Os Estados Unidos (EUA) estão atentos à possibilidade de uma onda de repressão do Irã contra os manifestantes que, desde o início do ano, protestam contra o governo local. A captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, em vez de desviar o foco, serviu para estimular a convicção do governo de Donald Trump, de que qualquer ameaça aos interesses norte-americanos será confrontada com firmeza. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste O próprio presidente norte-americano declarou, na quarta-feira 7, que se Teerã “matar violentamente manifestantes pacíficos, a América virá em seu socorro”. Fontes de inteligência de código aberto (OSINT) relataram um grande deslocamento de aeronaves da Força Aérea dos EUA em direção ao Oriente Médio. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Institute for the Study of War (@thestudyofwar) Isso, por si só, não significa que uma ofensiva esteja prestes a acontecer. Um reposicionamento comparável foi registrado no outono de 2025, quando aeronaves-tanque KC-135 foram enviadas do outro lado do Atlântico para a Base Aérea de Al-Udeid, no Catar. O movimento não resultou em ações militares. Desta vez, no entanto, a percepção entre autoridades israelenses e norte-americanas, é de que a chance de um novo ataque dos EUA, com uma possível participação de Israel, está em um nível elevado. Em 4 de janeiro de 2026, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que Israel apoia as “aspirações à liberdade e à justiça” dos manifestantes iranianos e observou que a situação foi discutida com o presidente norte-americano. No dia seguinte, as Forças de Defesa de Israel (FDI) lançaram ataques contra o que identificaram como infraestrutura militar do Hezbollah e do Hamas no Líbano, aliados do Irã, emitindo ordens de evacuação para aldeias fronteiriças antes das operações. Em Teerã, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reafirmou nesta quinta-feira, 8, que o país não deseja guerra, mas está pronto para se defender caso seja atacado novamente. Ele ressaltou, segundo a Reuters, que as negociações com os EUA sobre o programa nuclear iraniano só serão aceitáveis se baseadas em respeito e interesses mútuos, evitando imposições. “Os EUA e Israel testaram um ataque contra o Irã, e esse ataque e essa estratégia enfrentaram um fracasso extremo", afirmou Araghchi, em referência à ofensiva de junho último, que destruiu boa parte da infraestrutura nuclear iraniana. "Se repetirem, terão os mesmos resultados." Araghchi deu a declaração durante visita de dois dias ao Líbano. “Estamos prontos para qualquer cenário. Não desejamos uma guerra, mas estamos preparados para ela.” A visita a Beirute também teve como objetivo discutir os “desafios e ameaças” de Israel à segurança regional e fortalecer os laços bilaterais do Irã com o Líbano. Araghchi viajou acompanhado de uma delegação econômica, depois de o ministro libanês das Relações Exteriores, Youssef Raji, ter recusado visitar Teerã, propondo que conversas fossem realizadas em um país neutro. Raji enfatizou que a recusa não significava o encerramento do diálogo com o Irã. Irã tem manifestações monitoradas pelos EUA O contexto do Levante iraniano, iniciado nos últimos dias de 2025, também se conecta com os eventos na Venezuela. À medida que crescem os protestos em Teerã, há uma percepção de que o sucesso da operação norte-americana em Caracas serve como demonstração de que Washington está disposto a apoiar pressões contra regimes aliados ao Irã. Leia mais: "Trump adverte Irã a não reagir com violência a protestos" Araghchi, em resposta às tensões, disse que negociações construtivas, e não imposições, podem gerar resultados positivos. “Acreditamos que, quando os norte-americanos chegarem à conclusão de que negociações construtivas e positivas, e não ordens ou imposições, são o caminho, então os resultados dessas negociações se tornarão frutíferos.” O clima de incerteza também atinge o setor de segurança iraniano. O chefe militar do país emitiu um alerta, afirmando que qualquer intensificação da retórica hostil contra o Irã será considerada uma ameaça e receberá resposta. Enquanto isso, a população do país questiona se o líder supremo Ali Khamenei enfrentará consequências semelhantes às de Maduro, levando rumores sobre seu possível isolamento. A violência nos protestos no Irã aumentou a partir de 1º de janeiro, sobretudo em cidades menores e regiões rurais. Foi justamente nesses locais que as forças de segurança passaram a agir com mais dureza, resultando na morte de manifestantes. As informações são do Critical Threats Project (CTP), pertencente ao American Enterprise Institute for Public Policy Research, e do Institute for the Study of War (ISW). Há registros de pessoas mortas por agentes do Estado em Kuhdasht e Azna, na província de Lorestan; em Fuladshahr, no estado de Esfahan; em Marvdasht, na província de Fars; e em Lordegan, localizada em Chaharmahal e Bakhtiari. Dias antes, em 31 de dezembro, policiais e forças de segurança já haviam disparado munição real contra protestos em Fasa, no sul do país, e também em Kuhdasht. O foco da repressão fora dos grandes centros não é aleatório. Nessas áreas, o governo enfrenta mais dificuldade para conter manifestações e manter o controle, o que ajuda a explicar o uso mais frequente de força letal. A escalada da repressão coincide com a intensificação dos atos e revela a perda de domínio do regime em regiões afastadas das capitais. O post Irã se prepara para possível ataque dos EUA apareceu primeiro em Revista Oeste .