Filha de major da PM é morta com sinais de espancamento O corpo de Naysa Kayllany da Costa Borges Nogueira, de 23 anos, foi enterrado na tarde desta quarta-feira (7) no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste do Rio. Filha do major da Polícia Militar Neyfson Borges, a jovem morreu com sinais de espancamento, e o caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça De acordo com a Polícia Civil, a jovem trabalhava em um ferro-velho que supostamente pertenceria ao tráfico de drogas que atua na região. Durante o velório, o pai falou emocionado sobre a filha, a quem descreveu como uma jovem sonhadora e alegre, e questionou as circunstâncias da morte. Segundo ele, a filha não teve direito de se defender. “Ela era uma menina mágica, uma pessoa doce, uma pessoa que emanava energia, que me fazia feliz todos os dias. Era uma menina que tinha muitos sonhos”, disse. "A minha filha foi julgada, condenada, sentenciada e punida, mas não foi pela Justiça do Estado. (...) Foi tortura e tortura é inconstitucional", disse o pai de Naysa. Corpo de jovem morta com sinais de espancamento é enterrado no Rio Reprodução TV Globo De acordo com a Polícia Civil, a principal linha de investigação é que Naysa tenha sido morta por traficantes do Complexo do Jardim Novo, em Realengo, área conhecida como Favela da Light. A suspeita é de que o crime esteja ligado a um ferro-velho supostamente controlado pelo tráfico de drogas na região. Ainda conforme a polícia, há indícios de que Naysa estaria desviando dinheiro do tráfico proveniente do ferro-velho, o que pode ter motivado o crime. A área é controlada por traficantes da facção Amigo dos Amigos, a ADA. No dia da morte, ela estava acompanhada de duas amigas, que também teriam sido agredidas por traficantes, mas sobreviveram. O corpo dela foi encontrado com sinais de espancamento. “Não importa o que elas tenham feito”, diz pai ao falar de tortura Filha de major da PM morre após espancamento no Rio Reprodução redes sociais Ao comentar as suspeitas levantadas até agora pela investigação, o major Neyfson Borges afirmou que, independentemente do que esteja sendo apurado, nada justificaria a violência sofrida pela filha. “Não importa o que elas tenham feito ou deixado de fazer. Não existe em lugar civilizado fazer o que fez contra três meninas. Não importa o que elas tenham feito. Não importa.”, reforçou. O pai também questionou o fato de a filha ter sido apontada como responsável por supostos crimes. “Das três envolvidas, duas estão vivas. É muito fácil colocar a culpa de alguma coisa. Inclusive, quem levanta hipóteses aí, é muito fácil colocar a culpa na minha filha porque é a única que não pode ser ouvida, que não pode se defender.” Últimas mensagens O último contato entre pai e filha ocorreu no domingo (4), dia da morte. Neyfson contou que recebeu mensagens da jovem enquanto ela trabalhava. “Ela me manda uma mensagem às 6h: ‘pai, to me mudando para um lugar maior e lá tem lavanderia. Ao invés de me dar uma máquina como tinha me prometido, me dá outra coisa para a minha casa’. Eu falei tá bom.” Depois, segundo ele, a filha disse que ainda estava no trabalho. “Ela mandou outra mensagem dizendo que estava trabalhando e que estava doida pra ir pra casa, que a rendição dela não tinha chegado. Ela disse que só deveria sair às 8h ou 9h.” “Eu acordei às 9h, falei ‘Bom dia! Deus te abençoe’ e perguntei se ela já tinha saído. E ela não me respondeu mais.” Pai ajudava financeiramente e relata pouca intimidade O major Borges afirmou ainda que a filha não enfrentava dificuldades financeiras e que sempre contou com o apoio dele. “Em nenhum momento ela passou por dificuldades financeiras. Eu deixei uma casa para ela em Sulacap. (…) No primeiro dia de separação eu paguei a pensão e fui no juiz e pedi para dar 30% de pensão, mais a casa, mais outras despesas que eu pagava.” “Enquanto ela não se estabilizasse na vida eu não ia parar de pagar a pensão dela. Eu ia dar o suporte para ela até que ela pudesse caminhar com as próprias pernas.” Filha de major da PM morre após espancamento no Rio Reprodução redes sociais O pai disse que a filha escolheu deixar a casa onde morava com a mãe e também reconheceu que não tinha pleno conhecimento da rotina da filha. “Eu sabia pouco da intimidade da minha filha. Ela não falava pra mim o local exato que morava, onde trabalhava. Eu nem sabia.” Investigações A Polícia Civil investiga se Naysa foi morta por traficantes após suspeita de desvio de dinheiro ligado ao ferro-velho onde ela trabalhava. No dia do crime, ela estava com duas amigas, que também teriam sido agredidas, mas sobreviveram O pai de Naysa afirmou confiar no trabalho da polícia e reforçou a convicção de que a filha era inocente. “Eu tenho plena confiança na polícia e plena convicção da idoneidade da minha filha.” Ele também criticou a tentativa de responsabilizar a jovem. “É muito fácil culpar a minha filha. Ela não pode se defender. Quem garante que não foram as outras duas que estavam?” A DHC segue realizando diligências para esclarecer a dinâmica do crime, identificar os responsáveis e confirmar a motivação. Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre prisões. Major da PM desabafa sobre morte da filha Reprodução