Após 13 dias, Rio Acre sai da cota de atenção em Rio Branco

Rio Acre marcou 9,81 na medição das 9h na manhã desta quinta-feira (8) De Olho no Rio / Prefeitura de Rio Branco Após permanecer 13 dias acima da cota de atenção em Rio Branco, o Rio Acre saiu da marca nesta quinta-feira (8), segundo dados da Defesa Civil Municipal. Na medição feita às 6h, o manancial marcou 9,89 metros. De acordo com o monitoramento oficial, o rio estava abaixo da cota de atenção no dia 26 de dezembro do ano passado, quando registrou 9,28 metros. No entanto, na manhã do dia seguinte (27), o nível subiu para 13,73 metros na medição das 6h e atingiu a cota de transbordo, fixada em 14 metros, ainda ao longo do dia. Participe do canal do g1 AC no WhatsApp No dia 31, o rio marcou 14,88 metros e permaneceu acima da cota de transbordo. Ao todo, o manancial ficou cinco dias acima dos 14 metros, entre 27 e 31 de dezembro, período em que a cheia atingiu dezenas de bairros da capital, além de comunidades rurais. Na última quinta (1º), o manancial saiu da cota de transbordo e marcou 13,94 metros. As medições seguintes foram de redução, saindo da cota de alerta na medição das 18h daquele dia, quando chegou a 13,42 metros. O que explica a chuva atípica em Rio Branco que fez Rio Acre transbordar em dezembro As cotas estabelecidas pela Defesa Civil para o Rio Acre são: ⚠️ Atenção: 10 metros Alerta: 13,50 metros ❗ Transbordamento: 14 metros Apesar do recuo, a Defesa Civil reforça que o cenário segue sendo monitorado, pois a elevação rápida do nível do rio ocorreu em meio ao dezembro mais chuvoso já registrado na capital. Ainda de acordo com dados do órgão, foram acumulados 561,6 milímetros de chuva ao longo do mês, mais que o dobro do esperado para o período, que era de 268,4 mm. Galerias Relacionadas A média diária de chuvas ficou em 18,1 mm, quando o normal seria entre 8 e 9 mm por dia. O volume excessivo de chuva explica o transbordamento do Rio Acre e os estragos registrados na capital. O meteorologista e professor da Universidade Federal do Acre (Ufac), Rafael Coll Delgado, explicou que o evento foi causado pela atuação de um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), sistema atmosférico incomum na Região Norte. LEIA MAIS: Abrigos são desmobilizados após fim da cheia em Rio Branco e famílias seguem para aluguel social Por que Rio Branco teve enchente histórica em dezembro? Entenda fenômeno que causou fortes chuvas Segundo o especialista, o VCAN favoreceu a formação de nuvens profundas e tempestades severas, com chuvas concentradas em curto período. Durante a cheia, mais de 20 mil pessoas foram atingidas, cenário considerado atípico para o mês de dezembro e que não se repetia havia cerca de 50 anos, segundo a Defesa Civil. Imagens de satélite indicaram nuvens com desenvolvimento vertical extremo, o que explica os altos volumes de precipitação registrados na capital e em municípios do interior. Equipes de limpeza da Prefeitura de Rio Branco começaram a retirar a lama e entulhos dos bairros Arquivo/Prefeitura de Rio Branco Abrigos desmobilizados e limpezas Com a redução do nível do rio, todos os sete abrigos utilizados durante a cheia foram desmobilizados até a última terça-feira (6), segundo a Defesa Civil. Ao todo, 103 famílias, somando mais de 390 pessoas, ficaram desabrigadas devido à enchente do Rio Acre e à enxurrada de igarapés urbanos. Parte das famílias começou a retornar para casa ainda no dia 31 de dezembro. No entanto, 11 famílias seguem no aluguel social, pois não têm condições de retornar aos imóveis atingidos. A limpeza das áreas afetadas foi concluída e retirou cerca de 300 toneladas de resíduos por dia, ao longo de cinco dias de trabalho. Um levantamento da Defesa Civil aponta 13 edificações comprometidas, sendo três casas irrecuperáveis. VÍDEOS: g1