Fertilização in vitro: como funciona o procedimento que ajudou ex-BBB Patrícia Leitte a engravidar

Cada vez mais presente nos relatos de mulheres públicas, a fertilização in vitro (FIV) tem sido uma alternativa buscada por famosas que enfrentam dificuldades para engravidar — seja após perdas gestacionais, tentativas frustradas ou pela decisão de adiar a maternidade. Recentemente, a ex-BBB Patrícia Leitte compartilhou que conseguiu engravidar com a ajuda do procedimento, após viver uma perda gestacional em 2023 e passar por uma tentativa sem sucesso. O relato, feito nas redes sociais, se soma a outras histórias que ajudam a ampliar o debate sobre infertilidade, ciência e maternidade. Produção independente: como funciona e por que mais brasileiras estão optando por ela Tecnologia que acompanha o desenvolvimento dos embriões em tempo real avança no Brasil; especialistas explicam como ela pode ajudar na FIV "Foram anos de oração, silêncio, lágrimas escondidas, fé renovada todos os dias quando o coração queria desistir. E agora que Deus me presenteou com aquilo que eu mais sonhei", escreveu Patrícia em seu perfil no Instagram ao anunciar a gestação. O depoimento trouxe visibilidade a um caminho cada vez mais comum entre mulheres que recorrem à medicina reprodutiva para realizar o desejo de engravidar. Initial plugin text De acordo com o médico Rodrigo Rosa, especialista em Reprodução Humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, a fertilização in vitro consiste na fecundação dos óvulos com os espermatozoides em laboratório. Após a formação, os embriões passam por um período de desenvolvimento e, posteriormente, são transferidos para o útero da mulher, com o objetivo de gerar a gestação. Durante o processo, a paciente faz uso de medicações hormonais específicas. Segundo o especialista, esses medicamentos estimulam o crescimento dos folículos ovarianos em um mesmo ciclo menstrual, o que aumenta a quantidade de óvulos coletados na etapa de aspiração. "Esse estímulo é acompanhado de perto por meio de exames de ultrassonografia e análises hormonais no sangue, que ajudam a identificar o momento ideal para a coleta", explica. O médico ressalta que muitos quadros de infertilidade podem ser solucionados com a FIV, que também é indicada em situações como gravidez tardia ou quando a mulher já realizou o congelamento de óvulos anteriormente. Cada indicação, no entanto, depende de avaliação individualizada e acompanhamento especializado. Em relação à duração do tratamento, o primeiro estágio envolve o estímulo ovariano, a coleta dos óvulos e do sêmen, além da fertilização em laboratório e do desenvolvimento embrionário. "Essa fase inicial dura cerca de 13 a 14 dias. Os embriões permanecem em desenvolvimento por três a cinco dias. A transferência pode ocorrer no mesmo ciclo menstrual, o que acontece em uma minoria dos casos, ou em um ciclo posterior, após o congelamento dos embriões. No total, o tratamento pode levar entre 45 e 50 dias", detalha. Embora não exija mudanças radicais na rotina, o período demanda alguns cuidados. Atividades de alto impacto, como corrida e musculação intensa, costumam ser desaconselhadas, já que o aumento dos ovários pode trazer riscos. "Também é importante evitar álcool, tabaco e o uso de medicamentos sem orientação médica. Excesso de trabalho e ansiedade podem interferir negativamente no tratamento", alerta. A alimentação, por sua vez, não requer restrições severas, mas deve seguir princípios de uma dieta equilibrada. O médico recomenda o consumo diário adequado de proteínas, presentes em carnes magras, peixes, ovos e leguminosas, além de alimentos ricos em cálcio, como iogurte, queijos, amêndoas e vegetais verde-escuros. O folato, vitamina B9 essencial nesse processo, também merece atenção e pode ser encontrado em folhas verdes, frutas, leguminosas, castanhas e cereais. Em alguns casos, pode ser indicada a suplementação com metilfolato. "Manter uma boa hidratação ao longo do dia também é fundamental", conclui.