Ações da Azul despencam mais de 70% nesta quarta; entenda

As ações da Azul despencavam mais de 70% perto das 15h30 desta quinta-feira (8). Com isso, os papéis da companhia acumulavam queda superior a 90% em cinco dias. A forte desvalorização dos papéis na bolsa reflete o início da oferta pública de ações ordinárias (com direito a voto) e preferenciais (sem direito a voto), feita pela companhia como parte de seu plano de reestruturação. Segundo comunicado divulgado pela Azul em dezembro, quando a decisão de vender as ações foi anunciada ao mercado, o objetivo da oferta é a capitalização da companhia por meio da “troca obrigatória de dívidas financeiras”. Veja os vídeos em alta no g1 Veja os vídeos que estão em alta no g1 Na prática, isso significa que parte das dívidas da empresa está sendo convertida em ações. Ou seja, os credores deixam de receber os juros e passam a se tornar acionistas. A medida contribui para reduzir o endividamento e abre espaço para uma reorganização financeira por parte da Azul. De acordo com a companhia, a operação resultou em uma oferta de R$ 7,4 bilhões em ações — fator que ajuda a explicar a forte queda dos papéis da empresa nesta quinta-feira. Para viabilizar a operação, foram emitidas 723,9 bilhões de ações ordinárias e o mesmo volume de ações preferenciais, vendidas em lotes de 1 mil e 10 mil papéis. Recuperação judicial A Justiça americana aprovou o plano de reorganização da Azul em dezembro do ano passado, marcando a conclusão de mais uma etapa do processo de recuperação judicial da companhia. “Essa decisão reforça a consistência geral da reestruturação proposta, permitindo que a companhia avance para as próximas fases de implementação”, disse a empresa em comunicado divulgado em 12 dezembro. A Azul entrou com pedido de proteção sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos, também conhecido como “Chapter 11”, em maio do ano passado. O mecanismo é semelhante ao processo de recuperação judicial adotado no Brasil. O processo de reestruturação previsto no Chapter 11 estabelece os termos para a reorganização das obrigações financeiras e operacionais da companhia. Segundo a empresa, a entrada no mecanismo de proteção ocorreu após a Azul enfrentar “efeitos profundos da pandemia de Covid‑19, combinados a pressões macroeconômicas e setoriais" que elevaram significativamente seu endividamento. “Em meio à instabilidade econômica e política no Brasil, a companhia adotou diversas medidas de reestruturação e captação de recursos entre 2020 e 2025, culminando no protocolo do Chapter 11 em maio de 2025”, disse a empresa. Capítulo 11: entenda o que é o mecanismo e a diferença para a recuperação judicial brasileira Outras empresas do setor já passaram por isso A Azul não foi a primeira companhia do setor aéreo brasileiro a recorrer à recuperação judicial: Gol e Latam também já passaram por processos semelhantes. A Gol, por exemplo, adotou a medida em 2024, diante de dívidas estimadas em R$ 20 bilhões, enquanto a Latam recorreu ao mecanismo em 2020. Como o g1 já mostrou, o aumento no volume de pedidos de recuperação judicial no setor aéreo reflete uma série de fatores, como: A desvalorização do real frente ao dólar; Os altos custos operacionais; O aumento nos preços de combustíveis; e O acúmulo de prejuízos desde o início da pandemia de Covid-19. A Latam concluiu seu processo de Chapter 11 em 2022, enquanto a Gol saiu oficialmente do procedimento em junho de 2025. No caso da Azul, a expectativa da empresa é concluir o processo ainda neste ano. Aeronave A321M Azul Linhas Aéreas Azul Linhas Aéreas/Divulgação