'Só vão retornar cargos técnicos', diz presidente da Alerj após exoneração de 206 servidores

O presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Guilherme Delaroli (PL), afirmou ao GLOBO que está reavaliando parte das exonerações que atingiram 206 servidores comissionados da Casa no último dia 6 de janeiro. Segundo ele, apenas funções consideradas de natureza técnica poderão ser restabelecidas, após análise individualizada feita a partir de reuniões com chefes de departamento. Delaroli tem até 30 dias para tornar as exonerações sem efeito e já sinalizou que fará isso aos poucos. Geneviève Boghici quebra silêncio e diz que filha Sabine não se matou: 'Foi manipulada e morta' Funcionários mortos identificaram 'potencial risco de incêndio' na Bell'art e Shopping Tijuca notificou loja dias antes da tragédia — Estou analisando cada caso. Só vão retornar cargos técnicos. Agora, cargos que eram indicados apenas para cumprir favor político, não — afirmou Delaroli. De acordo com o presidente em exercício da Assembleia, o objetivo é separar funções essenciais ao funcionamento administrativo da Alerj dos cargos ocupados exclusivamente por indicação política de gestões anteriores. Para isso, Delaroli diz ter iniciado uma rodada de conversas com diretores e chefes de setores, a fim de mapear quais posições são indispensáveis para a rotina da Casa. A exoneração em massa foi publicada em um Diário Oficial extra no dia 6 e atingiu indicações ligadas a nomes centrais da política fluminense. Entre os desligados estão comissionados indicados por ex-presidentes da Alerj, como Paulo Melo e Sérgio Cabral. Também foram exonerados Marco Antônio Neves Cabral e Suzana Neves Cabral, respectivamente filho e ex-esposa do ex-governador. Sérgio Cabral ao lado do filho, Marco Antônio Reprodução / Instagram Levantamento interno aponta que a lista inclui 47 indicações atribuídas a Paulo Melo, 17 ligadas a Sérgio Cabral — incluindo familiares — e cerca de 62 nomes indicados por André Ceciliano, atual secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal e também ex-presidente da Assembleia. Nos bastidores, a avaliação é de que a varredura está longe de terminar. Circula entre deputados e servidores a informação de que cerca de mil cargos ainda estão sob análise e podem ser alvo de novos cortes, à medida que a atual gestão revisa contratos, funções e vínculos administrativos herdados. Após incêndio no Shopping Tijuca, 14 lojas ficaram destruídas; centro comercial vai reabrir com espaços interditados e reforço nos brigadistas Interlocutores afirmam que ex-presidentes da Casa tentaram contato com Delaroli após a publicação das exonerações, mas não foram atendidos. Deputados ouvidos pela reportagem dizem que o presidente em exercício já havia sinalizado, desde que assumiu o comando interino da Alerj, que não daria continuidade ao modelo anterior de distribuição de cargos e que pretende imprimir uma nova orientação administrativa à Casa. A postura mais rígida ocorre em meio a um período de rearranjo político na Assembleia, após o afastamento do então presidente Rodrigo Bacellar, e tem sido interpretada por parlamentares como um esforço de Delaroli para marcar posição e diferenciar sua gestão das anteriores, sobretudo no que diz respeito à ocupação de cargos comissionados e ao peso das indicações políticas na estrutura do Legislativo fluminense.