IA poderia traduzir sete idiomas antigos que a ciência nunca conseguiu decifrar? Entenda

Desde que as primeiras civilizações começaram a deixar registros escritos, a escrita se tornou uma das principais ferramentas para preservar a memória coletiva. Graças a ela, hoje é possível reconstruir leis, rituais, relatos religiosos e formas de organização social de culturas que desapareceram há milhares de anos. No entanto, nem todas essas mensagens do passado puderam ser lidas. Possível violação de leis: Reino Unido investiga X após denúncias de uso do Grok por criar imagens sexualizadas de mulheres e crianças ChatGPT, Gemini e Grok: Ferramentas de IA falham no teste de deepfakes de Nicolás Maduro Ainda hoje, apesar dos avanços da tecnologia, arqueólogos e linguistas se deparam com textos que resistem a qualquer tentativa de interpretação. Não se trata de simples inscrições danificadas, mas de línguas e sistemas de escrita completos cujo significado permanece desconhecido. A ausência de traduções paralelas, a escassez de documentos e o desaparecimento das culturas que os produziram transformaram esses idiomas em alguns dos grandes enigmas da história. Moai, enorme estátua de pedra localizada na ilha de Rapa Nui Marizilda Cruppe / Agência O Globo Escrita ístmica: um quebra-cabeça mesoamericano No sul do atual México foram encontradas inscrições ístmicas, atribuídas à cultura Olmeca, que teria florescido entre os séculos III antes de Cristo e III depois de Cristo. Os sinais demonstram uma clara intenção linguística, mas o número de textos preservados é reduzido. Sem um corpus amplo, torna-se quase impossível identificar padrões gramaticais ou fonéticos que permitam uma tradução confiável. Rongo-rongo: os sinais mudos de Rapa Nui As tábuas de madeira conhecidas como rongo-rongo contêm fileiras de glifos entalhados que parecem relatar algo mais do que simples decorações. Descobertas no século XIX em Rapa Nui — anteriormente conhecida como Ilha de Páscoa —, constituem um dos poucos sistemas de escrita desenvolvidos de forma independente no Pacífico. O desaparecimento da tradição oral que poderia explicar sua leitura deixou esses símbolos sem intérpretes. Linear A: a língua perdida dos minoicos Muito antes da Grécia clássica, a civilização minoica utilizou o sistema conhecido como Linear A. Embora visualmente apresente semelhanças com o Linear B — que foi decifrado e corresponde ao grego antigo —, o idioma por trás do Linear A não pertence a nenhuma língua conhecida. A maioria dos textos parece ser de registros administrativos, mas seu conteúdo exato continua sendo uma incógnita. O Disco de Festo: uma mensagem única Encontrado em Creta no início do século XX, o Disco de Festo é uma peça singular. Seus símbolos estão dispostos em espiral e foram impressos, não gravados, o que sugere um método de produção avançado para a época. O principal obstáculo é que não existe nenhum outro objeto semelhante, o que impede qualquer comparação que facilite sua interpretação. Etrusco: é possível ler, mas não compreender totalmente O etrusco ocupa um lugar particular entre as línguas indecifradas. Seu alfabeto pode ser lido porque deriva do grego, mas a língua não está relacionada ao latim nem a outras línguas indo-europeias conhecidas. Como resultado, muitas inscrições podem ser pronunciadas, mas seu significado completo permanece fora de alcance. Protoelamita: as primeiras tentativas de escrita Na região que hoje corresponde ao Irã desenvolveu-se o protoelamita, um dos sistemas de escrita mais antigos conhecidos. Ele aparece principalmente em tábuas administrativas, com sinais numéricos e símbolos recorrentes. Embora os pesquisadores tenham identificado alguns padrões, a língua subjacente continua sendo desconhecida. O mistério do Vale do Indo As inscrições do Vale do Indo, encontradas em selos e pequenos objetos, apresentam sequências curtas de sinais. Essa brevidade, somada à falta de textos bilíngues, impediu confirmar se se trata de uma língua completa ou de um sistema simbólico com outro propósito. Ainda assim, muitos especialistas consideram que ela pode esconder uma língua ainda não revelada. Por que continuam sendo um enigma? A maioria dessas escrituras compartilha problemas comuns: poucos textos preservados, ausência de traduções paralelas e línguas que não deixaram descendentes vivos. Diferentemente dos hieróglifos egípcios, que puderam ser decifrados graças à Pedra de Roseta, esses sistemas carecem de uma chave comparável.