O Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta quinta-feira (8), uma resolução que impede o presidente Donald Trump de tomar novas medidas militares contra a Venezuela sem autorização do Congresso. A votação sobre uma medida processual para dar prosseguimento à resolução sobre os poderes de guerra terminou com 52 votos a favor e 47 contra. Cinco senadores republicanos votaram com todos os democratas a favor do avanço da proposta. Em um post na rede Truth Social, o presidente americano criticou os colegas de partido e expôs seus nomes, afirmando : "Susan Collins, Lisa Murkowski, Rand Paul, Josh Hawley e Todd Young jamais deveriam ser eleitos para cargos públicos novamente". Trump: EUA devem 'administrar' Venezuela por 'vários anos' Trump diz que EUA vão administrar Venezuela por anos O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que seu governo deve seguir "administrando" a Venezuela e extraindo petróleo das reservas do país latino-americano "por muitos anos". ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Trump fez a declaração em uma entrevista ao jornal norte-americano "The New York Times" publicada nesta quinta-feira (8) (leia mais sobre a entrevista abaixo). O republicano disse ainda que o governo interino da Venezuela, assumido pela vice-presidente de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez, "está nos dando tudo o que consideramos necessário por enquanto". "Só o tempo vai dizer", disse o presidente norte-americano, ao ser questionado sobre quantos anos a ingerência de Washington sobre Caracas vai durar. “Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso", afirmou Trump na entrevista. Ao ser questionado por que preferiu apoiar a agora presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no lugar de incentivar que a oposição tomasse o poder no país, o presidente dos EUA negou responder. Entrevista ao NYT Donald Trump durante evento com republicanos, em janeiro de 2026 NICOLE COMBEAU/POOL/EPA/Shutterstock Segundo o "The New York Times", a entrevista com Trump foi "notável e ampla" e tratou de diversos temas, como a Venezuela, suas investidas contra imigrantes nos EUA e também para tomar a Groenlândia, divisões em sua coalizão Maga, sua saúde, e "se o direito internacional se aplica a ele". Trump ficou sabendo durante a entrevista da morte de uma moradora de Minneapolis por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês). O presidente assistiu ao vídeo do incidente na frente dos repórteres no Salão Oval pelo notebook de uma assessora, segundo o jornal. Ao mesmo tempo que disse "não querer ver ninguém ser baleado", Trump acusou a mulher de "tentar atropelar um policial". Nesse momento, ele foi confrontado pelos repórteres do NYT, que disseram que o vídeo do incidente não mostrava isso. A morte de Renee Nicole Good, de 37 anos, gerou revolta por todo o país e jogou luz sobre a truculência dos agentes do ICE no cumprimento das políticas repressoras contra imigrantes adotadas por Trump em seu 2º mandato. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, adotou a mesma retórica de Trump para descrever o episódio. Os repórteres também acompanharam a conversa telefônica que Trump teve com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, após semanas de rusgas públicas —o conteúdo da ligação, no entanto, não pôde ser reproduzido pelo jornal. De qualquer maneira, o líder norte-americano disse nas redes sociais que o diálogo foi produtivo e que convidou Petro para ir à Casa Branca em breve. Trump expulsa organizações Trump assina decreto que determina a retirada dos EUA de 66 organizações internacionais Na quarta-feira (7) uma proclamação retirando os Estados Unidos de 35 organizações não pertencentes às Nações Unidas e de 31 entidades da ONU. Segundo um comunicado da Casa Branca, a saída dos organismos ocorre porque, segundo Washington, eles "operam contrariamente aos interesses nacionais dos EUA". A maioria dos alvos são agências, comissões e painéis consultivos ligados à ONU que se concentram em questões climáticas, trabalhistas e outras que o governo Trump classificou como voltadas para iniciativas de diversidade e "woke". Entre elas, estão: Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres); Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC); Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD); Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). O governo Trump já havia suspendido o apoio a agências como a Organização Mundial da Saúde, a UNRWA (Agência das Nações Unidas para a Refugiados da Palestina), o Conselho de Direitos Humanos da ONU e a UNESCO (Agência das Nações Unidas para a Cultura) O republicano passou a adotar uma abordagem mais seletiva para o pagamento de suas contribuições à ONU, escolhendo quais operações e agências considera alinhadas à agenda de Trump e quais não servem mais aos interesses dos EUA. “Acho que o que estamos vendo é a cristalização da abordagem dos EUA ao multilateralismo, que é ‘ou do meu jeito ou nada feito’”, disse Daniel Forti, analista sênior da ONU no International Crisis Group. “É uma visão muito clara de querer cooperação internacional nos termos de Washington.” Isso representa uma grande mudança em relação à forma como administrações anteriores — tanto republicanas quanto democratas — lidaram com a ONU, e forçou a organização, que já passava por sua própria reestruturação interna, a responder com uma série de cortes de pessoal e programas. Muitas organizações não governamentais independentes — algumas que trabalham com as Nações Unidas — relataram o encerramento de diversos projetos em decorrência da decisão do governo americano, no ano passado, de cortar drasticamente a ajuda externa por meio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), encerrada por Trump.