A idade da pele nem sempre acompanha a do documento. Para a dermatologia, ela revela outra métrica, menos objetiva e mais reveladora: o acúmulo de verões. Exposição solar intensa, noites encurtadas, alterações na rotina de sono e longas horas diante das telas fazem parte do imaginário da estação, mas deixam marcas que raramente surgem de imediato. Veja: Quem é a apresentadora que gastou mais de R$ 400 mil em estética e diz sofrer etarismo nas redes Confira: Influenciadora brasileira explica o 'banho à moda inglesa' e dá dica curiosa para encontros no Reino Unido Durante o verão, o corpo entra em um regime de esforço contínuo. A pele, principal barreira de proteção do organismo, precisa lidar simultaneamente com o aumento da radiação ultravioleta, calor, suor e inflamações microscópicas. Ao mesmo tempo, hábitos comuns do período, como dormir menos e usar mais o celular à noite, reduzem a capacidade natural de recuperação cutânea. A dermatologista Denise Ozores explica que o sono profundo é um dos pilares do equilíbrio da pele. “É nesse momento que o organismo regula a renovação celular, restaura a barreira cutânea e controla processos inflamatórios. Quando o sono é encurtado ou fragmentado, esse sistema perde eficiência”, afirma. Segundo a médica, o impacto do verão não se manifesta de forma imediata. “A pele consegue compensar por um tempo, mas o excesso se acumula. As consequências costumam aparecer semanas ou meses depois, em forma de manchas, linhas finas, sensibilidade e uma aparência mais cansada”, explica. Outro fator que contribui para esse desgaste silencioso é o uso excessivo de telas. A luz azul emitida por celulares e computadores intensifica o estresse oxidativo e pode estimular processos de pigmentação, especialmente quando combinada à exposição solar. “É uma agressão contínua e pouco percebida. A pessoa não sente no momento, mas o efeito é cumulativo”, diz Denise. Além disso, a exposição prolongada às telas à noite interfere diretamente na produção de melatonina, hormônio essencial para o sono reparador. “Sem esse descanso profundo, a pele não entra em modo de regeneração. Não é algo que se resolva depois com cosméticos caros ou procedimentos isolados”, alerta. Para a dermatologista, a pele reflete hábitos de vida muito mais do que a idade cronológica. “Duas pessoas da mesma idade podem apresentar peles completamente diferentes. O que muda é como cada uma viveu seus verões e o quanto respeitou os limites do próprio corpo”, afirma. Ela reforça ainda que o bronzeado, frequentemente associado à saúde e ao bem-estar, é na verdade uma resposta defensiva da pele ao dano solar. “A cor pode desaparecer, mas a agressão fica registrada nas células”, explica. No fim, o balanço sempre aparece. O verão passa, mas a pele registra. “Ela não conta idade. Conta hábitos. E, mais cedo ou mais tarde, eles se refletem no espelho”, conclui.