Salgueiro se inspira em croqui de Rosa Magalhães, encontrado há 6 meses, para fantasiar baianas em desfile sobre carnavalesca

Um ti-ti-ti na Grande Tijuca anuncia que o Acadêmicos do Salgueiro irá revelar uma — talvez a única que não fique guardada a sete chaves — de suas fantasias para o próximo carnaval nesta quinta-feira, a das baianas. A escolha da data é uma homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães: a professora, enredo da agremiação neste ano e que morreu em julho de 2024, estaria completando 79 anos hoje. Curiosamente, o croqui que inspira a roupa, do desfile de 1990 ("Sou Amigo do Rei"), só foi encontrado há seis meses. Quando é o carnaval 2026? Veja data da folia e como é definida Começo em 20 de janeiro: Liesa leva experiência da Sapucaí para a Praia de Copacabana em fan fest aberta com bateria de mais de 1.200 ritmistas — Essa é uma forma de a gente levar para a Marquês de Sapucaí o traço da professora, numa das peças que era predileta da sua composição de figurino. Ela tinha predileção especial por criar suas comissões de frente e suas alas de baianas. Rosa é a maior detentora de Estandartes de Ouro de ala de baianas (oito) da História do carnaval — observa o carnavalesco salgueirense Jorge Silveira. — Por isso, o Salgueiro oferece de presente para ela sua ala de baianas no dia de seu aniversário. O original: croqui da fantasia das baianas de 1990 no Salgueiro, nos traços de Rosa Magalhães Acervo pessoal Para vestir a peça, a escola escolheu Tia Glorinha, presidente da ala das baianas. Em 79 anos de vida, ela conta que neles todos fez parte da escola, na qual está "desde a barriga" da mãe, como define. Moradora do Morro do Salgueiro, a comanda as baianas há 19 anos e se diz "chata" — exigente com a maquiagem e com a roupa de suas comandadas, que acompanha de perto no barracão, por exemplo — mas também uma "mãezona" com suas 80 baianas. Além de lembrar do "jeitinho calmo" de Rosa, outra recordação de Glorinha é justamente da fantasia original na qual o Salgueiro está se inspirando. — Na hora que vi a fantasia deste ano, falei: "Saí com essa roupa". Mas o material era outro. Melhorou muito. Antes, era mais pesado — observa a presidente da ala das baianas, protagonista do ensaio com a fantasia de 2026. Tia Glorinha usando a roupa das baianas: ela se lembra de desfilar com a fantasia original, desenhada por Rosa Magalhães, em 1990 Ygor Gusmão / Acadêmicos do Salgueiro / Divulgação Sapateiro das musas e rainhas: Homem aclamado como Mago das Sandálias no Rio já costurou calçado até para Virgínia Fonseca Croqui da fantasia de dama da corte Durante o processo de criação, a equipe de carnaval da agremiação se debruçou sobre mais de 5 mil imagens baixadas, pela internet, do acervo de Rosa, que foi doado por ela, em vida, para a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). No entanto, enquanto cada desfile tinha uma média de cem desenhos os ilustrando — a carnavalesca já assinou desfiles na Imperatriz, na Vila Isabel, na São Clemente, no Império Serrano e na Estácio, por exemplo —, os anos de 1990 e 1991, justamente quando ela assinou as apresentações do Salgueiro, tinham só vinte, cada. Mas, há seis meses, quando fazia um ano que Rosa tinha partido, suas amigas encontraram esses croquis perdidos em uma pasta na casa da carnavalesca. Esse material, então, foi aproveitado pela escola — únicos desenhos com os quais os artistas do Salgueiro tiveram contato fisicamente — e depois doado para a Uerj, para se somar ao acervo. Nesse material recuperado estava justamente o desenho das baianas de 1990. Rio vai amarelar: assim como táxis e BRTs, nova padronização dos ônibus terá a cor como predominante; entenda — Essa fantasia é uma das referências mais diretas do nosso desfile. Nosso enredo é um passeio pelo universo da Rosa, e não a um desfile específico — observa o enredista do Salgueiro, Leonardo Antan. A estética da roupa, de dama da corte, é medieval, como a original. Mas, na releitura do carnavalesco Jorge Silveira para 2026, as peças foram abrasileiradas, com estampas de onça, numa inspiração no Movimento Armorial, do escritor Ariano Suassuna. Carnavalesco Jorge Silveira, do Salgueiro, com o croqui de Rosa Magalhães que inspira a fantasia das baianas em 2026 Arquivo pessoal Alquimia do prazer: novas drogas usadas para turbinar o sexo atraem cariocas, mas podem matar; entenda Divulgação nas redes sociais O GLOBO pôde acompanhar com exclusividade o ensaio com Tia Glorinha, realizado na quadra da agremiação, no Andaraí. E, ao longo desta quinta-feira, as fotos serão compartilhadas nas redes sociais do Salgueiro. Glorinha foi vestida por três de suas baianas. Usando branco, Shirley Maria Lima, de 64 anos; Cristina Rosa, de 58; e Andréa Nascimento, de 49, colocaram primeiro a saia, depois a parte que cobre os ombros. Nesse momento descontraído, Tia Glorinha ensinou ainda uma simpatia para desamarrar nós nas roupas: soprá-los, ou dizer o nome de uma pessoa fofoqueira. Deu certo! Depois foi a vez da gola — com cuidado para não arrancar os brincos da presidente da ala — e do adereço que cobre a cabeça, que conta com um véu. No detalhe: fantasia das baianas do Salgueiro, vestida por Tia Glorinha Ygor Gusmão / Acadêmicos do Salgueiro / Divulgação — Fui eu quem vestiu essa roupa no barracão no dia do protótipo — orgulha-se Shirley, baiana do Salgueiro desde 2009, ano do último título da escola. — É sempre como se fosse a primeira vez. Amo ser baiana. Neste ano, o Salgueiro será a última escola a desfilar no Grupo Especial, algo inédito na Era Sambódromo. Na Passarela do Samba, Rosa Magalhães foi a maior campeã, com seis títulos, sendo cinco pela Imperatriz e um pela Vila. Como carnavalesca, assinou também o desfile campeão do Império Serrano, em 1982 (pré-Sambódromo). Em 1971, fazia ainda parte da equipe do desfile campeão do Salgueiro. Initial plugin text