Na feira de tecnologia CES, realizada esta semana em Las Vegas, robôs serviram café, jogaram pingue-pongue, distribuíram cartas de pôquer e dobraram roupas — tudo a poucos metros uns dos outros. CES 2026: big techs testam aplicações de IA na maior feira de eletrônicos do mundo, que tem robôs por toda parte Entrevista: 'Inteligência artificial é uma grande aliada no consumo de conteúdo na TV', diz executivo da Samsung. Veja as novidades Robôs inspirados em humanos, apropriadamente chamados de humanoides, surgiram como a grande aposta da indústria de tecnologia sobre o que vem a seguir. Eles ficam eretos como as pessoas, embora nem sempre consigam andar. E podem se mover pelo mundo como os humanos, usar as mesmas ferramentas e realizar tarefas semelhantes — mas, em última instância, de forma mais eficiente. Ou pelo menos esse é o objetivo. As empresas estão apresentando os robôs mais recentes como ajudantes domésticos e companheiros, mas ainda há um longo caminho a percorrer nesse sentido. Colocar essas máquinas para funcionar em um ambiente controlado de uma fábrica já é difícil o suficiente; lidar com as idiossincrasias de uma casa de família é outro desafio completamente diferente. Os humanoides ainda precisam ficar muito melhores — e mais baratos primeiro. Participantes tiram fotos dos produtos da LG Electronics durante o evento CES 2026 em Las Vegas Bridget Bennett/Bloomberg Quando o novo robô da LG Electronics, o CLOiD, entrou no palco da CES no início desta semana, a verdadeira surpresa não foi sua forma humana — mas o fato de a empresa ter tentado uma demonstração ao vivo. Humanoides costumam ficar escondidos em armazéns, com as empresas oferecendo poucas provas de que eles funcionam fora de experimentos rigidamente controlados. As que tentam apresentações públicas muitas vezes descobrem que o risco supera a recompensa. Tecnologia: Nvidia lança novas ferramentas de IA para carros autônomos e robôs Mas o CLOiD — que mede pouco menos de 1,5 metro de altura e tem uma tela digital no lugar dos olhos — atravessou o palco sobre rodas e acenou para os participantes da conferência com as duas mãos. Em seguida, colocou lentamente uma peça de roupa na máquina de lavar — de forma quase dolorosamente lenta. “A IA doméstica da LG imagina um fluxo perfeitamente conectado entre dispositivos, espaços e o comportamento humano, alcançando, em última análise, nosso objetivo de uma casa com zero trabalho, que economize tempo e aumente o conforto”, disse o executivo da LG Brandt Varner durante evento para a imprensa na segunda-feira, apresentando uma visão de automação doméstica tão integrada que o CLOiD poderia um dia até tostar um croissant para você antes de sair para o trabalho. Steve Scarbrough, da Eco Solutions da LG, cumprimenta um robô doméstico LG CLOiD durante o evento CES 2026 em Las Vegas Bridget Bennett/Bloomberg O robô conceitual, que usa inteligência artificial e tecnologia de visão para realizar tarefas domésticas como lavar roupas, faz parte do esforço mais amplo da LG chamado de “cuidado ambiental” — a promessa de máquinas ajudando silenciosamente o dia a dia a fluir de forma mais suave. Grok: ferramenta de IA de Musk, gera 85 vezes mais imagens de pessoas sexualizadas por hora que outros sites É uma tentativa ousada de reformular como a robótica se encaixa no lar, não necessariamente por meio do espetáculo, mas através de tarefas mundanas e repetitivas. E a LG não foi a única a prometer um futuro com menos roupas para lavar: outras empresas também participaram, incluindo a SwitchBot, com o Onero H1, outro robô sobre rodas focado em tarefas específicas. Durante anos, o controle motor fino — especialmente envolvendo polegares — foi um grande obstáculo. Avanços recentes, no entanto, estão tornando os humanoides mais ágeis, permitindo que realizem