Presidente Lula indica Otto Lobo para presidência da CVM

Presidente Lula indica Otto Lobo para presidência da CVM O presidente Lula indicou nesta quarta-feira (7) o nome de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários. A escolha provocou críticas.   A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda, mas com autonomia financeira, orçamentária e administrativa.  É responsável por tomar decisões sobre a regulação e fiscalização do mercado de valores mobiliários, títulos ou contratos de investimento coletivo - públicos e privados - como ações e certificados de depósitos.   A CVM é formada por cinco membros: quatro diretores e um presidente - todos são nomeados pelo presidente da República e precisam da aprovação do Senado.   Atualmente, a diretoria da CVM só tem dois nomes: João Accioly e Marina Coppola.   Um acordo com o governo previa que os outros dois diretores fossem indicados pelo Congresso. O Senado pressionou para fazer também a indicação do presidente da CVM.   Otto Lobo foi o nome apoiado pelo grupo. Ele havia chegado à diretoria da comissão em dois mil e vinte e um pelo então presidente Jair Bolsonaro - ficou no cargo de 2021 até o final de 2025, quando acabou o mandato. Ainda em 2025, Otto Lobo exerceu a presidência da CVM interinamente, após a renúncia de João Pedro Nascimento, dois anos antes do fim do mandato.   A disputa do cargo colocou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil, e parlamentares do centrão em disputa com a equipe econômica do governo - que defendia outro nome para a função.   Nesta quarta-feira (7), o presidente Lula decidiu sobre a disputa. Mesmo sem apoio da equipe econômica, indicou Otto Lobo para ocupar a presidência da comissão. A escolha não foi bem recebida por especialistas do mercado, que consideram fundamental blindar a CVM de qualquer influência política.   "Autarquias como a CVM devem ser o mais independentes possível. quando você atribui uma pessoa a esse cargo mais técnica que ela for, você acaba desvinculando ali alguns interesses políticos, possíveis interferências, que é muito importante pra uma autarquia como ela. então enxergo dessa forma. uma decisão mais política do que técnica", diz Daniel Teles, sócio da Valor Investimentos. "Isso é ruim para a economia, porque gera uma instabilidade, gera desequilíbrio de concorrência e é ruim para a democracia porque você não tem uma estabilidade de regra, você estimula agentes políticos a digamos assim pular a cerca e tentar influenciar decisões de órgãos técnicos", comenta Marcos Mendes. A Secretaria de Comunicação da Presidência declarou que Otto Lobo tem currículo acadêmico e profissional compatível com a função e a responsabilidade do cargo. O nome dele será submetido a uma sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.