O comando do Ministério da Justiça (MJ) passará a ser exercido interinamente pelo secretário-executivo da pasta, Manoel Carlos de Almeida Neto, após a saída de Ricardo Lewandowski. O ministro entregou ontem ao presidente Lula sua carta de demissão, em uma conversa antes da cerimônia no Palácio do Planalto que marcou os três anos dos ataques golpistas do oito de janeiro. Apesar da saída, integrantes da equipe dele deverão permanecer em seus postos até a indicação do próximo ministro pelo presidente, como informou o colunista do GLOBO Lauro Jardim. Entre os que devem permanecer vinculados à pasta, o secretário executivo estará à frente do ministério durante o período de escolha de um substituto para o ministro. Antes de se tornar o número 2 no MJ, Manoel Carlos exerceu por oito anos o cargo de diretor jurídico da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). Ele também foi procurador-geral municipal, secretário-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e, em 2014, se tornou secretário-geral do Supremo Tribunal Federal (STF). Próximo a Lewandowski, também foi assessor dele na Corte e, posteriormente, convidado a integrar a gestão dele no MJ. A integrantes de sua equipe, o ministro vinha sinalizando que deixaria o posto até esta sexta-feira, mesmo após o pedido feito por Lula para que ele permanecesse no cargo até o fim do mês. Lewandowski ficou à frente da pasta por dois anos e enfrentou crises provocadas pela fuga de presos do presídio de Mossoró (RN). No mesmo período, ele também acompanhou a conclusão da investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, morta em 2018, e da prisão dos acusados de serem mandantes do crime, o deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) e o conselheiro do TCE-RJ Domingos Brazão. Lewandowski, no entanto, não conseguiu a aprovação no Congresso da PEC da Segurança, principal proposta legislativa de sua gestão, e teve desgastes com a Casa Civil por conta do projeto. Como mostrou o GLOBO, após o MJ terminar a elaboração da proposição em dezembro de 2024, o texto permaneceu parado por meses na pasta comandada por Rui Costa, que questionou pontos como, por exemplo, o empoderamento da Polícia Federal e a necessidade de reforço orçamentário para aumentar o efetivo policial. O texto só foi mandado para o Congresso em abril e até hoje não foi aprovado. Lewandowski se mostrou mais contrariado, segundo integrantes do governo, quando surgiu a ideia de criar uma secretaria extraordinária vinculada à Casa Civil para concentrar as ações do governo na área da segurança pública. A proposta, que foi apresentada pelo ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, seria uma resposta do governo à operação policial que deixou 121 mortos no Rio no fim de outubro. A ideia não foi aprovada por Lula, mas o ministro da Justiça entendeu que havia uma pressão interna para enfraquecer o seu ministério.