Pressão do Brasil pela libertação de presos na Venezuela aumentou após eleição fraudada de Maduro

O agradecimento nominal feito pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela recente decisão de libertar um “número importante” de presos políticos é interpretado, em Brasília, como reflexo de uma demanda permanente do governo brasileiro em favor de gestos humanitários por parte de Caracas. Segundo interlocutores envolvidos com o tema, desde o início do atual mandato de Lula o Brasil tem sustentado, de forma reiterada, que a libertação de presos por motivação política é condição essencial para qualquer processo de redução de tensões internas na Venezuela e para a normalização de suas relações com países vizinhos e com a comunidade internacional. Integrantes do Itamaraty relatam que, ao longo desse período, o governo Lula tem buscado convencer o Palácio de Miraflores de que gestos dessa natureza são fundamentais para criar um ambiente mínimo de confiança política. Os apelos se intensificaram em meados de 2024, quando Nicolás Maduro foi declarado presidente eleito da Venezuela, embora jamais tenha apresentado provas de sua vitória. Essa posição foi defendida pelo Brasil em contatos bilaterais, em reuniões multilaterais e em iniciativas de mediação, "nas quais o país procurou se apresentar como um interlocutor disposto ao diálogo, sem abrir mão da defesa de princípios como direitos humanos, convivência pacífica e estabilidade regional", resumiu um graduado embaixador. O anúncio da libertação foi feito por Jorge Rodríguez nesta quinta-feira, em declarações à imprensa no Palácio Legislativo, em Caracas. Segundo ele, a decisão foi tomada “em prol da convivência pacífica” e de forma unilateral pelo governo bolivariano, sem negociação com outras partes. Rodríguez afirmou ainda que os processos de libertação “estão ocorrendo desde este preciso momento”. Ao comentar a medida, o chefe do Parlamento venezuelano agradeceu nominalmente ao ex-presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, ao presidente Lula e ao governo do Catar, que, segundo ele, “atenderam prontamente” a um pedido da presidente interina da Venezuela para contribuir com o processo. — É um gesto unilateral do governo bolivariano — afirmou Rodríguez. O anúncio ocorre em um contexto de intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. Por ordem do presidente Donald Trump, forças militares atacaram o país vizinho no último sábado e levaram o então presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores para serem julgados em território americano por narcotráfico e outros crimes. Antes disso, já havia forte pressão internacional e de uma demanda antiga de organizações de direitos humanos e da oposição venezuelana pelo fim da prisão de opositores e críticos do governo. Embora Rodríguez não tenha informado quantos presos serão libertados nem divulgado seus nomes, a iniciativa é vista como uma tentativa de reduzir tensões internas e externas. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre os critérios adotados para a seleção dos presos beneficiados nem sobre o cronograma completo das libertações. Antes do anúncio, organizações como a ONG Fórum Penal estimavam que centenas de pessoas permaneciam detidas na Venezuela por motivos políticos.