Para entender os motivos que levam uma bolsa a se tornar ícone é preciso conhecer a sua história. No século XX, algumas mulheres, como Jane Birkin, Grace Kelly e Jacqueline Onassis, cujas trajetórias e estilo de vida viraram referência, estabeleceram relação íntima com o acessório, batizando-o e eternizando-o. É o caso da Lady Dior. Ao chegar ao mundo, em 1984, era chamada de Chouchou. Porém, a rota da it bag foi marcada pela adesão de ninguém menos que Lady Di, que ganhou uma versão de presente, em 1995, da então primeira-dama francesa, Bernadette Chirac, em visita a Paris, e passou a adotá-la. “Ela foi vista e fotografada com o modelo”, explica a analista e pesquisadora de moda Paula Acioli. “O impacto de suas aparições com a bolsa foi tão grande que, em 1996, a maison rebatizou-a como Lady Dior”, emenda. E nunca mais foi a mesma. Na verdade, transformou-se em várias. Em 2016, a grife francesa lançou o projeto Dior Lady Art, no qual convida artistas de várias nacionalidades — nomes como o da portuguesa Joana Vasconcelos, da americana Judy Chicago, do chinês Ju Ting, do indiano Raqib Shaw e dos ingleses Gilbert & George fazem parte da lista — para reinterpretarem o objeto de desejo. Entre as brasileiras, ao longo da década, estão Janaina Tschäpe, Maria Nepomuceno e Sophia Loeb (que participa neste ano). Para comemorar os dez anos da iniciativa, a Dior lançou, na França, um livro retrospectivo, com mais de 250 versões da it bag. Publicado pela editora Rizzoli, a obra, que estará à venda mundialmente a partir do dia 17 de fevereiro de 2026, tem textos de Hervé Mikaeloff, Jérôme Hanover e Anne Malherbe e fotografias de Adrien Dirand, distribuídos em 452 páginas. Para completar, a nova temporada do podcast da Dior (Dior Talks Podcasts) será sobre o tema. O livro traz diversas versões da bolsa Lady Dior Divulgação A artista paulistana baseada em Londres Sophie Loeb integra essa edição. Ela criou quatro versões da Lady Dior, imprimindo a materialidade da sua pintura. “Para mim, a maison Dior representa mais do que moda, simboliza memória, elegância e identidade”, afirma. “Na minha pintura, trabalho com camadas de pigmentos e emoções. A Dior faz o mesmo com os tecidos.” A carioca Maria Nepomuceno foi a primeira brasileira a integrar o time, em 2020. Ela criou uma bolsa adornada com pérolas, veludo e contas. “Minha ideia foi dar vida a um modelo que, na minha imaginação, foi esquecido por anos e ressuscitou com ‘microrganismos’”, recorda-se. Um ícone em movimento.