Polícia suspeita de outros cemitérios clandestinos após achar ossadas em área de milícia em Rio das Pedras

Em 25 de outubro, o motoboy Alan Pereira Martins de Lima, de 19 anos, saiu para visitar a namorada em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, e nunca mais foi visto. A polícia investiga se ele pode ser uma das duas vítimas cujos corpos foram encontrados pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA) em uma área de brejo e mata na localidade conhecida como Areal, dentro da comunidade, na manhã de sexta-feira (09/01). Segundo a delegada titular da DDPA, Elen Souto, a região é dominada pela milícia, que utiliza o local como ponto de descarte de cadáveres. Ela não descarta a existência de outros cemitérios clandestinos na área. Polícia descobre cemitério clandestino em Rio das Pedras Criminosos tentam libertar chefe de facção de 'alta periculosidade' forjando alvará de soltura do STJ Equipes da DDPA e agentes da Divisão de Capturas e Polícia Interestadual (DC-Polinter) realizaram escavações no Areal e localizaram as ossadas. De acordo com Elen Souto, esta foi a terceira vez que a polícia esteve no local, já identificado como um cemitério clandestino utilizado pela milícia. — As ossadas encontradas serão submetidas a exames periciais. Vamos tentar identificá-las inicialmente pela arcada dentária e, caso não seja possível, por meio de exame de DNA. A identificação será feita a partir da correlação com os registros de desaparecimento sob investigação, como o caso do Alan — explicou a delegada. Segundo as investigações, Alan foi visto pela última vez em uma pizzaria, em Rio das Pedras, acompanhado de amigos. Apesar de ter nascido e crescido na comunidade, o jovem havia se mudado recentemente para a Rocinha, na Zona Sul do Rio, território dominado pelo Comando Vermelho (CV), facção rival da milícia. Alan Pereira Martins de Lima, de 19 anos, desapareceu em 25 de outubro do ano passado, quando foi visitar a namorada Reprodução A outra vítima com registro de desaparecimento em Rio das Pedras é Nathan Fernandes Pereira. A polícia trabalha com a hipótese de que a segunda ossada encontrada pertença a ele. Nathan desapareceu em 6 de fevereiro de 2024. De acordo com a DDPA, o jovem teria se envolvido com uma mulher que mantinha relacionamento com um dos chefes da milícia local. — Nathan estava saindo com uma menina que namorava um miliciano de Rio das Pedras. As investigações demonstraram que Gerlan Anacleto de Oliveira, João Henrique Pedro da Silva, o Pezão, e um outro conhecido como Otávio, o abordaram durante a madrugada, na rua. Em seguida, ele foi morto e enterrado no cemitério clandestino da milícia — afirmou a delegada. Nathan Fernandes Pereira sumiu em 06 de fevereiro de 2024, após se relacionar com uma jovem que namorava um miliciano de Rio das Pedras Reprodução Entre 2021 e 2025, a Delegacia de Descoberta de Paradeiros registrou 15 desaparecimentos em Rio das Pedras. Segundo Elen Souto, a atuação dos milicianos segue um padrão. — O modo de agir é sempre o mesmo: eles retiram a vítima de um local, a executam e ocultam o corpo nesse mangue, na região do Areal. Já estivemos ali três vezes e, em todas, encontramos ossadas. Nathan Fernandes e Alan Pereira Martins, segundo as investigações, não tinham envolvimento com facções criminosas, mas ainda assim foram condenados à morte pelos milicianos — disse. Vizinha a Rio das Pedras, a comunidade da Muzema é dominada pelo Comando Vermelho. Há indícios de que traficantes da região adotem práticas semelhantes de ocultação de cadáveres.