'As consultas sobre investimentos na Venezuela se multiplicaram', diz ex-diplomata e consultor americano

Nos Estados Unidos, as consultas de empresários interessados em investir na Venezuela se multiplicaram nos últimos dias. Os mais especuladores “querem entrar já”, mas muitos outros, confirmou ao GLOBO o ex-diplomata americano Ricardo Zuñiga, que foi o número 2 da divisão das Américas do Departamento de Estado americano durante o governo do democrata Joe Biden, “querem ter mais certezas jurídicas e políticas”. A grande expectativa entre os empresários que consideram a Venezuela um bom negócio são as licenças para operar no país que deve liberar o governo de Donald Trump nos próximos dias e semanas. — Não sabemos ainda que tipo de licenças serão aprovadas, mas acreditamos que serão individuais, para favorecer, num primeiro momento, empresas próximas do governo americano — explica Zuñiga, que foi enviado especial de Biden para a América Central, e hoje trabalha com consultor privado. Para ele, que foi conselheiro político na embaixada americana em Brasília entre 2010 e 2012, e cônsul dos Estados Unidos em São Paulo, entre 2015 e 2018, “reconstruir a indústria venezuelana pode demorar de três a quatro anos, e custará em torno de US$ 60 bilhões de dólares”. — Estamos recebendo muitas consultas, as pessoas querem entender o contexto político e e jurídico. Diria que a maioria das empresas sérias quer esperar ter essas certezas — afirma o ex-diplomata. Exclusivo: Diplomata dos EUA e petroleiras negociaram manutenção do chavismo no poder Mudança de líderes, mas não de regime político na Venezuela: Chavistas mantêm o poder, e oposição radical é escanteada Além de empresas do setor petroleiro, acrescentou Zuñiga, credores da dívida venezuelana e empresários que venceram arbitragens internacionais em disputa com o regime chavista querem saber qual é o horizonte de pagamento. Estimativas privadas apontam que a dívida externa da Venezuela atinge cerca de US$ 200 bilhões. — A presidente interina, Delcy Rodríguez, é vista como uma pessoa capaz dentro do chavismo. Ela e seu irmão [Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional] entenderam como sobreviver — afirma o consultor americano, confirmando informações de que os irmãos Rodríguez foram alvo de sondagens por parte dos EUA — incluindo o setor privado americano — antes do ataque da madrugada de 3 de janeiro. Zuñiga lembrou, ainda, a importância, nessas sondagens, do governo do Catar. Muitas das reuniões entre Jorge Rodríguez e Delcy ocorreram justamente no Catar. — O Catar tem interesse econômicos e políticos. Quer investir na Venezuela e quer ser um sócio confiável para Trump — conclui o ex-diplomata.