Um grupo de manifestantes se reuniu na frente do terreno do antigo Colégio Bennett, na Rua Marquês de Abrantes 55, no Flamengo, para protestar contra o corte de mais de 70 árvores no local, na manhã deste sábado (10). A derrubada foi feita no local onde ocorrem obras de um empreendimento imobiliário que terá entre 350 e 400 apartamentos. O protesto foi organizado por um coletivo de moradores da região, com apoio da Associação de Moradores e Amigos do Flamengo (Amafla). Segundo a CET-Rio, uma das faixas da Rua Marquês de Abrantes, na altura da Rua Paissandu, está ocupada, e o trânsito segue intenso na região. Mar e preço de Caribe: na Zona Sul do Rio, espreguiçadeira chega a R$ 100; na Sudoeste, sofá na areia tem diária de R$ 850 Botinhos ao mar: Projeto dos Bombeiros esgota as cinco mil vagas em oito minutos No gradil do terreno, que também é tombado, o grupo colou cartazes com críticas à administração municipal e contra a derrubada de árvores no bairro. Segundo eles, algumas das árvores eram centenárias e responsáveis pela regulação do microclima no bairro. O grupo já havia se manifestado nas redes sociais sobre o caso, chegando a fazer um abaixo-assinado que reuniu mais de 1.600 assinaturas, o que gerou uma série de reações em cadeia dos órgãos públicos. Um inquérito que já apurava descaracterização de bem tombado no terreno desde fevereiro de 2025, passará a investigar também os cortes. O deputado estadual Carlos Minc enviou uma representação ao procurador geral do estado. Já a Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal do Rio afirmou que vai acompanhar as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que, por sua vez, notificou a Prefeitura do Rio sobre controle e monitoramento de medidas compensatórias em autorizações para corte de árvores em empreendimentos. O ofício deu um prazo até o dia 20 de janeiro para a resposta da prefeitura e lembra que uma recomendação sobre o tema já havia sido expedida em outubro de 2025. O inquérito tem como foco a possível descaracterização do Pavilhão São Clemente, onde residiu o Barão de São Clemente, bem tombado em nível municipal por decreto de 2014. No tombamento, o decreto do prefeito Eduardo Paes afirmava que o corte das árvores estava proibido no local. O terreno, que antes concentrava vegetação densa e sombra, hoje aparece como um descampado de terra e concreto. Entre as árvores suprimidas estavam exemplares adultos de grande porte, responsáveis, segundo os moradores, pela regulação do microclima local e pela presença constante de fauna urbana. — Todas as árvores retiradas eram adultas e faziam muita sombra, não só na Rua Senador Vergueiro, mas também nas paralelas. Esse conjunto regulava a temperatura do bairro e era conhecido como o “mini bosque do Flamengo”. Depois do corte, ficou mais quente, o ar pesado e os pássaros sumiram. Antes a gente acordava com o som das maritacas; agora foi o barulho da motosserra — afirma a moradora Lorena Almeida, uma das organizadoras do protesto. Cartazes contra a derrubada de árvores no Flamengo Foto do leitor Segundo ela, além das aves, animais como micos e gambás, que circulavam pela área, desapareceram após a retirada da vegetação. — Havia uma jaqueira de que muita gente mais velha se lembra desde a infância. Hoje ficou o vazio, a tristeza e a saudade — diz. Depois de apagão: Light planeja remover 12 dos 62 geradores instalados nas ruas de Leme e Copacabana até este sábado A retirada da vegetação ocorreu na véspera do Ano Novo. Moradores que estiveram no local relatam que a empresa responsável pela remoção informou ter sido contratada pela construtora para executar o serviço nesse período. — Questionamos a escolha da data, quando a cidade está esvaziada e o Judiciário em recesso, mas disseram que isso não era problema deles — relata Lorena. Moradores afirmam ainda que, mesmo após alertas sobre a existência do decreto que tornaria as árvores imunes ao corte, os trabalhos não foram interrompidos. Também houve denúncias de destruição do gradil do terreno, igualmente tombado, e pedidos de representantes de organizações de proteção animal devido à presença de gatos no local. O terreno foi comprado em 2024 pela construtora TGB Imóveis em parceria com o banco BTG Pactual, meses antes da instauração do inquérito do MPRJ, em fevereiro de 2025. Em julho do ano passado, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também havia determinado a suspensão das obras no terreno, mas elas continuaram. Cartazes contra a derrubada de árvores no Flamengo Foto do leitor De acordo com a prefeitura, a Fundação Parques e Jardins está realizando um levantamento específico para assegurar o plantio de 71 árvores em número equivalente no próprio bairro, com o objetivo de preservar a cobertura vegetal e o microclima da região. Além disso, o plantio de 632 mudas nativas está previsto como medida compensatória ambiental, ainda segundo a gestão, que ressaltou que o imóvel é tombado e que o projeto foi analisado e aprovado pelos órgãos municipais competentes. A prefeitura afirma também que dois exemplares de pau-brasil, que serão transplantados no próprio terreno, além da preservação de outras sete árvores nativas. Em nota, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento informou que o projeto do empreendimento está em análise desde 2024 e cumpre a legislação ambiental. Segundo a pasta, o levantamento identificou dois exemplares de pau-brasil, que serão transplantados no próprio terreno, além da preservação de outras sete árvores nativas. As demais espécies seriam majoritariamente exóticas. Em nota, a Newview Incorporadora informou que o empreendimento residencial que será construído no bairro do Flamengo possui todas as licenças necessárias devidamente emitidas e vigentes, que as ações realizadas até o momento ocorreram de forma legal, com acompanhamento e anuência dos órgãos competentes, entre eles IRPH, IPHAN, Secretaria Municipal de Urbanismo, Subsecretaria de Controle e Licenciamento Ambiental, SMAC e CET-Rio. A incorporadora afirmou ainda que os imóveis tombados serão preservados e incorporados ao projeto, com investimento estimado em R$ 5 milhões apenas para a restauração, assegurando a preservação do patrimônio histórico para as futuras gerações. Initial plugin text