraty) tão distante, que primeiro Flávio tem que se preocupar em ganhar a eleição. Se ganhar, ele nomeia quem quiser. Não é hora disso, é distante, é algo precipitado — diz Ciro.  Resistências do Centrão O encontro entre caciques do Centrão e  Flávio, realizado no mês passado, em Brasília, teve momentos de tensão em função do anúncio feito dias antes por ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que escolheu o filho primogênito para concorrer ao Palácio do Planalto em 2026.  Contrariados por não terem sido avisados previamente da movimentação, os presidentes do União Brasil, Antônio de Rueda, e do PP,  Ciro Nogueira, questionaram a Flávio o motivo pelo qual não houve diálogo prévio e afirmaram que seguem tendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como nome favorito.  Pessoas que participaram do encontro relataram que Flávio foi questionado se queria "trazer para si" o ativo da direita e construir uma candidatura sem alianças. Rueda e Ciro lembraram movimentações que representaram "renúncias" aos dois partidos em nome da parceria, como o desembarque do governo e a expulsão de membros que seguiram ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e disseram não enxergar viabilidade no projeto encabeçado por Flávio.