A Polícia Civil de São Paulo prendeu dois homens acusados de integrarem uma espécie de "tribunal do crime" do PCC, os quais utilizavam um grupo no WhatsApp para coordenar punições físicas na Zona Leste da capital. A ação, realizada nesta quarta-feira (7), cumpriu mandados contra suspeitos que atuavam como "disciplinas" da facção, sendo que outros quatro já se encontravam no sistema prisional e dois foram capturados durante as diligências de hoje. Seca em SP: volume dos reservatórios e ritmo de queda são piores que antes da crise de 2014 Veja também: De corpo em Interlagos a roubo em biblioteca, veja os casos que mais desafiaram a polícia de SP em 2025 Batizada de "Operação Ordem Paralela", a investida foi conduzida pelo 55º Distrito Policial (Parque São Rafael) com apoio da 8ª Seccional. As investigações, iniciadas em 2023, revelaram que o núcleo criminoso gerenciava o controle territorial através de um chat no aplicativo de mensagens denominado “QueeBraadAs”. Segundo informações apuradas pelo G1, era neste ambiente virtual que os criminosos debatiam o cotidiano do tráfico e sentenciavam moradores ou comparsas que desrespeitassem as regras impostas pela organização nas favelas da região, aplicando castigos que iam de ameaças a lesões corporais. Além do cumprimento das ordens de prisão preventiva contra os oito identificados, sendo que dois permanecem foragidos, os agentes executaram mandados de busca e apreensão. Durante a ação, um homem de 36 anos foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma de fogo ao ser encontrado com um revólver de numeração raspada. Também foram recolhidos computadores, celulares e um par de placas de veículos que a polícia suspeita serem utilizadas para clonar automóveis empregados em outros delitos, como assaltos. Vínculo com sequestros A operação também abriu novas linhas de investigação. Ao examinar o celular da irmã de um dos foragidos, a polícia encontrou evidências que ligam o grupo a um sequestro ocorrido em dezembro de 2025. O material aponta que a quadrilha manteve a vítima em cativeiro enquanto realizava transferências bancárias utilizando o aplicativo bancário do refém. Todo o material eletrônico apreendido será submetido à perícia técnica para rastrear a movimentação financeira da quadrilha e identificar outros envolvidos na rede de comando da facção. Os detidos responderão por associação criminosa, posse de arma de fogo de uso restrito e deverão ser indiciados também por tráfico de drogas e pelos crimes violentos ordenados via aplicativo de mensagens.