É feriado do 4 de Julho, Dia da Independência dos Estados Unidos, em Pittsburgh. E assim será nas próximas 14 quintas-feiras, quando serão exibidos os episódios seguintes à estreia da segunda temporada de “The Pitt”, série médica da HBO Max, a mais badalada das últimas premiações. 'Plantão médico', 'Sob pressão', 'The Pitt': oito séries médicas para assistir no streaming Criador de ‘Breaking Bad’ sobre protagonista de nova série, ‘Pluribus’: ‘Você pode ser desagradável e também heroína’ Escolhido como melhor drama no Emmy em setembro de 2025, no Critics Choice Awards do último domingo e favorito ao Globo de Ouro no próximo fim de semana, o seriado retorna no mesmo modus operandi do ano passado: retratando uma hora de um plantão na emergência no Pittsburgh Trauma Medical Center em cada um de seus episódios. Hoje, acompanhamos o horário das 7h, quando o chefe Dr. Robby, interpretado por Noah Wyle, bate o cartão de ponto em seu último dia antes de um período sabático. Há quem comente, nos corredores do pronto-socorro, que é “crise de meia-idade”; outros enxergam uma forma de lidar com o transtorno de estresse pós-traumático que ele vem sofrendo desde a pandemia de Covid-19. — Agora, estamos dez meses depois daquele evento de vítimas em massa (da última temporada) e queríamos mostrar qual seria o impacto disso nos envolvidos — disse Wyle, em entrevista ao GLOBO por chamada de vídeo, no início de dezembro, quando ainda gravava o 14º episódio. — Quem procurou ajuda, quem precisa de ajuda, quem está negando que precisa de ajuda? Penso a primeira temporada com o mote de “o médico é o paciente” e a segunda, “médicos não são bons pacientes”. Vencedor dos prêmios de melhor ator de série de drama no Emmy e no Critics Choice e indicado ontem ao Actors Awards, Noah é um velho conhecido da audiência desse tipo de programa. Em “Plantão médico”, sucesso nas noites da TV Globo na década de 1990, ele foi o estudante (depois residente e chefe) John Carter. Ficou no ar durante toda a produção, de 1994 a 2009, em 254 episódios. — Estou 30 anos mais velho. Por isso é uma experiência muito diferente interpretar o papel de um médico— diz o ator, quando relembra o primeiro seriado. — É uma perspectiva completamente distinta, mesmo estando a cerca de 60 metros do estúdio onde filmamos há três décadas. Mas voltar a isso faz tudo parecer como se estivesse fechando um ciclo, algo muito simbólico e extremamente gratificante. Rigor científico Além de protagonista, Wyle dirige e também roteiriza episódios. Habilidades “irritantes”, dizem, em tom de brincadeira, o criador e produtor executivo, R. Scott Gemmill, e o produtor executivo John Wells, ambos parte da equipe original de “Plantão médico”. —A verdadeira preocupação é que ele parece meio super-humano — disse Wells ao GLOBO também por chamada de vídeo. —Como ele consegue ficar no set 11 horas por dia e ainda escrever 70 páginas à noite aos fins de semana? Katherine LaNasa, a enfermeira Dana, de 'The Pitt' Warrick Page/MAX/Divulgação Wyle, Gemmill e Wells dizem ser obcecados com a exatidão científica da série e atribuem a isso o sucesso da primeira temporada. Quando estreou, em janeiro do ano passado, de fato, médicos americanos especializados em atendimentos de emergência louvaram, nas redes sociais, as abordagens desse universo. Em fevereiro, uma profissional do estado americano de Michigan disse ao New York Times que aquela era “a primeira vez” que via médicos na televisão e conseguia se enxergar neles. — Nossa intenção, desde o início, foi tentar fazer o seriado mais fiel do ponto de vista médico que já passou pela TV e o mais leal possível às experiências de quem está na linha de frente — disse Noah Wyle. — Esse era o público que queríamos honrar, e ele nos abraçou antes de qualquer outro. Foi meio o boca a boca dentro da comunidade médica, acho eu, que nos deu esse selo de credibilidade e autenticidade, permitindo que outras pessoas nos descobrissem. Sem efeitos especiais Mas uma emergência não é formada só por médicos. É, em boa parte, sustentada pelo trabalho de enfermeiras segurando os rojões de salas de espera lotadas e falta de leitos e especialistas. Por isso, nesta temporada, os produtores prometem dar ainda mais espaço a Dana (Katherine LaNasa, vencedora do Emmy e do Critics Choice de melhor atriz coadjuvante de drama) e companhia. Uma das novas personagens também é da turma de enfermagem: a estudante Emma (Laetitia Hollard). — São elas que fazem um pronto-socorro funcionar — diz R. Scott Gemmill. — Estão ali o tempo todo e sabem tanto quanto muitos médicos em vários casos. Às vezes, acabam sendo sub-representadas nas séries. Queríamos ver como é esse mundo pelo olhar delas. Inclusive, fizemos um episódio, o sexto, que se apossa da perspectiva da enfermagem. Ponto de vista é a palavra-chave da cinematografia e talvez um dos ingredientes mais especiais de “The Pitt”. As tomadas são altamente realistas (no episódio 11 da primeira temporada, o espectador é impactado por uma cena de parto vaginal surpreendente). —Muita gente comenta o caráter gráfico do que mostramos — diz John Wells. — Aquilo é o que os médicos e enfermeiros veem. Queríamos que o público tivesse essa experiência: como se houvesse vestido um jaleco e acompanhado essas pessoas ao longo de um plantão. O estilo não é exatamente documental, mas é muito imediato e íntimo. Para criar esse clima, Noah Wyle diz que a equipe de produção faz um trabalho quase artesanal. —Não usamos nenhum CGI (sigla para “imagens geradas por computador”, em inglês). Todos os procedimentos, próteses e ferimentos são resultado de maquiagem e efeitos incrivelmente realistas. E é um ambiente de filmagem diferente da maioria. Temos só dois operadores de câmera e um de som. São as únicas pessoas dentro da sala com os atores.