FBI barra escritório estadual de investigação sobre mulher morta por agente federal em Minneapolis

O Departamento de Apreensão Criminal de Minnesota, agência estadual de investigação forense, foi barrado das investigações envolvendo a morte de uma mulher, atingida por tiros disparados por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês) em Minneapolis, na quarta-feira. O episódio — nono envolvendo disparos de um agente do ICE nos últimos quatro meses — desencadeou uma onda de insatisfação no Estado americano, com novas manifestações nesta quinta-feira terminando em confronto entre policiais e manifestantes. Veja imagens: Vídeos contradizem versão do governo Trump sobre caso de mulher morta a tiros por agente do ICE Entenda o caso: Agente de imigração dos EUA mata mulher a tiros em Minneapolis; incidente provocou protestos pelo país A superintendência da agência estadual divulgou um comunicado nesta quinta-feira, afirmando que com a entrada do FBI na investigação, seus funcionários foram retirados imediatamente do trabalho. O desentendimento sobre competências acontece em meio a uma disputa que opõe os governos de Minnesota (estadual) e de Minneapolis (municipal) — liderados pelos democrata Tim Walz e Jacob Frey, respectivamente — e a Casa Branca de Donald Trump, enquanto manifestações tomam as ruas em atos contra a violência e a política de imigração de Trump. Initial plugin text Em uma manifestação à TV americana CNN, o procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, classificou o caso como "extremamente preocupante", e disse ter tentado alertar as autoridades federais sobre os danos à confiabilidade da investigação sem uma participação ampla de todos os órgão de investigação disponíveis — sobretudo em um cenário politizado. — Minha pergunta é: do que vocês têm medo? Por que temem uma investigação independente? — disse Ellison na manifestação mencionada pela rede americana. A disputa sobre a investigação acontecem em um momento em que novos protestos contra as forças federais são convocados, impulsionados pela morte de Renee Nicole Good, de 37 anos. Manifestantes entraram em confronto com forças de segurança em frente a um edifício federal na cidade de Saint Paul, vizinha a Minneapolis. A multidão barulhenta entoava slogans contra o ICE, quando os policiais avançaram detendo vários, incluindo um que atingiu um agente com um cartaz de papelão. Entre as forças federais atuando na repressão, veículos de imprensa americano confirmaram a presença de agentes da Patrulha da Fronteira. Os agentes usaram spray de pimenta, gás lacrimogêneo e munição não-letal contra a multidão, ao tentarem forçar os cidadãos para o lado oposto da rua onde está localizado o prédio federal. Vídeo mostra momento em que agente do ICE atira em mulher em Minneapolis Renee foi morta na quarta-feira, em um protesto contra a política de imigração de Trump, após ser abordada por agentes do ICE. Trump acusou a mulher de tentar atropelar o agente, embora imagens filmadas no local e no momento do incidente tenham provocado interpretações variadas sobre o caso. Ao menos por um ângulo, o agente parece estar fora da trajetória do veículo, no momento em que saca a arma e dispara a queima-roupa contra a motorista. Em meio à escalada de tensões, escolas públicas de Minneapolis cancelaram as aulas pelo resto da semana. As forças de segurança estão em alerta pela presença do secretário do Tesouro de Trump, Scott Bessent, que tem um discurso agendado para hoje no Economic Club of Minnesota — o que poderia atrair manifestantes. Algumas centenas de pessoas se reuniram no local do assassinato da mulher, na noite de quarta-feira, com um grupo ocupando e bloqueando um cruzamento e outro reunido perto de onde o carro, já sem qualquer controle, bateu. Alguns manifestantes entoavam cânticos em coro, incluindo "De quem são as ruas? Nossas ruas!" e "Fora, ICE!". Um memorial foi montado pelos manifestantes, e iluminado com velas. Flores, cartazes e uma cruz de madeira foram deixados no local em homenagem a Renee, descrita por parentes e pessoas da comunidade como uma pessoa carinhosa e disponível. Memorial montado em homenagem a Renee Nicole Good, morta por agente do ICE em Minneapolis Scott Olson/Getty Images/AFP Os protestos aumentaram depois que o governador democrata de Minnesota, Tim Walz, considerou um "dever patriótico" manifestar-se contra o assassinato. — O desejo de sair às ruas, protestar e denunciar a esta administração o quão errada ela está é um dever patriótico neste momento, mas precisa ser feito com segurança — disse Walz na quarta-feira. Agentes federais começaram a chegar à região de Minneapolis-St. Paul no início de dezembro, sob o que o ICE chamou de Operação "Metro Surge". O governo Trump afirmou esta semana que a operação envolverá até 2 mil agentes federais e já resultou em pelo menos 1,5 mil prisões. O limite e o escopo das operações federais autorizadas por Trump — que chegaram a outras regiões e cidades emblemáticas do país, como Los Angeles — tem sido alvo de recorrente questionamento por autoridades democratas e grupos da sociedade civil. Uma reportagem transmitida pela Rádio Pública de Minnesota informou que agentes armados da Patrulha da Fronteira teriam invadido as dependências de uma escola secundária em Minneapolis, abordando pessoas e algemando dois funcionários, além de terem usado armas com produtos químicos contra os presentes. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) lançou uma campanha de recrutamento no verão passado para adicionar 10 mil agentes do ICE ao contingente existente de 6 mil. Isso gerou críticas de que os novos agentes em campo não estavam recebendo treinamento suficiente. (Com AFP e Bloomberg)