Usar Wi-Fi no aeroporto é seguro? Especialista alerta para os riscos

Conectar-se ao Wi-Fi gratuito de aeroportos costuma parecer uma solução prática para quem precisa trabalhar, se comunicar ou se distrair enquanto espera o voo. O problema é que esse tipo de rede, por priorizar facilidade de acesso em vez de segurança, está entre os ambientes mais explorados por criminosos digitais. Em locais de grande circulação de pessoas e permanência temporária, usuários acabam mais expostos a ataques que envolvem roubo de credenciais e acesso indevido a informações sensíveis, como dados bancários. O TechTudo conversou com Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética e governança corporativa, para saber mais sobre os riscos de se conectar a redes gratuitas de aeroportos; confira a seguir. É mais seguro comprar por app ou site? Especialista explica Canal do TechTudo no WhatsApp: acompanhe as principais notícias, tutoriais e reviews Especialista comenta os riscos de utilizar redes públicas de Wi-Fi, como as disponibilizadas nos aeroportos; entenda Unsplash/JESHOOTS.COM Como melhorar o sinal do Wi-Fi? Veja no Fórum do TechTudo • Por que o Wi-Fi de aeroportos apresenta perigos? Segundo Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética e governança corporativa, o principal problema das redes Wi-Fi públicas está no próprio conceito desses serviços. “Uma vez que o objetivo é fornecer um serviço de internet ‘gratuito’, a questão de segurança não é vista como prioridade”, afirma. Isso abre espaço para que pessoas mal-intencionadas acessem a mesma rede usada pelos passageiros. Ele explica que, em redes abertas, dispositivos conectados podem se comunicar entre si, o que facilita a interceptação de dados. “Conceitualmente, dispositivos na mesma rede se comunicam”, comenta, destacando que a diferença em relação à rede doméstica é o controle de acesso. Enquanto em casa a senha é restrita, em locais públicos qualquer pessoa pode se conectar, inclusive criminosos. No caso dos aeroportos, o risco é ainda maior por dois motivos. O primeiro é o perfil do público, que costuma ter maior poder aquisitivo, o que torna esses usuários alvos mais interessantes. O segundo é o caráter temporário do ambiente. “Por ser um local de passagem, torna-se mais difícil a identificação de um atacante, ou mesmo do ataque, que pode ser percebido horas ou mesmo dias depois”, declara. Redes abertas facilitam ataques de criminosos; nos aeroportos, risco é ainda maior Mariana Saguias/TechTudo • Ataques comuns em redes abertas Os ataques mais comuns envolvem a criação de redes falsas para enganar usuários desatentos. Corrêa explica que “um atacante pode criar várias redes de iscas para tentar atrair um usuário que está acostumado a acessar redes inseguras”. Nessas situações, páginas falsas que imitam serviços populares são usadas para capturar logins e senhas. “Simulando uma página de login do Google, Facebook, ou Instagram, um atacante pode capturar as credenciais de acesso destes usuários”, afirma. O problema é que, em muitos casos, essas contas armazenam informações sensíveis, como dados de cartão de crédito, que podem ser exploradas posteriormente. Outro tipo de ameaça envolve o monitoramento do tráfego da rede. Se o usuário acessar um site mal configurado ou sem proteção adequada, “um atacante pode ter acesso a toda comunicação”, o que amplia o risco de vazamento de informações pessoais e financeiras. Você nunca deveria usar um Wi-fi público antes de seguir esses 5 passos • Wi-Fi público e dados bancários Para o especialista, o simples uso de Wi-Fi público já representa um risco, mas a situação se agrava quando há movimentação financeira. “Utilizar uma rede Wi-Fi pública já é um erro por si só, mas o mais grave é a realização de transações financeiras nestas redes”, afirma. Mesmo em aplicativos bancários contando com camadas avançadas de segurança, Corrêa alerta que os ataques evoluíram. “Apesar de os aplicativos de banco possuírem um robusto sistema de proteção, os ataques são cada vez mais criativos”, comenta. Caso um criminoso consiga interceptar dados de login, o acesso às informações financeiras se torna possível. O risco aumenta em períodos de férias e festas de fim de ano, quando usuários tendem a “baixar a guarda”. Crianças e adolescentes, por exemplo, costumam usar celulares e tablets conectados ao Wi-Fi do aeroporto para jogos e compras dentro de aplicativos, o que expõe dados financeiros em um ambiente considerado hostil. segurando iPhone surpresa horizontal marca d’água Mariana Saguias/TechTudo Guia dos Golpes do Pix 2025: os truques mais usados e como não cair • Como se conectar com mais segurança e o que fazer em caso de suspeita A orientação principal é evitar redes abertas sempre que possível. “A recomendação é sempre optar por utilizar sua conexão de telefone pessoal (3G/4G/5G)”, afirma Corrêa. Quando o uso do Wi-Fi público for inevitável, o especialista indica o uso de VPN para criptografar os dados; caso isso não seja possível, ele reforça a importância de não realizar pagamentos nem compartilhar informações sensíveis. Caso exista a suspeita de que dados foram interceptados, a recomendação é agir rapidamente. “Altere suas senhas de acesso dos apps utilizados”, afirma. Se houver envolvimento de informações financeiras, o ideal é bloquear cartões e entrar em contato com o banco para relatar um possível uso indevido. Vale destacar que os sinais podem não ser imediatos e o atacante pode roubar suas credenciais para utilizá-las em outro momento. Mais do TechTudo Veja também: Wi-Fi vive caindo no celular? Aprenda a resolver rápido! Wi-Fi Vive Caindo no Celular? Aprenda a Resolver Rápido!