O cineasta iraniano Jafar Panahi afirmou que pretende voltar ao Irã assim que terminar a campanha internacional de “Foi só um acidente”, mesmo diante de uma nova sentença de prisão e de uma proibição de viagem impostas pelas autoridades do país. A declaração foi dada em entrevista ao “The Hollywood Reporter”. Globo de Ouro 2026: saiba a data, que horas começa e onde assistir à cerimônia Leia também: Globo de Ouro anuncia evento no Brasil para celebrar talentos nacionais da TV e do cinema em 2026 Segundo Panahi, a decisão de retornar não foi alterada após a divulgação, em novembro, de que ele havia sido novamente condenado por “atividades de propaganda” relacionadas ao filme. O diretor estava nos Estados Unidos divulgando a obra quando a sentença se tornou pública e seguiu participando de eventos e festivais no exterior. “Assim que eu terminar o meu trabalho aqui, eu vou voltar ao Irã”, disse o cineasta na entrevista, ao ser questionado sobre seus planos após o fim da temporada de premiações. Panahi afirmou que sua escolha está ligada à relação profunda com o país onde vive e trabalha, apesar das restrições impostas pelo governo. Ele disse que conhece o contexto cultural, a língua e a vida cotidiana do Irã, e que é nesse ambiente que consegue criar seus filmes. O diretor também afirmou que não se considera diferente de outros artistas iranianos que enfrentam sanções semelhantes, como proibições de trabalho e de saída do país. Segundo ele, cineastas e atores continuam vivendo e produzindo no Irã mesmo sob forte pressão das autoridades. Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, “Foi só um acidente” é inspirado no período em que Panahi esteve preso e nas pessoas que conheceu durante a detenção. O filme marcou o primeiro grande circuito promocional internacional do diretor em mais de uma década, após o fim de uma antiga proibição de viagens, suspensa em 2023. A produção está entre os destaques da temporada de prêmios e concorre ao Globo de Ouro nas principais categorias, incluindo melhor filme e melhor diretor. Na disputa, enfrenta o brasileiro “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, também indicado à premiação. Além do Globo de Ouro, o longa de Panahi foi selecionado na pré-lista do Oscar de melhor filme internacional e vem sendo exibido em diferentes países desde a estreia em Cannes. Nesta semana, o cineasta será homenageado pelo Círculo de Críticos de Cinema de Nova York com o prêmio de melhor diretor. Questionado sobre o recurso apresentado contra a nova condenação, Panahi disse que ainda aguardava informações de seus advogados sobre o andamento do processo e afirmou que, independentemente do desfecho, seguirá disposto a retornar ao Irã após o encerramento da campanha do filme.