China deve aprovar importação de chips da americana Nvidia, mas com veto ao uso militar

A China planeja aprovar algumas importações dos chips H200 da Nvidia já a partir deste trimestre, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, o que devolveria à empresa acesso a um mercado crucial. De acordo com as fontes, que pediram para não ser identificadas, autoridades chinesas estão se preparando para permitir que empresas locais comprem o componente da Nvidia para usos comerciais específicos. David Sacks: China 'rejeita' os chips H200 da Nvidia e dribla a estratégia americana, diz 'czar' de IA da Casa Branca Na CES 2026: Nvidia lança novas ferramentas de IA para carros autônomos e robôs No entanto, o chip H200 será proibido para uso militar, por agências governamentais sensíveis, em infraestruturas críticas e por empresas estatais, devido a preocupações de segurança, afirmaram. Isso reflete medidas semelhantes que o governo chinês adotou em relação a produtos estrangeiros, como dispositivos da Apple e chips da Micron Technology. Se essas organizações ainda solicitarem o uso do componente, seus pedidos serão analisados caso a caso, acrescentaram as fontes. Mesmo com essas ressalvas, a medida representa uma grande vitória para a Nvidia. A China é o maior mercado de semicondutores do mundo, e o diretor-executivo da empresa, Jensen Huang, já afirmou que apenas o segmento de chips para IA pode gerar US$ 50 bilhões nos próximos anos. Na ausência da empresa americana, rivais locais como a Huawei e a Cambricon Technologies prosperaram e planejam aumentar fortemente a produção em 2026. Initial plugin text O H200 é um chip de geração mais antiga que o governo Trump afirmou poder ser exportado para a China. O governo dos EUA restringe a venda de processadores mais avançados por motivos de segurança nacional. A Nvidia é a principal fabricante de aceleradores de inteligência artificial — os chips que ajudam a desenvolver e executar modelos de IA —, altamente cobiçados por operadores de data centers em todo o mundo. Embora os EUA tenham permitido as exportações, o governo chinês ainda está deliberando como e se permitirá que empresas chinesas comprem e recebam os chips H200. Recentemente, autoridades pediram que algumas empresas suspendam pedidos até que as regras sejam finalizadas. De acordo com a Reuters, Pequim está avaliando quantos chips produzidos localmente cada comprador deve adquirir junto com os H200, o que significa que ainda não há uma autorização ampla e imediata para importação em grande escala. Interesse das gigantes chinesas Alibaba e ByteDance disseram à Nvidia, em conversas privadas, que têm interesse em encomendar mais de 200 mil unidades cada do H200, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto. Ambas as empresas — ao lado de startups chinesas de destaque, como a DeepSeek — estão atualizando rapidamente seus modelos para competir com a OpenAI e outros rivais americanos. Robôs têm talento: Veja as habilidades que os humanoides estão exibindo na CES 2026, maior feira de eletrônicos do mundo Não está claro o que Pequim vai considerar infraestrutura crítica, além das áreas mais óbvias, como redes militares ou governamentais. Empresas do setor privado, como Alibaba ou Baidu, normalmente fornecem serviços de computação a uma ampla gama de estatais e órgãos governamentais, de forma semelhante ao que Amazon ou Microsoft fazem com entidades federais dos EUA. O desenvolvimento de semicondutores avançados e modelos de inteligência artificial é uma prioridade máxima para a China, e o país prometeu se unir como nação para vencer uma corrida tecnológica com os Estados Unidos. Durante a CES 2026, a maior feira de eletroeletrônicos do mundo que acontece esta semana em Las Vegas, executivos da Nvidia disseram que há forte demanda de clientes chineses pelo H200. No entanto, indicaram que a empresa não falou diretamente com Pequim sobre a aprovação e não sabe quando a China pode autorizar as vendas. Acrescentaram que pedidos de licença foram apresentados a Washington e que os últimos detalhes da aprovação do governo dos EUA estão sendo finalizados. Jensen Huang: China 'vai ganhar a corrida da IA', alerta CEO da Nvidia A Nvidia se recusou a comentar além das declarações feitas na CES. O Ministério do Comércio da China não respondeu a um pedido de comentário enviado por fax. Alibaba e ByteDance não responderam a pedidos de comentário enviados por e-mail. Pagamento adiantado A Nvidia está exigindo pagamento integral antecipado de clientes chineses que buscam seus chips H200. Segundo