Após incêndio no Shopping Tijuca, 14 lojas ficaram destruídas; centro comercial vai reabrir com estabelecimentos interditados e reforço nos brigadistas

Após o incêndio da última sexta-feira, o Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, segue sem previsão de reabertura. O estabelecimento ainda aguarda a conclusão das perícias e a liberação do Corpo de Bombeiros para definir os prazos de retomada das atividades. No entanto, algumas mudanças já estão previstas. As 14 lojas destruídas pelo fogo devem permanecer interditadas ou ser realocadas para outros espaços, caso haja disponibilidade. O centro comercial também prevê o reforço da equipe de brigadistas para orientar os visitantes após a reabertura. Shopping Tijuca: polícia ainda não tem certeza se foco de incêndio foi em aparelho de ar-condicionado Tragédia: bombeiros relatam uma série de erros no combate ao incêndio no subsolo do centro comercial Segundo o Shopping Tijuca, laudos da Defesa Civil já autorizam uma reabertura parcial, mas o estabelecimento ainda aguarda a avaliação final do Corpo de Bombeiros. Até o momento, o shopping recebeu orientações para reinstalar equipamentos de combate a incêndio, adequar as sinalizações de emergência, verificar se os sistemas estão em plenas condições de uso e realizar os reparos necessários nas áreas atingidas. Marcus Teles, CEO da Leitura, que tem uma unidade, disse que espera que a reabertura aconteça em breve. — Não há uma data definida, mas a expectativa é abrir entre o fim de semana e a próxima segunda-feira. Tudo ainda depende do Corpo de Bombeiros e da perícia — disse ele. Loja foi notificada por 'potencial risco de incêndio' em vistoria O supervisor Anderson Aguiar do Prado e a brigadista Emellyn Silva Aguia, que morreram no incêndio no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, na última sexta-feira, foram os responsáveis por uma vistoria que identificou diversos riscos na loja Bell’Art, localizada no subsolo, onde o fogo começou, no dia 2. O relatório, elaborado seis dias antes do incêndio, apontava falhas que, segundo os profissionais, aumentavam o risco de ocorrência de fogo. O GLOBO teve acesso ao documento, que está com a Polícia Civil, responsável pela investigação do caso. Com fotos e descrições detalhadas, o relatório alertava para a presença de materiais combustíveis em áreas técnicas, detectores de incêndio inoperantes e produtos estocados acima da altura permitida dos bicos do sistema de sprinklers, utilizado no primeiro combate às chamas. A vistoria feita por Anderson e Emellyn ocorreu no dia 27 de dezembro do ano passado. No documento, eles incluíram fotos de produtos entulhados, fiação exposta e presa com fita isolante, além de detector de fumaça desmontado e o uso de uma extensão com três tomadas. Em um trecho do relatório, os profissionais apontaram que as casas de máquinas estavam sendo usadas como estoque e locais de armazenamento de produtos, que ficaram “abarrotados de mercadorias”. Em destaque em letras vermelhas, os funcionários também registraram que todos os detectores de incêndio do piso superior da loja estavam “inoperantes” e que os problemas "potencializavam os riscos de incêndio”. Foto tirada pela vistoria na loja do Shopping Tijuca antes do incêndio Reprodução “As casas de máquinas inspecionadas estão servindo como estoques, e os locais de armazenamento de produtos estão abarrotados de mercadorias. Essas ações potencializam os riscos de incêndio, uma vez que todos os detectores do piso superior estão inoperantes e os materiais estocados, além de desorganizados, estão acima dos chuveiros automáticos. A carga de incêndio está sendo intensificada, visto que esses espaços não foram estabelecidos para servir de armazenamento de produtos e, em alguns desses locais, não há chuveiros automáticos e as sinalizações estão obstruídas”, diz um trecho do relatório. Imagem no depósito da loja Bellart Reprodução O documento foi entregue aos responsáveis pela Bell'Art após a vistoria. Dois dias depois, em 29 de dezembro, os funcionários retornaram à loja e constataram que os problemas ainda não haviam sido resolvidos. Diante disso, um funcionário da gerência do shopping enviou um e-mail a um dos sócios da do estabelecimento solicitando providências para solucionar as falhas de forma “imediata", "vide o risco”. Três dias após o envio do e-mail, a loja pegou fogo. O incêndio começou no início da noite, e as causas ainda são desconhecidas. Vistoria na loja Bell'art- fotos fizeram parte do relatório Reprodução O GLOBO procurou a Bell’Art para saber se alguma providência foi adotada após o relatório da vistoria, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. A reportagem também enviou questionamentos ao Shopping Tijuca sobre os trâmites e os prazos adotados após a notificação de um lojista, quando qualquer irregularidade é identificada durante as vistorias rotineiras. Em nota, o shopping informou que as correções apontadas eram de natureza operacional e passíveis de rápida implementação pelo lojista. "Não cabe ao Shopping antecipar conclusões sobre as causas do incêndio ou sobre sua propagação, razão pela qual esse e outros documentos e informações relevantes estão sendo integralmente compartilhados com as autoridades responsáveis pela investigação", diz a nota. Sobre o incêndio, o Shopping Tijuca informou que todos os protocolos de emergência foram cumpridos e que a loja foi evacuada em cinco minutos, com os primeiros combates ao fogo já em andamento pela brigada. Veja a nota O shopping informa que fez três ligações, a primeira delas foi às 18h12 e a última, às 18h22, conforme os registros do sistema de comunicação. A loja Bell'Art, local do incêndio, foi evacuada em cinco minutos, já com os primeiros combates em andamento pela brigada. O subsolo (área crítica naquele momento, onde se encontrava a referida loja), foi evacuado em doze minutos, antes mesmo da chegada dos bombeiros. A partir disso, os seis pisos superiores começaram a ser evacuados de forma gradual, evitando acidentes que poderiam ser eventualmente causados pelo pânico de uma correria. Importante ressaltar que as duas únicas vítimas foram nossos funcionários heróis, que permaneceram atuando no primeiro combate. Reforçamos que 7 mil clientes, colaboradores e lojistas foram evacuados em segurança, seguindo as orientações das equipes de segurança, brigadistas, funcionários e bombeiros. Importante ressaltar que não houve tumulto, pisoteamento, empurra-empurra e demais riscos como uma situação tão crítica como essa poderia trazer. Initial plugin text