Irã tem ao menos 65 mortos e mais de 2.300 presos por manifestações, diz entidade; veja vídeos

Uma série de protestos tem sido registrados em diversos pontos do Irã e resistindo à forte opressão do governo ao longo das últimas duas semanas. Desencadeadas por conta da crise financeira que o país enfrenta, as manifestações resultaram até mesmo no bloqueio da rede de internet no país, o que não impediu que uma série de registros feitos por manifestantes fossem divulgados e circulassem nas redes sociais. Entenda: por que o Irã vive a maior onda de protestos desde 2022? Medidas: filho do Xá deposto convoca manifestantes a 'tomar' centros das cidades Segundo a ONG Human Rights Activist, ao menos 65 pessoas foram mortas e mais de 2.300 presas ao longo destas duas semanas de protestos, organizados em ao menos cem cidades de todas as 31 províncias do Irã. “Se o ímpeto desses protestos de rua em massa for mantido, a repressão se tornará muito mais difícil, senão insuficiente”, afirmou Ali Fathollah-Nejad, diretor do Centro para o Oriente Médio e a Ordem Global (CMEG) em Berlim. Initial plugin text Esses novos protestos, que chegaram ao 14º dia consecutivo neste sábado, foram desencadeados, principalmente, pelo agravamento da crise econômica e alimentados pela raiva popular contra o regime iraniano. Na quinta-feira, o país mergulhou num apagão de internet — ordenado pelo governo como forma de repressão —, à medida que as manifestações se espalhavam pela maioria das cidades do país, incluindo a capital, Teerã. Initial plugin text Historicamente, as autoridades iranianas recorrem à violência para reprimir levantes. Em 2022, após a morte sob custódia de Mahsa Amini, detida por uso considerado inadequado do hijab, mais de 550 pessoas teriam sido mortas por forças de segurança, segundo organizações de direitos humanos. Desta vez, a resposta inicial pareceu mais contida, mas vídeos verificados mostram intensificação do uso da força desde o último sábado. Os protestos eclodiram em 28 de dezembro, quando comerciantes de Teerã organizaram uma manifestação contra o aumento dos preços no país e o colapso do rial, o que desencadeou uma onda de ações semelhantes em outras cidades. Desde então, os atos deixaram dezenas de mortos, incluindo membros das forças de segurança. Protestos antigovernamentais se espalham pela maioria das províncias no Irã A economia iraniana vem, de fato, sofrendo pressão constante há anos, em grande parte como resultado das sanções americanas e europeias relacionadas às suas ambições nucleares. Essa situação foi agravada pelas tensões regionais, incluindo uma guerra de 12 dias com Israel em junho do ano passado, que drenou ainda mais os recursos financeiros do Irã. A forte desvalorização da moeda iraniana afetou duramente os negócios dependentes de importações, irritando os lojistas e pressionando os orçamentos familiares. A moeda perdeu aproximadamente metade do seu valor em relação ao dólar em 2025. Comerciantes e estudantes universitários realizaram dias de protestos, fechando os principais mercados e promovendo manifestações nos campi universitários. Em resposta, as autoridades praticamente paralisaram grande parte do país. Os protestos têm se concentrado cada vez mais no próprio governo e no regime autoritário dos clérigos islâmicos do país. Nas redes sociais e em emissoras de televisão, manifestantes têm sido vistos entoando slogans como "Morte ao ditador", em referência ao líder supremo do país, Ali Khamenei, e "Iranianos, levantem suas vozes, reivindiquem seus direitos".