Projeto desenvolvido por empresário de Petrópolis há três décadas promove reciclagem de lixo e recupera áreas degradadas

“Meu sonho sempre foi esse: viver em um mundo sem lixo. Enquanto eu puder, vou trabalhar por isso”. A frase do empresário César Magno Moreira dos Santos guia, desde 1996, o Projeto Conexão Verde, criado por ele para lutar contra o descarte irregular de lixo, recuperar áreas degradadas e conscientizar a população sobre a importância do cuidado com o meio ambiente. A iniciativa, que chega a três décadas este ano, busca mudar a realidade ambiental de Petrópolis, na Região Serrana. Na Serra dos Órgãos, a biodiversidade floresce em cores e encanta Rio lança portal que centraliza dados e ações contra impactos das mudanças climáticas O Conexão Verde tem atualmente 26 Pontos de Entrega Voluntária, todos monitorados por sensores de presença, garantindo organização e impedindo o descarte irregular. Nos locais, a Prefeitura de Petrópolis faz a coleta dos resíduos comuns, enquanto os catadores recolhem o material reciclável. Recentemente, o projeto ganhou dois parceiros: a APA de Petrópolis e o ICMBio. As instituições mantêm um ponto oficial de coleta de lixo em frente à unidade, ampliando o alcance do descarte correto. Algumas das árvores do reflorestamento no Lago de Corrêas foram identificadas com os nomes das crianças que plantaram as mudas Divulgação Outro pilar da iniciativa é a recuperação de áreas degradadas. O Lago de Corrêas, que durante anos acumulou lixo, passou por uma transformação profunda. Uma megaoperação, com apoio do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), retirou 20 mil caminhões de resíduos do local. A operação de limpeza começou em junho de 2022, após o projeto identificar o estado crítico da área. No começo, o processo de retirada do lixo foi manual, com o uso de 500 carrinhos de obra. Em 2024, com apoio do Inea, a intervenção ganhou escala e passou a ser realizada com caminhões. Em apenas seis meses, o cenário estava completamente transformado. A área recebeu 140 caminhões de pedras artesanais, que reforçaram o terreno e evitaram novos deslizamentos. A recuperação incluiu o plantio de 680 árvores nativas, realizado com participação direta da comunidade: 149 crianças plantaram mudas identificadas com seus próprios nomes, em uma atividade acompanhada por caminhadas ecológicas e orientações ambientais.