Grupo de mulheres negras é alvo de ataques racistas nas redes A modelo que foi alvo de racismo depois de postar um vídeo com roupas de ancestralidade africana em um shopping de Goiânia relatou que ela e a filha, de apenas um ano, estão sofrendo ameaças de morte pelas redes sociais. Josi Albuquerque conversou com o g1 e falou sobre a ideia de andar no shopping com as vestimentas típicas e sobre a reação das pessoas. Segundo Josi, ela e a filha receberam ataques racistas, ameaças de morte e até de estupro. Ela contou que foi até a delegacia e registrou um Boletim de Ocorrência contra os ataques. A modelo disse ainda que o episódio a deixou perturbada, mas que vai continuar de cabeça erguida. "No primeiro momento, eu fiquei muito triste, perturbada, ansiosa. Não acredito que o pessoal está falando isso para a gente, oferecendo caixa de banana, me chamando de macaca. Isso me fez vivenciar muita coisa ruim", desabafou. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Prints das ameaças recebidas nas redes sociais de Josi Reprodução/Instagram De acordo com Josi, todas as mulheres que aparecem com as vestimentas participaram do concurso Miss Afro, na capital. Ela disse que a ideia de andar com as roupas surgiu após o concurso, com a intenção de mostrar a beleza e ver a reação das pessoas. "Nós participamos do concurso Miss Afro e falamos que a gente poderia marcar para ir ao shopping, passear com as roupas e gravar a reação das pessoas. Só para o pessoal ver que é algo diferente, é algo da nossa cultura. A gente estava superbonita e elegante", contou. LEIA TAMBÉM: Mulheres negras são alvo de racismo depois de postar vídeo de desfile nas redes: 'Preta fedida' Zelador de colégio pede demissão após receber bilhete racista: 'Nojo da sua raça' Diarista questionou ser investigada por racismo após denúncia de enfermeira e alegou que ato 'não é crime', diz delegado Novo desfile Josi também contou que ela e as outras modelos estão planejando gravar outro vídeo com mais pessoas. Segundo ela, não é para afrontar ninguém, mas porque não podem parar e deixar que outras pessoas abalem a autoestima delas. "A gente quer gravar outro vídeo com mais pessoas, não para afrontar ninguém. Pode ser um passeio normal, com elegância, leveza, sorriso. A gente não pode parar, não pode deixar as outras pessoas acabarem com a nossa autoestima; queremos incentivar também as pessoas a não deixarem isso acontecer", afirmou. A modelo ressalta a beleza que ela e as outras representam e disse que precisam incentivar positivamente as pessoas. "Nós somos lindas, somos maravilhosas. Então, a gente tem que incentivar positivamente as pessoas", enfatiza a modelo. Crime de racismo Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado da Polícia Civil Joaquim Adorno disse que a Constituição protege a liberdade de opinião, mas que, como qualquer outro direito, ela não é ilimitada. Ele destacou que, uma vez ultrapassado o limite de um simples posicionamento, a pessoa comete crime. “Qual o limite? O direito do outro. Você tem direito de ter qualquer opinião, desde que não ofenda o outro. Porque, se ofender, vai ultrapassar a linha da opinião para o crime”, ressaltou o delegado. O advogado da Associação de Empresários e Empreendedores para o Fortalecimento do Afroempreendedorismo (Ascenda) em Goiás, José Eduardo Silva, afirmou que a ação abriu espaço para a discussão do tema no estado. “Isso vai estimulando as pessoas a terem a autoestima preservada e a não se acharem feias. Porque é isso que acontece no Brasil”, disse. A polícia está investigando o caso para identificar as pessoas que fizeram os comentários racistas. Elas serão chamadas para prestar depoimento. Grupo de mulheres encenam um desfile em shopping de Goiânia Reprodução/Instagram de Josi Albuquerque Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás