800 imóveis estão abandonados no Rio, aponta levantamento Um levantamento da Câmara do Rio apontou que o centro do Rio tem 800 imóveis abandonados. Uma lei aprovada no início de dezembro autoriza a Prefeitura do Rio a intervir em imóveis que apresentem problemas estruturais. O texto prevê reparos emergenciais, obras de contenção e até a desapropriação ou demolição, quando laudos da Defesa Civil constatarem danos irreversíveis. Segundo o vereador Pedro Duarte, presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara Municipal, os imóveis abandonados afetam toda a vizinhança. “A vizinhança fica insegura porque os prédios estão fechados, abandonados, perigosos. A Prefeitura não arrecada porque não paga IPTU, não paga ISS. As pessoas não estão empreendendo, não geram emprego, não tem comércio funcionando, então não há ganho”, afirmou. Imóveis abandonados no Centro do Rio Reprodução/TV Globo Um levantamento da Comissão de Assuntos Urbanos revelou uma situação preocupante: mais de 800 imóveis públicos estão abandonados em diferentes regiões da cidade. Alguns casos já resultaram em tragédia. Em 2022, um sobrado do Rio Previdência, órgão do governo estadual, desabou na Rua Senhor dos Passos. O prédio estava vazio. Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Já em março de 2023, o desabamento do telhado de um prédio residencial na Rua Senador Pompeu causou a morte de um homem que estava dentro de um carro atingido pelos escombros. O proprietário havia sido notificado pela Defesa Civil para realizar obras, mas não tomou providências. Imóveis particulares também preocupam Prédio abandonado no Centro do Rio Reprodução/TV Globo Agora, a comissão da Câmara faz a contagem de construções particulares que estão vazias, acumulam dívidas de IPTU e apresentam risco. Só no Centro da cidade, 35 já foram identificadas. A maioria está concentrada na Rua do Teatro, Rua do Ouvidor e no Largo de São Francisco — áreas com prédios históricos que precisam de restauração. Esses imóveis poderão ser leiloados, conforme prevê a Lei da Hasta Pública, sancionada em 2024. “Alguém interessado em fazer o investimento disputa esse imóvel, compra, o valor vai para o proprietário original e o novo dono faz o investimento”, explicou o vereador Pedro Duarte. Enquanto isso, moradores seguem convivendo com os problemas causados pelos imóveis em ruínas. Maura Reis, síndica e moradora da Rua Gomes Freire, relata a situação de um prédio em frente à sua casa: “Porta suja, fezes, rompimento de tubulação dentro do terreno, bichinhos, ratos, animais peçonhentos. Entra político, sai político, entra empresário, sai empresário... 35 anos e nada se faz”, disse. Notas da prefeitura e do Rio Previdência A Prefeitura do Rio disse que a lei sancionada em dezembro autoriza, mas não obriga a intervenção em imóveis abandonados ou com risco estrutural. Segundo o município, qualquer medida depende de etapas como a análise individual de cada caso e a avaliação técnica de risco. A administração afirmou ainda que trabalha na recuperação de imóveis degradados como parte de projetos de revitalização urbana. Sobre o desabamento do prédio do Rio Previdência, em 2024, o órgão estadual disse que a construção foi parcialmente demolida para garantir a segurança da área e que o imóvel passa agora por obras de restauração.