Exonerações na Alerj atingem indicados de políticos influentes do RJ Uma lista com 206 exonerações publicada no Diário Oficial desta terça-feira (6) atingiu indicados de políticos influentes do estado do Rio de Janeiro. O RJ2 apurou que assessores ligados a ex-presidentes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e a parlamentares com forte atuação política perderam cargos na Casa. Entre os nomes citados está o do deputado federal Max Lemos (PDT), que tem 25 assessores em seu gabinete em Brasília. Na Alerj, o número de pessoas ligadas a ele é ainda maior. Um documento obtido pelo RJ2, que embasou as exonerações, aponta 29 nomes associados ao parlamentar — apenas dois não foram demitidos. Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Entre os exonerados está Leonel Rodrigues Lemos, irmão de Max Lemos. A esposa do deputado, Ana Paula Lemos, é servidora concursada, mas perdeu o cargo comissionado que ocupava. Max Lemos foi deputado estadual entre 2019 e 2022 e era um dos parlamentares mais próximos do ex-presidente da Alerj Jorge Picciani, morto em 2021, de quem herdou parte da influência política. Max e Ana Paula Lemos Reprodução/TV Globo Picciani foi sucedido na presidência da Casa por André Ceciliano (PT), que também mantinha aliados empregados na Alerj até esta terça. Carlos Soton e Alex Soares são comunicadores da Baixada Fluminense, reduto eleitoral do petista, e não escondem a proximidade com o político. O RJ2 apurou que, ao todo, 62 funcionários ligados a Ceciliano foram exonerados nesta terça. Assim como Ceciliano, os ex-presidentes Paulo Melo e Sérgio Cabral tinham indicados trabalhando na Casa, como o filho do ex-governador, Marco Antônio Cabral, nomeado em 2023. A perda de espaço político também atingiu aliados do presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar. Jorge Picciani Reprodução/TV Globo Entre os exonerados estão Aislan de Souza Coelho, que foi administrador financeiro da campanha de Bacellar em 2022 e foi nomeado subdiretor de Controle Interno da Alerj, onde permaneceu até esta terça. Rafael Diniz, que era subdiretor-geral de Informática, depois de ter sido prefeito de Campos dos Goytacazes, cidade de Bacellar e reduto eleitoral dos dois. Antonio de Pádua, que atuava na Diretoria de Engenharia da Alerj, também foi demitido. Em entrevista ao RJ2 em 2023, ele admitiu ter ajudado em obras na mansão em Teresópolis onde Bacellar passava fins de semana. As mudanças na cúpula da Alerj começaram duas semanas após a prisão de Bacellar, em dezembro. Ele é suspeito de vazar informações de uma operação contra o ex-deputado TH Joias, apontado como braço político do Comando Vermelho. Desde então, cargos estratégicos indicados por Bacellar — como diretor-geral, chefe de gabinete e procurador-geral — foram ocupados por novos nomes. Também foram exonerados o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim, responsável pela segurança da Casa, e chefes de outros departamentos. Alerj Reprodução/TV Globo O que dizem os citados O deputado federal Max Lemos disse que sua esposa é servidora concursada da Alerj há mais de 25 anos e ocupou diversos cargos de direção, antes mesmo de ser casada com ele. Disse ainda que o irmão é servidor concursado do estado há mais de 30 anos. O parlamentar declarou ainda que alguns servidores que trabalharam com ele foram mantidos por desempenho técnico, mas que desconhece o número de aliados citado. André Ceciliano afirmou que os funcionários foram nomeados na estrutura da Casa quando ele era presidente, e seguiam trabalhando diariamente na Alerj em seus respectivos setores. Disse ainda que nomeação e exoneração de funcionários são prerrogativas do presidente. O RJ2 tentou contato com os outros citados, mas não teve resposta.