Depois de 6 dias na estrada, elefanta Kenya chegou ao santuário em Chapada O Santuário de Elefantes Brasil (SEB), localizado em Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, rebateu nesta quarta-feira (7) as acusações que vêm sofrendo após ser proibido temporariamente de receber novos animais depois da morte de duas elefantas afriacanas. Em publicação nas redes sociais, o santuário disse que essas alegações não têm fundamento e são repetidas há anos para gerar medo e dúvida para que não recebam mais nenhum elefante. Destacou ainda que há uma campanha de descrebilização em curso contra eles. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MT no WhatsApp "Infelizmente, as entidades oficiais responsáveis acabaram cedendo a essa retórica. Amplificada pela pressão pública e pelas limitações do período de festas, uma decisão apressada da Sema, órgão estadual regulador do Brasil, resultou na suspensão temporária de nossa licença, afetando nossa capacidade de receber novos elefantes. Essa decisão não impacta em nada os elefantes que já vivem no santuário", afirmou. A suspensão temporária da licença do local ocorreu no dia 23 de dezembro, mas só foi divulgada pela pasta na terça-feira (6). A medida veio depois que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) abriu investigação sobre as mortes das duas elefantas africanas Pupy, de 35 anos, e Kenya, de 44 anos, no local. "De repente, pessoas que nunca questionaram os cuidados oferecidos por zoológicos e que nunca defenderam esses elefantes antes de sua chegada ao santuário agora expressam convenientes preocupações com mortes ocorridas aqui. Quando elefantes de zoológicos, com apenas 20 e poucos anos, morreram no Brasil e na Argentina, esses mesmos grupos não exigiram nenhuma investigação. Não houve protestos naquela época", rebateu o santuário. O SEB é o primeiro santuário de elefantes na América Latina, sendo um projeto conduzido pelo Global Sanctuary for Elephants (GSE) e pela ElephantVoices, que são organizações internacionais dirigidas por especialistas em elefantes. A organização, sem fins lucrativos, resgata elefantes cativos em situação de risco e oferece espaço, condições e cuidados necessários para que se recuperem física e emocionalmente. "Acolhemos com seriedade investigações e fiscalização rigorosas e acreditamos que uma análise regulatória bem informada é essencial. Esse processo oferece uma oportunidade para que os órgãos governamentais compreendam melhor a profundidade, a complexidade e o rigor do cuidado que oferecemos a elefantes que sobreviveram a décadas de condições comprometidas", disse o SEB. O santuário ainda destacou que essa investigação deve mostrar a negliglência prolongada que muitos desses elefantes sofreram antes de chegar ao santuário. "Mais transparência beneficia não apenas os órgãos reguladores, mas principalmente os elefantes e todos que trabalham globalmente para elevar os padrões de cuidado", acrescentou. O SEB ressaltou que criou uma petição online para que sejam investigados outros casos de elefantes que morreram prematuramente ou em circunstâncias trágicas com o mesmo rigor que as autoridades ambientais estão impondo ao santuário. "Se essa ação for realmente imparcial, o mesmo nível de responsabilização será aplicado de forma igualitária a todas as instituições que mantêm elefantes sob seus cuidados", disse. Mortes A elefanta africana Pupy morreu na noite de 10 de outubro, poucos meses após ser transferida de um ecoparque em Buenos Aires, na Argentina, onde vivia havia décadas. Segundo o santuário, Pupy colapsou repentinamente e morreu minutos depois, mesmo após receber atendimento veterinário imediato. Nos dias que antecederam a morte, ela apresentava desconforto gastrointestinal, fraqueza e alterações no comportamento. Na tarde do mesmo dia, chegou a expelir pedras durante a evacuação e, pouco antes de morrer, caiu enquanto recebia água de um cuidador. Já Kenya, elefanta africana de 44 anos, morreu no dia 16 de dezembro em Chapada dos Guimarães, no santuário. O animal havia sido diagnosticado quatro dias antes com problemas respiratórios e dores nas articulações. Kenya chegou ao local em julho, percorrendo mais de 2 mil km para chegar ao novo lar, onde recebeu cuidados especializados. Em nota, o Santuário lamentou a morte e afirmou que, nos últimos dias, Kenya não conseguia mais se deitar para dormir. Na noite anterior à morte, o animal conseguiu se deitar, mas não resistiu. A instituição destacou ainda o esforço para garantir conforto e cuidado durante o tempo do animal no local. LEIA MAIS 2ª elefanta africana chega a santuário de MT após viagem de quatro dias Conheça Pupy e Kenya, as elefantas africanas que vivem no santuário em MT Elefanta para BR-163 e mobiliza comboio rumo a santuário brasileiro; veja vídeo Elefanta Kenya se prepara para viagem até santuário em MT Depois de 6 dias na estrada, elefanta Kenya chegou ao santuário em Chapada Elefanta africana é diagnosticada com problemas respiratórios em santuário de MT Santuário de Elefantes Brasil, em Chapada dos Guimarães (MT) Santuário de Elefantes Brasil (SEB) Conhecendo o Santuário Para conhecer o Santuário não é preciso ir lá, até porque os elefantes vivem soltos e se escondem na mata, e a intenção é justamente que eles não sejam uma atração como foram durante a vida toda nos cativeiros onde viveram. No entanto, nas redes sociais e no portal é possível acompanhar os relatos do dia a dia destes animais, assim como assistir aos vídeos que os tratadores conseguem fazer durante o atendimento a elas. Quem quiser ajudar de forma mais efetiva, pode participar da campanha "Adotar um Elefante", enviando recursos especialmente para os cuidados de qualquer uma das moradoras.