fontes citadas pela Reuters, esta seria uma forma de a empresa se proteger da incerteza contínua sobre a aprovação de Pequim para o envio de remessas desse modelo de chip. De acordo com a reportagem, a fabricante americana de chips impôs condições excepcionalmente rigorosas, exigindo pagamento total pelos pedidos, sem possibilidade de cancelamento, solicitação de reembolso ou alteração de configuração após a realização da encomenda. Em circunstâncias especiais, acrescentou uma das fontes à Reuters, os clientes podem oferecer seguro comercial ou ativos como garantia em substituição ao pagamento em dinheiro. Nvidia vira a primeira empresa de US$ 5 trilhões: Entenda o que impulsionou a disparada A agência lembra que os termos padrão da Nvidia para clientes chineses já incluíam anteriormente exigências de pagamento antecipado, mas às vezes era permitido fazer apenas um depósito, em vez do pagamento integral à vista, disse a fonte. No entanto, no caso do H200, a empresa de Jensen Huang tem sido particularmente rigorosa na aplicação das condições, diante da falta de clareza sobre se os reguladores chineses aprovariam as remessas. Galerias Relacionadas A Nvidia enfrenta, desde 2022, um bloqueio efetivo para vender seu melhor hardware de IA a clientes no país asiático, restrições impostas por temores de que esses semicondutores pudessem dar a Pequim uma vantagem militar. As regras, que os formuladores de políticas dos EUA endureceram várias vezes, levaram a participação de mercado da Nvidia na China de um pico de 95% para zero, segundo Huang. Ele também afirmou que o governo americano não precisa se preocupar com o uso de chips da Nvidia pelo Exército chinês. Mesmo com as restrições, a perspectiva geral de vendas da empresa continua a crescer. Em outubro, a Nvidia projetou cerca de meio trilhão de dólares em receita com chips atuais e futuros para data centers até o fim de 2026. A fabricante de chips disse nesta semana que agora está prestes a superar essa meta. Com US$ 5 tri: Nvidia já vale mais que quase todos os PIBs do planeta No início de dezembro, o presidente dos EUA, Donald Trump, reverteu uma proibição anterior e concedeu à Nvidia permissão para enviar seu chip H200 à China em troca de uma sobretaxa de 25%, uma medida que permite à empresa mais valiosa do mundo potencialmente recuperar bilhões de dólares em negócios perdidos nesse mercado. O H200 foi apresentado em 2023 e começou a ser enviado a clientes no ano seguinte. Ele faz parte da geração Hopper de chips da Nvidia, ficando atrás apenas da linha Blackwell e duas gerações atrás da futura série Rubin. Um atraso de 18 meses em relação aos chips mais recentes da Nvidia foi parte da justificativa do governo Trump para permitir sua exportação à China. No entanto, Pequim não indicou publicamente se permitirá a importação do H200. O país está amplamente focado em uma estratégia de autossuficiência para fortalecer sua capacidade de fabricação de chips, iniciativa que inclui a preparação de uma nova rodada de incentivos de até US$ 70 bilhões para o setor. Ampliando investimentos: Alibaba anuncia planos de instalar data centers no Brasil e outros países, além de parceria com Nvidia Em meados de 2025, autoridades chinesas instaram empresas locais a evitar o uso dos processadores H20, menos potentes, da Nvidia — um acelerador de IA que os EUA haviam autorizado anteriormente a ser enviado à China. A agência chinesa de ciberespaço também disse a empresas como a Alibaba para suspender pedidos do RTX Pro 6000D da Nvidia, um chip para estações de trabalho que pode ser reaproveitado para aplicações de IA. Rivais da Nvidia já avançam Enquanto isso, rivais da Nvidia na China estão avançando. A Huawei e sua parceira de fabricação Semiconductor Manufacturing International aprimoraram sua tecnologia de produção de chips, apesar das tentativas dos EUA de limitar seu progresso. O processador Kirin 9030 — parte do mais recente smartphone topo de linha Mate 80 Pro Max, da Huawei — foi produzido usando uma versão evoluída da tecnologia da SMIC, segundo constatou a empresa de pesquisa TechInsights. A Cambricon, concorrente menor da Huawei, também planeja mais que triplicar sua produção de chips de IA em 2026, com o objetivo de expandir sua participação no mercado chinês e preencher o vazio deixado pela Nvidia. Ainda assim, os aceleradores de IA da Nvidia são considerados o padrão ouro da indústria, e alguns dos produtos mais antigos da empresa continuam sendo mais potentes do que as ofertas mais recentes da Huawei — especialmente quando comparados chip a chip.