Manifestações contra o regime do Irã avançaram nesta quinta-feira, 8, e alcançaram uma importante avenida de Teerã. O país chegou ao 12º dia consecutivo de protestos, que levaram ao bloqueio generalizado do acesso à internet. Os atos começaram em 28 de dezembro, quando comerciantes da capital protestaram contra o aumento dos preços e o colapso da moeda iraniana. A mobilização inicial deu origem a manifestações semelhantes em diversas cidades e passou a questionar a legitimidade do regime islâmico. + Leia mais notícias de Mundo em Oeste Como resultado, os protestos atingiram 25 das 31 províncias iranianas, conforme levantamento da AFP. A agência independente Human Rights Activists News Agency, sediada dos Estados Unidos , registrou atos em 348 localidades distribuídas por todas as províncias do país. Ao mesmo tempo, o número exato de mortos permanece indefinido. A ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, informou que as forças iranianas assassinaram pelo menos 45 manifestantes, entre eles oito adolescentes. https://twitter.com/TRobinsonNewEra/status/2009355413670821948 A organização também relatou centenas de feridos e mais de 2 mil pessoas detidas. Em declaração, o diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, afirmou que as evidências indicam uma repressão cada vez mais violenta e abrangente. Ele pediu atuação “decisiva” das Nações Unidas (ONU) e da comunidade internacional para evitar um democídio — assassinato em massa de pessoas pelo próprio governo. “A ONU e a comunidade internacional têm a responsabilidade de agir de forma decisiva, dentro da estrutura do direito internacional, para evitar o assassinato em massa de manifestantes”, disse Mahmood. Paralelamente, um levantamento da AFP baseado em dados do regime indica pelo menos 21 mortos, incluindo integrantes das forças islâmicas. https://twitter.com/DrEliDavid/status/2009340913785688389 EUA alertam para resposta dura caso o Irã intensifique a repressão Ainda nesta quinta-feira, o presidente Donald Trump fez uma advertência direta às autoridades iranianas. Em entrevista ao radialista Hugh Hewitt, ele afirmou que o governo dos EUA vai aplicar um “golpe muito duro” caso o regime intensifique a repressão. “Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas — o que tendem a fazer durante seus distúrbios, eles têm muitos distúrbios —, se fizerem isso, nós os golpearemos muito duro.” Irã alterna discurso conciliador e ameaça repressiva Masoud Pezeshkian, líder do Irã, determinou que as forças islâmicas diferenciem manifestantes de “desordeiros” que, segundo ele, ameaçam a segurança nacional. Ele afirmou que “devem ser evitados quaisquer comportamentos violentos ou coercitivos”. + Leia também: "Irã se prepara para possível ataque dos EUA" A porta-voz do regime, Fatemeh Mohajerani, defendeu o diálogo e adotou tom conciliador ao descrever os manifestantes como “nossos filhos”. Em contrapartida, o chefe do Judiciário, Gholamhosein Mohseni Ejei, declarou que “não haverá clemência para quem ajuda o inimigo contra a República Islâmica”. O post Protestos se espalham pelo Irã, e regime intensifica repressão apareceu primeiro em Revista Oeste .