Passinho do Jamal: conheça dança que viralizou e conquistou Ivete Sangalo, João Gomes e outros famosos; VÍDEO

Famosos se rendem ao 'passinho do Jamal' e compartilham vídeos do bregafunk Uma coreografia que mistura movimentos dos braços em sincronia com as pernas, um balanço tímido do quadril e um senso de ritmo apurado. É assim que se dança o Passinho do Jamal, que foi criado no Recife e viralizou nas redes sociais. Os cantores João Gomes, Ivete Sangalo e Chico César e a apresentadora Adriane Galisteu são alguns dos famosos que se renderam ao fenômeno (veja vídeo acima). A origem do passinho foi no bairro de Santo Amaro, no Centro da capital pernambucana, onde moram os amigos de infância Pedro Henrique, de 25 anos, e Romero Júnior, de 21 anos – conhecidos como Eo Chapa e Jamal, respectivamente. A coreografia foi criada em 2020, mas a dança de brega funk só começou a repercutir nas redes sociais quase cinco anos depois. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE "A intenção não era nem para viralizar, porque a gente começou dançando brincando", disse Eo Chapa em entrevista ao g1. Jamal contou que a criação do passinho que leva o seu apelido foi feita com base em uma coreografia já existente, mas ele acrescentou o movimento dos braços e moldou ao ritmo da dança. "Já tinha esse passinho dos pés, só para um lado e para outro, e três passos. 'Um, dois, um, dois, três'. Aí eu acrescentei as mãos, acompanhando os pés. Comecei a fazer vídeo assim. Do nada, eu comecei a postar vídeo com as músicas atuais, dançando. Pegou que foi viralizando e o 'bagulho' explodiu, viralizou de vez", contou Jamal ao g1. Ivete Sangalo, Adriane Galisteu e João Gomes dançam o passinho do Jamal Reprodução/Redes Sociais O Passinho do Jamal alcançou diversos públicos, de crianças a adultos, e é usado em diversas músicas de brega funk. "O público da gente é mais criança. Todo dia eu abro os chats e vejo várias crianças falando: 'Jamal, eu sou teu fã, eu te amo, não sei o quê'. Poxa, isso tem preço não", afirmou Jamal. A dança começou a ser reconhecida juntamente com a música "Toma Botada", uma parceria de Eo Chapa com o MC Rogê. A canção chegou a ficar entre as músicas mais virais da plataforma de streaming Spotify. Para Jamal, o passinho valoriza a cultura do brega funk. "Quebrou mais uma bolha para o brega funk, né? O brega funk era muito julgado. Pessoas de classe alta, assim, ainda julgam, não gostam. Mas nós fizemos os filhos dessas pessoas gostarem. Acho isso importante", disse Jamal. Com a repercussão da coreografia, a dupla se juntou com outros amigos para criar a Tropa do Jamal. Eles, que já trabalharam como servente de pedreiro e entregador de água mineral, conseguem viver, atualmente, dos recursos obtidos através da internet. Do Recife para o mundo Eo Chapa e Jamal são amigos de infância e moram no Recife Reprodução/Instagram Em janeiro, o termo "Passinho do Jamal" foi uma das pesquisas populares do TikTok, onde usuários compartilham vídeos dançando e fazendo tutoriais da coreografia. Foi nessa plataforma que Rodrigo de Sousa, que tem 22 anos e mora em Américo Brasiliense, no interior de São Paulo, descobriu o passinho. O jovem nunca visitou Pernambuco, mas conheceu o passinho recifense por meio das redes sociais. Ele compartilha em seu perfil uma série de vídeos mostrando como a coreografia pode se encaixar em diversos gêneros musicais. Em entrevista ao g1, Rodrigo contou que não foi fácil aprender o Passinho do Jamal, mas que, com a prática, foi melhorando. "Eu percebi que encaixaria em vários ritmos musicais sozinho, em casa mesmo. Como virou rotina, de aprender e dançar, então vi que algumas músicas combinavam", disse. Initial plugin text Um desses vídeos, em que ele faz o Passinho do Jamal ao som de "Single Ladies", da cantora estadunidense Beyoncé, alcançou mais de sete milhões de visualizações no Instagram. Ele contou com a colaboração dos seguidores sugerindo músicas diferentes para serem testadas com o passinho. Desde canções internacionais, como as de Michael Jackson e Linkin Park, até ritmos locais, como o forró de Mastruz com Leite e o rap de Racionais, o passinho parece combinar com todos. "Teve uma que foi do Justin Bieber, que é a música 'Baby', que, na minha cabeça, não iria combinar [...], mas chegou na hora e encaixou perfeitamente", lembrou Rodrigo. Alguns estrangeiros também aderiram ao Passinho do Jamal. É o caso do influenciador mexicano Hector Xibille, que acumula quase 15 milhões de seguidores nos seus perfis no Instagram e TikTok. Um vídeo dele dançando o passinho recifense alcançou, em menos de uma semana, mais de dois milhões de visualizações. Initial plugin text Brega funk nas redes sociais A presença digital é uma das características do brega funk. O ritmo, criado nas periferias do Grande Recife, se utiliza, desde o início, das redes sociais para alcançar o público. Thiago Soares, que é professor e pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), explicou que o brega funk dialoga diretamente com os jovens. "[O bregafunk] é um processo de 'jovialização' do brega. O que caracteriza o brega funk, fundamentalmente, é exatamente essa dimensão jovial. [...] Esse processo de apropriação da juventude, ele implica no processo de 'coreografização' do brega. Assim, um brega mais coreográfico que tem tudo a ver também com as redes digitais. Quer dizer, é um brega para ser consumido amplamente nas redes", disse o pesquisador. O gênero musical, que surgiu entre 2008 e 2010, tem um perfil mais dinâmico, que se reinventa e se adapta aos novos cenários. Antes mesmo de ser criada a expressão "brega funk", já existiam músicas e danças que carregavam elementos do gênero, mas eram enquadradas como tecnobrega. Mesmo com a relevância cultural do gênero, os comentários em vídeos de dancinhas de brega funk nem sempre são positivos. Muitos recriminam as coreografias e as consideram sexualizadas ou imorais. "Por ser uma coreografia que mexe com áreas do corpo que são, digamos, sexualizadas, então, a partir daí, também vem o ataque [...]. É muito interessante a gente fazer essa separação. Um gesto apenas, ele não é o elemento que define uma moral de um diálogo. É muito mais para que você está fazendo aquele gesto", avaliou o professor. O Passinho do Jamal tem uma característica diferente: o foco não está no movimento do quadril. O desafio da dança é conseguir a sincronia entre os braços e as pernas, de uma forma rítmica, quase como uma marcha. Ainda assim, o passinho é alvo de críticas daqueles que não o consideram uma expressão artística válida. "As músicas periféricas, historicamente, elas são estigmatizadas. O estigma acompanha a expressão cultural periférica. [...] As músicas periféricas são constantemente atacadas, e as redes sociais são um palco muito nocivo para esse tipo de expressão. É ali que as pessoas vão atacar", declarou Thiago Soares. *Estagiária sob a supervisão do editor Bruno Marinho. Initial plugin text VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias