Aassociação de hospitais do RJ recomenda que unidades não aceitem pacientes do plano por dívidas A Associação de Hospitais do estado do Rio de Janeiro (Aherj) decidiu, em assembleia e por unanimidade, recomendar às unidades associadas que não aceitem pacientes da Unimed Ferj. A justificativa é de que a empresa acumula dívidas que passam de R$ 2 bilhões com 40 instituições. Pacientes do plano enfrentam dificuldades para acessar tratamentos, remédios e assistência. Cesar Alberto Rodrigues enfrenta um câncer e, mesmo com o pagamento em dia, diz que não consegue acessar atendimento adequado. “Fecharam todos os postos de atendimento. Eu moro no Humaitá e o atendimento é em Jacarepaguá. Tá muito difícil, se paga um absurdo para estar passando por isso, é muito difícil”, afirma o paciente. O presidente da Aherj afirma que os hospitais têm estrutura, mas não estão recebendo da operadora. “Nós estamos prontos para atender, temos espaço físico, temos capacidade instalada e equipe técnica. Não temos pagamento, então cortamos o atendimento, é um direito constitucional de um contrato comercial que existe entre a operadora e os hospitais. Vários hospitais já pararam”, afirma Marcus Quintella. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) afirma que há uma decisão cautelar adotada no ano passado que impede que os prestadores suspendam o serviço. "É inaceitável usar a vida e a saúde das pessoas como instrumento de ameaça. Ninguém tá negando que eles tenham dívidas, mas ameaçar com suspensão de atendimento beira crime e é inaceitável”, afirma o diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar, Wadih Damous. O Espaço Cuidar Bem, na Unimed Ferj em Botafogo, está fechado há dias. Lá, pacientes com doenças graves, como câncer, recebiam tratamento completo. A Unimed Ferj informou que o fechamento faz parte do novo perfil operacional definido pela ANS e que a assistência médica passou a ser responsabilidade da Unimed Brasil, que assumiu os beneficiários desde o dia 20 de novembro. Centenas de pessoas passaram pelo espaço de relacionamento com o cliente, na Barra da Tijuca, nesta quarta-feira. Eles reclamaram da falta de atendimento, de tratamento e de remédios. A Unimed Ferj disse que desde novembro administra a carteira de beneficiários, enquanto a assistência médica é de responsabilidade da Unimed do Brasil e declarou que mantém contrato com cerca de 40 hospitais localizados no Rio e em Caxias. A operadora negou ter o que chama de "dívida assistencial", mas não explicou o que isso significa. Por fim, a Unimed Ferj afirmou que permanece aberta ao diálogo.