várias tarefas simultaneamente. Namorado virtual: Ela se apaixonou pelo ChatGPT. Depois, deu um 'ghosting' nele Os robôs humanoides estão entre as maiores atrações da CES deste ano. A Consumer Technology Association, que organiza o evento anual, dedicou um pavilhão inteiro à robótica, refletindo como a chamada “IA física” se tornou a próxima grande fase da indústria de tecnologia. Algumas empresas abandonaram os robôs com pernas, que podem ser instáveis, em favor de robôs com rodas e outros designs Bridget Bennett/Bloomberg Além dos humanoides, muitos dos robôs em exibição são projetados para ambientes corporativos, incluindo manufatura, logística e serviços de alimentação. Empresas como Artly Coffee e VenHub Global exibiram cafés e lojas de conveniência robóticas movidas por IA. Ainda assim, era impossível ignorar os humanoides em tamanho real. Nylo, uma máquina construída pela IntBot, cumprimentava os visitantes e respondia perguntas sem ajuda humana. A empresa atraiu jornalistas e participantes ao seu estande com a promessa de “provas do mundo real, não apenas uma demonstração”, segundo um comunicado à imprensa. Mascote virtual: Tamagotchi completa 30 anos e ganha exposição comemorativa no Japão Empresas maiores também demonstraram sua força em robótica. A fabricante de chips Qualcomm usou seu estande na CES para argumentar que seus processadores e softwares formam a espinha dorsal da IA física e são capazes de alimentar tanto robôs domésticos quanto humanoides em tamanho real. A Boston Dynamics e sua controladora majoritária, a Hyundai Motor, anunciaram que já estão em andamento os testes de uma versão de próxima geração do robô humanoide Atlas, usado na fábrica da montadora na Geórgia. Jensen Huang, CEO da Nvidia, no palco com um pequeno robô na CES 2026 Bridget Bennett/Bloomberg A Boston Dynamics já é considerada uma líder em robótica avançada, graças ao sucesso de seu cachorro-robô Spot e de um braço robótico móvel chamado Stretch, usado para reabastecer armazéns. Muito dinheiro tem sido investido em robótica, mas ainda há desafios significativos a serem superados antes que os humanoides sejam considerados suficientemente seguros, móveis e baratos para uso comercial viável. Algumas empresas se afastaram de robôs com pernas, que podem ser instáveis, em favor de robôs sobre rodas e outros tipos de design. Inteligência artificial no divã? Estudo aponta 'traços psicológicos' em modelos como ChatGPT, Gemini e Grok Ambientes domésticos podem ser difíceis para os robôs navegarem porque são imprevisíveis — ei, de onde surgiu esse cachorro! — e frequentemente desorganizados. E embora robôs carregando máquinas de lavar possam impressionar no palco, é difícil justificar pagar dezenas de milhares de dólares para economizar alguns minutos do dia na lavanderia. Usos mais convincentes podem surgir em locais como hospitais, onde robôs poderiam lidar com tarefas repetitivas de lavanderia em grande escala. Os robôs também precisam ir além de instruções passo a passo — “as caixas precisam estar na van” — e descobrir sozinhos o que fazer, disse Bill Ray, chefe de pesquisa da empresa de análise de mercado Gartner. Por enquanto, o futuro próximo provavelmente será dominado por robôs construídos para funções específicas, como cortar a grama e, sim, lavar roupas, em vez de humanoides tentando fazer tudo ao mesmo tempo. Por todas essas razões, a implantação deve acelerar mais rapidamente nas fábricas, onde os robôs costumam ser separados de seus colegas humanos, mas provavelmente levará anos até que eles se tornem comuns em residências comuns. “Temos dito nos últimos anos que a aplicação mais prática de um robô humanoide era inflar artificialmente o preço das ações da empresa”, disse Ray. “Eles ficam ótimos andando no palco, mas são totalmente impraticáveis no uso real.”