A cidade do Rio já virou o ano respirando carnaval, com os 70 blocos informais abrindo a maratona momesca no último domingo. Mas a festa oficial também vai exigir fôlego do folião. O carnaval de rua organizado pela Riotur fechou um calendário com 465 desfiles ao longo de 37 dias, a partir do dia 17. Um dos destaques, o Cordão do Boitatá — que todos os anos arrasta uma multidão que esbanja criatividade em suas fantasias — ganhou o status de megabloco, em uma lista com apenas dez agremiações. Há três décadas reunindo uma legião de fãs no Centro, o grupo vai se mudar para o Circuito Preta Gil (Rua Primeiro de Março e Avenida Antônio Carlos), mas promete não perder sua essência. Carnaval 2026: Prefeitura inicia pagamento da subvenção às escolas de samba a menos de 40 dias da folia Ipanema dispara em valorização imobiliária em 2025 e encosta no Leblon: veja média de bairros do Rio Bloco Mistérios Há de Pintar, no Boulevard Olímpico Márcia Foletto — Desfilaremos no chão, como sempre fizemos. Não vamos nos transferir para trios elétricos como os outros megablocos. Na realidade, será uma espécie de volta as origens. No passado, chegamos a desfilar por ali. O roteiro foi alterado por causa das obras do VLT — contou Kiko Horta, diretor musical do Cordão. Baile na Praça Quinze Além de dispensar os trios elétricos, o Boitatá manterá uma segunda apresentação, no domingo de carnaval, na Praça Quinze. É o baile, que chegará a sua 20ª edição com a previsão de reunir aproximadamente 80 mil foliões. Nos últimos anos, o bloco saía da Rua da Assembleia ia até a Praça Tiradentes. A própria direção reivindicou a mudança do trajeto pelo porte que ganhou e pelo fato de a Rua da Carioca, que integra o roteiro, estar em obras de reurbanização. Folião se fantasia de humorista e atrai atenção em bloco no Rio no 4º dia do ano Márcia Foletto Kiko promete colocar os foliões para pular no circuito oficial com o apoio de 250 músicos, 30 pernaltas e 15 tocadores de banjo, além de uma ala formada só de baianas. O Boitatá é a única novidade no grupo de megablocos do carnaval carioca. O primeiro desfile será do Chá de Alice, no próximo dia 24. Outra agremiação tradicional no Centro, mas fora do Circuito Preta Gil, o Fogo e Paixão promete mergulhar ainda mais na breguice, sua marca. O tema do seu 16º ano é “Carnovela”, dedicado às músicas que marcaram novelas. No ano passado, o Fogo levou 40 mil foliões ao Largo de São Francisco. — A gente fez uma pesquisa e descobriu que 80% das trilhas que tocamos nos últimos 15 anos fizeram parte da trilha sonora de folhetins. Por isso, uma edição dedicada ao tema, mas não exclusiva. Um exemplo disso é que, pela primeira vez, teremos “Escrito nas Estrelas” (de Tetê Espíndola) no repertório, que não integrou novelas — contou João Marcelo Oliveira, um dos organizadores do bloco. Uma espécie de pré-estreia do reportório já poderá ser conferida em um show — com ingressos pagos — no festival Casa Bloco 2026, na sede do Jockey Club, na Gávea. O Fogo e Paixão convidou Sarajane para uma participação na apresentação do próximo dia 31. Ela vai cantar “A Roda” (da minissérie “O Canto da Sereia”) e “Amor Perfeito” (de novela homônima, em 2023), entre outras. Abertura não oficial do carnaval do Rio leva blocos às ruas do Centro. Na foto, o bloco Vem Cá Minha Flor Márcia Foletto Do Centro para a Zona Sul, tem a Banda de Ipanema, que vai homenagear em seu desfile no sábado de carnaval o jornalista e escritor Ruy Castro e Tia Surica, da Velha Guarda da Portela, que estarão em um jipe aberto. Já o Simpatia é Quase Amor, que também se apresenta em Ipanema, terá a causa indígena como tema. A camiseta, desenhada por Milton Cunha, apresenta a inscrição “Iwakuru koendâ arâ aron”, o nome da agremiação na língua baikari. Na linha política, o Bloco do Barbas, que sai em Botafogo no sábado de carnaval, terá um enredo com referências ao presidente dos EUA, Donald Trump, e à família Bolsonaro: ‘‘Nem Laranjão nem Bananinha: o Barbas saúda a Unidos da Papudinha’’. O presidente da Riotur, Bernardo Fellows, disse que a prefeitura recebeu 806 pedidos de desfiles, 111 a mais que em 2025. Por questões de logísticas, explicou, a opção foi dar prioridade aos blocos tradicionais, mas ainda assim houve espaço para inclusão de 35 novos. A região com mais cortejos será a central (135), seguida da Zona Sul (cem). Na sequência, vêm a Grande Tijuca, com 63 desfiles liberados, a Zona Oeste (46), as ilhas (37) e a Zona Sudoeste (28). — Semana que vem fechamos detalhes como o esquemas de trânsito, o número de sanitários químicos por desfile e como será a distribuição de água aos foliões — completou Fellows.