Fictor usou papéis do Besc para inflar capital em negociação com o Banco Master

O Grupo Fictor inflou o capital social com títulos do Besc, banco estadual extinto de Santa Catarina. O procedimento repetiu o padrão usado pelo Banco Master no esquema com fundos da Reag Investimentos. As informações são do portal UOL. A proposta de venda foi anunciada na imprensa, mas não chegou a ser analisada pelo Banco Central. Isso porque, em 18 de novembro, o órgão decretou a liquidação extrajudicial do Master. No mesmo dia, a Polícia Federal (PF) deflagrou a operação Compliance Zero e prendeu o dono do banco, Daniel Vorcaro, além de sócios e diretores. + Leia mais notícias de Economia em Oeste A investigação apontou indícios de fraude de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consignado vendidas ao BRB. O aumento de capital ocorreu em dezembro de 2021 no CNPJ da One Off, empresa de Luiz Phillippe Rubini, sócio da Fictor. Ele registrou na Junta Comercial um aporte de R$ 30,9 milhões lastreado em papéis do Besc. Dois dias depois, a empresa mudou o nome para Fictor Invest. Papéis do Besc e ligações societárias A privatização do Besc ocorreu em 2008, com o espólio assumido pelo Banco do Brasil. O prazo para conversão das ações venceu em 2009. Os papéis que circulam no mercado são ativos sem valor econômico. Órgãos federais já descreveram o uso desses títulos em esquemas de fraude. Mesmo assim, esses papéis seguem no mercado para maquiar balanços ou servir de garantia em operações de crédito. O jornal Folha de S.Paulo revelou que certificados do Besc inflaram fundos da Reag ligados ao Master em um esquema que pode ter movimentado R$ 11,5 bilhões, segundo denúncia do Banco Central ao Ministério Público. https://youtu.be/Qz6xJehURGk?si=U_nOojKBBPSsf103 Rubini é sócio de Antonio Marques de Oliveira Neto, que seria o futuro CEO do Master se houvesse a aprovação da venda. Marques trabalhou com Vorcaro no Banco Máxima e depois no Master. Ele também é diretor da LPGR Participações, empresa de Rubini que tentou comprar o Banco Porto Real. Leia também: "Vorcaro cita TCU e diz à Justiça dos EUA que pode reverter falência do Master " Fictor e Master atuavam no crédito consignado de servidores públicos, segmento sob investigação em estados como Mato Grosso e Bahia. É o mesmo tipo de carteira vendida pelo Master ao BRB. A Fictor afirmou que os títulos do Besc foram substituídos por dinheiro em novembro de 2024. “O sócio Phillippe Rubini aportou R$ 32 milhões em dinheiro na Fictor Invest. Portanto, os títulos do Besc não constam mais do balanço da empresa.” O post Fictor usou papéis do Besc para inflar capital em negociação com o Banco Master apareceu primeiro em Revista Oeste .